🔴 TOUROS E URSOS: A AÇÃO QUE QUASE DOBROU E FOI UM TOURO EM 2025 – ASSISTA AGORA

Laís Campos

Laís Campos

Laís Campos é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, com especializações em comunicação de moda e beleza pela University of the Arts London e pela Condé Nast College of Fashion & Design. Já colaborou para veículos como Forbes Brasil, Vogue Brasil e Versatille, e trabalhou com análise de tendências na WGSN.

ESTRELA DAS CAFETERIAS

Matcha foi a febre do verão no Hemisfério Norte; mas será que a trend pega por aqui?

Especialistas discutem a popularização do ingrediente, como ela tem se refletido no Brasil e se a moda permanecerá a longo prazo

Laís Campos
Laís Campos
22 de novembro de 2025
8:46 - atualizado às 17:04
A popularidade nas redes sociais e maior preocupação com a saúde constirbuíram para a febre do matcha
A popularidade nas redes sociais e maior preocupação com a saúde constirbuíram para a febre do matcha - Imagem: iStock / Liudmila Chernetska

Estético, energético e com propriedades benéficas à saúde. O matcha, com cor verde vibrante, oriundo da Ásia e protagonista da típica cerimônia do chá japonesa, tem virado a estrela em cafeterias pelo mundo. Principalmente, no Hemisfério Norte.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

De acordo com o New York Times, o Japão, maior e mais tradicional produtor e exportador, já exportou o dobro de matcha e chá verde, em termos de valor (US$ 250 milhões, cerca de R$ 1,3 bilhões), nos primeiros sete meses de 2025 em comparação com todo o ano de 2020.

A febre, segundo o Financial Times, foi impulsionada pela sua popularidade nas redes sociais, pela maior preocupação com a saúde durante a Covid-19 e pelo boom do turismo no Japão. 

Ascenção do matcha

Nos Estados Unidos, como indica o New York Times, só no Starbucks houve aumento de 40% nas vendas de matcha no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já no Reino Unido, segundo o The Bottom Line, entre junho e julho deste ano, foram vendidos 1,6 milhão de bebidas à base do produto. 

No Brasil, de acordo com a Namu Matcha, marca brasileira dedicada exclusivamente ao matcha e principal importadora no país, há um crescimento da demanda. No entanto, o fundador Álvaro Dominguez, que abriu a empresa em 2020, destaca que este aumento não é repentino, mas expressivo de forma anual: “Sempre basicamente dobrou a cada ano desde que começamos a operar”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para a nutricionista, mestre em ciências dos alimentos pela USP e especialista em chá, Lígia Fernandes, aqui estamos vivendo essa tendência de forma mais evidente há um ano. No entanto, na sua visão, a longevidade da trend tem prazo de validade: “Eu acredito que ainda estamos na crista da onda, mas vai passar”.

Leia Também

Mas afinal, o que é exatamente o matcha e por que é tão atrativo?

“É preciso saber que o matcha é a folha de camellia sinensis”, diz Lígia. Segundo a especialista, aproximadamente 15 dias antes da colheita, ela é coberta para que não receba luz e aumente assim sua clorofila. Isto é, a L-teanina, que dá o sabor umami característico do matcha. A palavra de origem japonesa remete a “gosto saboroso”.

“Depois, as folhas são colhidas à mão, trituradas em pedra lentamente para manter a qualidade do produto final”, relata Lígia. O resultado é o pó verdinho que, como aponta o portal Tua Saúde, contém cafeína, aminoácidos e antioxidantes. Suas propriedades anti-inflamatórias e proteção celular contribuem para o fortalecimento do sistema imunológico e reduzem o risco de doenças crônicas.

O processo de produção do matcha é artesanal e leva tempo
O processo de produção do matcha é artesanal e leva tempo

“O matcha entrou no rol dos alimentos funcionais, principalmente para uma geração que busca mais saudabilidade e buscava uma bebida alternativa ao café”, relata Lígia Fernandes. “E exatamente como ele, o matcha é versátil, dá para tomar frio, quente, com leite e etc. E claro, a geração jovem é a que posta nas redes sociais e acaba viralizando mesmo. O líquido é bonito”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

De acordo com a Namu, trata-se de um ingrediente milenar, com mais de 3.000 anos. Os primeiros registros deste chá moído vem da dinastia Tang, na China, por volta dos anos 800. No entanto, foi no Japão que o matcha se aperfeiçoou e ganhou status cultural e ritualístico com os valores de harmonia, respeito, pureza e tranquilidade. Isso tanto entre os convidados e anfitriões da cerimônia, segundo a Japan House São Paulo.

Hoje, um boom no uso gastronômico

“Essa cultura cerimonial japonesa do matcha, ela não aumentou. O que aumentou foi o seu consumo com leite, no sorvete, em drinks com e sem álcool, que é o matcha culinário”, diz Carla Saueressig, primeira sommelière especialista em chás, infusões e ervas-mate e tea blender do Brasil, além de palestrante e consultora. 

Lígia Fernandes compartilha da mesma visão: “Vejo bastante restaurantes explorando isso na gastronomia: sorvete, creme, tortas e por aí vai. Aqui no Brasil, eu vejo o matcha mais como ingrediente na gastronomia mesmo. O brasileiro gosta de matcha com algo mais”.

O matcha tem se destacado nas cafeterias
O matcha tem se destacado nas cafeterias

Álvaro Dominguez, da Namu Matcha, confirma o movimento ao relatar que, no último ano, o aumento da demanda veio principalmente das cafeterias. A criação de um cardápio focado neste produto, afirma, aumenta a oferta e o tíquete médio desses estabelecimentos e de todos os locais de alimentos que trabalham com ele. Isso porque abre um leque para nichos mais diversos de públicos. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“A cafeteria não serve mais só quem gosta de café, agora vai quem gosta de café e quem gosta de matcha” diz o fundador da marca. 

O impacto da maior demanda na oferta e preços do matcha

“Nós não produzimos matcha. Logo, tudo que temos aqui é importado do Japão, da Coreia ou até mesmo da China”, diz Lígia. O boom na procura global pelo ingrediente, no entanto, tem levado a limitações da oferta no Japão, por exemplo. Casas de chá tradicionais como Nakamura Tokichi Honten, decidiram disponibilizar apenas uma pequena lata do produto por pessoa. 

“A capacidade de produção do matcha de alta qualidade, é muito limitada”, diz Carla Saueressig. Isso porque, como já explicado por Lígia, o processo artesanal exige tempo, e as safras são afetadas por fatores como clima e envelhecimento de produção. No caso do Japão, como indica o Financial Times, a pouca renovação agrícola também é um desafio para produzir em maior escala. 

Na Namu, a matéria-prima vem da província de Hadong, na Coreia do Sul. Álvaro também afirma haver uma diminuição de produção e consequentemente, um encarecimento do matcha. “Às vezes causado por efeitos climáticos, ou descanso das plantações, ou falta de mão de obra. São vários fatores”. Com aumento de demanda e produção menor, relata, os preços tendem a subir. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Matcha cultivado na província de Hadong, na Coreia do Sul
Matcha cultivado na província de Hadong, na Coreia do Sul

“A conta é simples: o mundo não tem como suprir essa procura. Um matcha premium, passou a custar 3x mais pela famosa lei da oferta e demanda” diz a especialista Lígia Fernandes. Na Namu, este tipo indicado para o uso em bebidas custa a partir de R$89, para 30g e vai até R$519 para 250g. “E nós brasileiros ainda sofremos mais porque dependemos de importação, impostos de exportação, etc.”, diz a especialista.

De olho na qualidade do matcha

Este desafio no cenário de produção e encarecimento do matcha, de acordo com Lígia e Álvaro, pode trazer consequências em relação à qualidade do produto. O fundador da Namu cita, por exemplo, a flexibilização de leis permitindo adição de corantes para deixar um matcha “de menor qualidade com a cor mais verdinha”. Como indica a BBC, isso ocorre especialmente na China. Há também a possibilidade de falsificação de certificações de pureza, segundo Álvaro.

“Chá verde simples tem se passado por matcha”, comenta Lígia. A especialista relata experiências recentes em cafeterias brasileiras em que percebeu que o produto ofertado não era de fato o original. “Chá verde em pó é diferente de matcha. Apesar de ambos virem da mesma folha, a camellia sinensis, o processamento delas é que faz a diferença. E faz muita diferença no sabor, até mesmo na finura do pó”, afirma

O pó de matcha
O pó de matcha

Álvaro, por sua vez, aponta para a questão de educação do usuário, que ainda está navegando num mercado jovem. Isto é, há poucas informações disponíveis sobre o produto e, de acordo com o fundador da Namu, “muito marketing empurrando soluções mágicas a partir dele”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Nós estamos falando de um ingrediente caro, como uma iguaria e ainda assim tem pessoas que compram gato por lebre”, diz Lígia.

Será que a moda vai durar?

Para a sommelière e especialista em chás, Carla Saueressig, o consumo do matcha misturado a diferentes bebidas, já faz parte do cotidiano das pessoas e não vai sair. No entanto, ela destaca que é preciso levar em conta a cultura do Brasil e suas regionalidades ao refletir sobre como a tendência se reflete por aqui.

“O brasileiro não vai deixar de tomar café. Nós somos culturalmente tomadores de café”, relata. Além disso, ela afirma que ao considerar o Brasil como um todo, não só as capitais, só as cidades maiores do interior vão ter um consumo mais intenso do produto. 

"As pessoas vão continuar tomando as coisas que são do hábito delas. Por exemplo, o Mato Grosso do Sul vai continuar tomando tererê. O Sul vai continuar tomando chimarrão, e as praias do Brasil vão continuar tomando mate gelado. Isso nunca vai deixar de ser tendência cultural nossa”, diz Carla.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já Lígia aponta que o aumento dos preços pode dificultar um consumo em massa do produto por aqui. “O de de má qualidade tem gosto amargo demais. É bem comum eu ouvir as pessoas dizendo que não gostam de matcha. E a minha frase é: ‘Você nunca tomou matcha bom!’”, brinca. Ela relata que o de maior qualidade tem tanto umami, que alguns chegam a parecer chocolate branco. 

“A alta do valor do matcha bom vai fazer essa onda se dissipar e só quem realmente é apreciador de chás especiais seguirá bebendo", diz Lígia. “Hoje é matcha, amanhã será outra coisa”, complementa ela sobre o caráter temporário da popularidade da trend.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
BANQUETE DO FUTURO

Istambul virou o epicentro da gastronomia global? Um raio-x sobre a revolução da culinária da Turquia

12 de dezembro de 2025 - 8:16

Dez anos de Gastromasa, o café da manhã como patrimônio e o baklava como diplomacia: a Turquia transforma sua cozinha em estratégia de poder cultural 

DNA COLOMBIANO

Juan Valdez, gigante colombiana de cafés, chega ao Brasil com plano de abrir mais de 100 lojas até 2028

10 de dezembro de 2025 - 8:16

Com primeira unidade no interior paulista, empresa quer fugir do modelo tradicional e focar na experiência e na ancestralidade do grão

ADEUS AOS VINHEDOS?

Plano da França para salvar indústria vinícola destina R$ 715 milhões a arrancamento de videiras; entenda 

6 de dezembro de 2025 - 8:00

A indústria do vinho tem enfrentado uma crise há tempos pela redução do consumo, tensões geopolíticas e mudanças climáticas; medida do país que é um dos maiores produtores da bebida no mundo visa combater esse cenário

O PÓDIO LATINO

Tuju é eleito o melhor restaurante brasileiro no Latin America’s 50 Best

3 de dezembro de 2025 - 13:01

Mais: brasileiras Tássia Magalhães e Bianca Mirabili trazem prêmios individuais de peso

O NOVO BRINDE

Melhor bartender do Brasil, Ariel Todeschini abre novo endereço de café e coquetelaria em Curitiba

29 de novembro de 2025 - 8:30

Na carona do sucesso do World Class, Todeschini inaugura o Testarossa, casa de inspiração ítalo-brasileira com coquetéis e cafés em destaque, na capital paranaense

DELÍCIAS NATALINAS

Então é (quase) Natal: 20 panetones que vão surpreender em 2025; veja quanto custam e o que trazem de diferente 

27 de novembro de 2025 - 8:16

Doces têm combinações de ingredientes inusitadas, bem como sabores não esperados para o clássico natalino

SUAVE E INTENSO

O melhor uísque do mundo pode custar até R$ 13 mil; saiba qual é e por que ele ganhou o título mundial 

25 de novembro de 2025 - 17:22

Destaque de garrafa 18 anos consagrada na International Spirits Challenge 2025 está na suavidade e intensidade do sabor

SABOR E AS CONSOANTES

Da Geórgia à Romênia, sommeliers traçam um tour pelos vinhos do leste europeu

25 de novembro de 2025 - 8:16

De Tokaj às encostas do Cáucaso, vinícolas da Geórgia, Hungria, Moldávia, Romênia e Eslovênia revelam tradições milenares, terroirs singulares e um novo fôlego para o vinho europeu

TEMPERATURA MÁXIMA

O retorno do fogo: do Chile à Capadócia, a cozinha em chama viva ganha o luxo e movimenta milhões

21 de novembro de 2025 - 8:16

O fogo voltou a ser o ingrediente mais valioso da gastronomia global,  e está transformando eventos, restaurantes e negócios ao redor do mundo

TÍTULO EXCLUSIVO

Gin sem álcool não pode ser chamado de gin, determina Tribunal da União Europeia

19 de novembro de 2025 - 8:46

A medida aponta que apenas os destilados feitos com a substância etílica, aromatizadas com bagas de zimbro, e que contenham um teor mínimo alcoólico de 37,5%, possam ser denominados como gim

50 BEST RESTAURANTS

São Paulo emplaca seis restaurantes e lidera lista estendida do The Latin America’s 50 Best 2025

18 de novembro de 2025 - 17:45

Salvador tem o melhor brasileiro rankeado; restaurantes do Rio de Janeiro e de Curitiba também aparecem na lista

O SABOR E O BUZZ

No hype das experiências instagramáveis, restaurante em São Paulo propõe brincadeira saborosa – e cara – para adultos

17 de novembro de 2025 - 11:15

Inspirado no internacional Le Petit Chef, o molecular O Alaric tem um chef holográfico que apresenta a sequência de oito pratos; experiência imersiva custa R$ 450 por pessoa e só funciona sob reserva

PAUSA PARA O DOCE

Rosewood São Paulo abre pop-up com doces da chef confeiteira Saiko Izawa

13 de novembro de 2025 - 15:10

A inauguração marca a primeira vez que suas criações são vendidas diretamente ao público; o espaço conta com opções clássicas e receitas de sucesso da chef para viagem

GENUÍNA E HYPE

O renascimento da Criolla: a redescoberta da uva autóctone da América do Sul

12 de novembro de 2025 - 8:16

Deixadas de lado por décadas, castas que deram origem à viticultura no continente são resgatadas por produtores que buscam uma identidade genuinamente sul-americana

BRINDE CENTENÁRIO

100 anos de Pinotage: a trajetória da uva ícone da África do Sul

7 de novembro de 2025 - 8:16

Criada em 1925, a casta enfrentou décadas de má reputação, mas se reinventou com novos terroirs e vinificação. Especialistas analisam a evolução e indicam os melhores rótulos para celebrar o centenário

PERDEU O BRILHO?

A Estrela Verde está apagando? Mudanças no Guia Michelin lançam dúvidas sobre selo sustentável

25 de outubro de 2025 - 12:00

Selo concedido desde 2020 reconhece os restaurantes com práticas sustentáveis. No entanto, movimentos recentes apontam para seu desaparecimento nas plataformas do Guia Michelin, que se posiciona: ‘a Estrela Verde continua existindo’

INNOVAZIONE

Em São Paulo, chefs desafiam a tradição para criar o futuro da gastronomia italiana na capital

25 de outubro de 2025 - 8:00

Em uma cidade marcada pela tradição das cantinas, uma nova geração de chefs revisita receitas clássicas e dialoga com ingredientes brasileiros para provar que é possível inovar sem abandonar as raízes

BORBULHAS EM DETALHES

Champanhe, prosecco e cava: entenda as diferenças entre os espumantes mais famosos do mundo

15 de outubro de 2025 - 8:16

Embora pareçam sinônimos para o consumidor desavisado, os vinhos espumantes carregam universos distintos dentro de cada garrafa; a seguir, contamos as diferenças dos métodos de produção, uvas e terroir que definem a identidade de cada rótulo

SUCULÊNCIA DA ARGENTINA

Corrientes 348 promove festival com cortes exclusivos do terroir argentino

8 de outubro de 2025 - 18:45

Em edição limitada, a casa traz lote selecionado em parceria com a Cabaña Juramento, tradicional produtora de carnes premium da Argentina

LISTA COMPLETA

The World’s 50 Best Bars 2025: Tan Tan, em São Paulo, é eleito o 24º melhor bar do mundo

8 de outubro de 2025 - 12:16

Endereço brasileiro sobe 7 posições; confira a lista completa e o que nossas previsões acertaram

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar