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De um lado, gastronomia e conforto em Lima; de outro, a imersão cultural roots de Machu Picchu. Qual é o ideal para você? No guia abaixo, comparamos o estilo, a gastronomia e a hospedagem de cada destino peruano
Em 2025, o Peru já registrou uma alta de 40% no número de visitantes vindos do Brasil, segundo dados da PromPeru. E quando o assunto é o país, dois destinos saltam aos olhos.
De um lado há Lima, a capital à beira-mar, riquíssima em cultura e gastronomia. De outro há Machu Picchu, uma joia arqueológica entre montanhas, cercada por lendas e paisagens de tirar o fôlego.
O ideal é combinar os dois roteiros em uma viagem, mas, em caso de dúvidas, levantamos as principais características de ambos abaixo, para entender qual faz mais o seu perfil.
Lima é considerada a capital gastronômica da América Latina. Não à toa, seus restaurantes figuram entre os mais premiados do mundo – caso do Maido, do chef Mitsuharu Tsumura, por exemplo. Eleito recentemente o melhor restaurante do mundo pelo guia The World’s 50 Best Restaurants, ele dá sequência a uma série de conquistas de pares, como o Central, que levou o mesmo título há apenas alguns anos.

Por aqui, você encontrará desde o tradicional ceviche até menus degustação elaborados por chefs estrelados. Muitos turistas, inclusive, vão a Lima só para comer.
Mas Lima é muito mais que gastronomia. Para quem se interessa por arte e cultura alternativa, por exemplo, o hypado bairro de Barranco é uma parada obrigatória. É ali que cafés charmosos se misturam com murais coloridos, galerias independentes e o MATE, museu dedicado ao renomado fotógrafo peruano Mario Testino. No fim do dia, o pôr do sol sobre o Pacífico dá um charme cinematográfico ao bairro.
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O Centro Histórico, por outro lado, transporta o visitante ao período colonial. JA Plaza de Armas, cercada por palácios, convida a um passeio para conhecer a história da cidade. Vale a pena visitar o Museo Convento San Francisco, que fica perto dali, e ficou conhecido por suas catacumbas surpreendentes.
O Museo Larco é um programa à parte. Além de um foco reforçado em arqueologia, com acervo riquíssimo de peças pré-colombianas, seu jardim florido e café criam um ambiente ideal para um programa completo.

A orla de Miraflores pede tranquilidade e relaxamento. Por lá é possível caminhar, assistir aos voos de parapente e até mesmo brindar com um drink no Shopping Larcomar.
Machu Picchu é considerada por muitos uma das experiências mais transformadoras da América do Sul. A Cidade Perdida dos Incas, encravada entre montanhas, pede uma aventura ainda antes da chegada, com vista privilegiada a quem vence o desafio. E há várias formas de fazer esse trajeto.

Quem busca espírito aventureiro e conexão com a natureza pode encarar a famosa Trilha Inca, que leva quatro dias a pé por caminhos históricos, florestas e ruínas incas até chegar a Machu Picchu pelo famoso Inti Punku, o “Portão do Sol”. A trilha requer bom preparo físico, mas é uma jornada bem estruturada, com acampamentos e guias especializados.
Há ainda uma opção sem perder o trajeto de vista, pelos trens panorâmicos. O Vistadome (acima) oferece janelas amplas e entretenimento cultural a bordo, enquanto o luxuoso Hiram Bingham, da Belmond, proporciona experiência com refeições e serviços impecáveis.

A principal cidade base deste roteiro é Cusco, antiga capital do Império Inca. Além de servir para aclimatação à altitude, o local oferece uma cena cultural interessante. Mercados típicos, rituais andinos, templos coloniais e uma gastronomia deliciosa fazem parte da experiência.
Cusco é também o ponto de partida para conhecer o Vale Sagrado dos Incas, região formada por vilarejos como Pisac, Ollantaytambo, Moray e as Salinas de Maras (todos com ruínas, feiras de artesanato, trilhas e muita história).

Na base da montanha onde fica Machu Picchu está Águas Calientes, vila charmosa com bons hotéis, restaurantes, banhos termais e acesso direto às ruínas via ônibus ou trilha curta. Muitos turistas optam por pernoitar ali para subir bem cedo e ver o sol nascer sobre as ruínas.
Escolher onde se hospedar em Lima é quase tão importante quanto escolher onde comer (e isso diz muito). A cidade oferece três regiões principais que atendem a diferentes perfis de viajantes.

Miraflores é, sem dúvida, o queridinho dos turistas. Moderno, seguro e super bem localizado, o bairro combina vista para o mar com uma excelente oferta de restaurantes, bares, shoppings e parques. Entre as boas opções para se hospedar por lá estão o luxuoso Miraflores Park, que faz parte do grupo Belmond; o moderno JW Marriott; e o descolado Souma Hotel, da Vignette Collection, que mistura conforto e design com muito bom gosto.

Mais artístico e boêmio, outro destino certo é Barranco. Antigo refúgio de escritores e pintores, o bairro respira cultura. O clima é mais descontraído e romântico (ótimo para casais e viajantes criativos). Para mergulhar nesse espírito, vale se hospedar em hotéis cheios de charme como o Casa Republica Barranco ou em seu vizinho mais intimista, o Hotel B.
Já San Isidro é o encontro de Lima com a exclusividade. Mais discreto e residencial, é o endereço de embaixadas, parques bem cuidados e restaurantes estrelados. Entre os destaques estão o clássico Country Club Lima Hotel e o luxuoso Swissôtel Lima.
Um dos segredos para aproveitar bem a jornada até Machu Picchu é escolher bem onde se hospedar em cada etapa do caminho. O roteiro clássico inclui pelo menos três pontos principais: Cusco, Vale Sagrado e Águas Calientes, a vila na base da montanha sagrada. Cada parada tem suas particularidades.

Cusco é o ponto de partida da maioria dos viajantes. Quem gosta de ficar no coração da cidade, próximo à Plaza de Armas, vai encontrar opções muito convenientes. Ótimas opções são o Palacio del Inka, que ocupa uma antiga mansão colonial; ou o Belmond Monasterio, que está instalado em um antigo seminário jesuíta do século XVI. Para algo um pouco mais contemporâneo, o JW Marriott El Convento é excelente opção.
Seguindo viagem, o Vale Sagrado dos Incas é um ótimo lugar para quem quer desacelerar e ficar mais próximo da natureza antes de subir a Machu Picchu.

As cidades de Urubamba e Ollantaytambo são as mais populares para hospedagem, sendo que a segunda também é ponto de partida dos trens para Águas Calientes. O Tambo del Inka, em Urubamba, é uma opção luxuosa com spa e acesso direto à estação de trem. Já o El Albergue, em Ollantaytambo, é uma charmosa hospedaria dentro da própria estação, perfeita para quem quer sair cedo rumo à cidade sagrada. Outra opção em Ollantaytambo é o Belmond Hotel Rio Sagrado, um retiro de luxo que mistura design local com conforto sofisticado.
Em Águas Calientes, você estará literalmente aos pés de Machu Picchu. A vila é pequena, mas oferece boa estrutura para quem deseja pernoitar e subir bem cedo até o sítio arqueológico. O Inkaterra Machu Picchu Pueblo Hotel é considerado o melhor para quem não abre mão do conforto, e conta com trilhas internas, spa e restaurante próprio. Já o El MaPi by Inkaterra combina praticidade com um toque moderno, e o Sumaq Machu Picchu Hotel se destaca pelo serviço personalizado e gastronomia andina de alto nível.
Para quem busca algo único, também é possível se hospedar no Belmond Sanctuary Lodge, o único hotel ao lado da entrada de Machu Picchu. Embora mais caro, ele permite que visitantes ingressem nas ruínas pela manhã, uma vantagem e tanto para quem quer viver a experiência com mais luxo e exclusividade.
Não é exagero dizer que Lima é um dos melhores destinos gastronômicos do mundo. A cidade une ingredientes únicos do Peru com técnicas inovadoras, tradição e ousadia. Entre barracas de mercado e menus premiados, o lema é o mesmo: comer bem.
Começando pelo topo, temos o célebre Central, eleito diversas vezes como o melhor restaurante da América Latina e número 1 do mundo em 2023. Comandado por Virgilio Martínez, ele propõe uma expedição pelas altitudes do Peru, em pratos que parecem obras de arte. Por lá, o menu degustação sai a 1.045 soles peruanos, aproximadamente R$ 1.641, e é preciso reservar com bastante antecedência.
Estrela do momento, o Maido, do chef Mitsuharu Tsumura, foi eleito o melhor restaurante do mundo em 2025 pelo The World’s 50 Best Restaurants. De frente com o menu, logo se entende o porquê: trata-se de um exemplo responsável da cozinha Nikkei, que funde elementos japoneses e peruanos. Seu menu degustação, a 730 soles (cerca de R$ 1.146) é criativo, preciso e contemporâneo.

Outro destaque é o novato Kjolle, da chef Pía León (ex-Central), que cria pratos autorais com ingredientes andinos pouco explorados, em um ambiente leve e contemporâneo. Já o Mayta, do chef Jaime Pesaque, é novo queridinho de quem curte ambiente descolado com alta cozinha, e oferece um menu degustação simplesmente imperdível.
O clássico Astrid y Gastón, do chef Gastón Acurio, foi eleito o melhor da América Latina por anos, consecutivamente. Hoje, ele continua sendo parada obrigatória para conhecer a cozinha andina com sofisticação e muito sabor.
Mas nem só de alta gastronomia vive Lima. Para um ceviche autêntico, experimente os restaurantes La Mar e o El Mercado. E para uma comida tradicionalmente Limeña não deixe de ir ao Isolina, em Barranco.
Na rota de Machu Picchu, a gastronomia ganha destaque principalmente por seus ingredientes locais e ambientes imersos na cultura andina.
Em Cusco, comece pelo imperdível Cicciolina, um dos restaurantes mais procurados da cidade, com pratos que misturam cozinha internacional com insumos peruanos. O MAP Café, dentro do Museu de Arte Pré-Colombiana, impressiona pelo cenário imersivo.
Já o Chicha, também do chef Gastón Acurio, leva um toque mais descontraído e moderno, valorizando ingredientes locais como milho roxo, quinoa e alpaca. Se preferir algo mais informal, o Green Point é uma opção vegana assertiva.
No Vale Sagrado, muitos hotéis oferecem experiências gastronômicas exclusivas, como o El Huerto, restaurante do Belmond Hotel Rio Sagrado, por exemplo, com pratos orgânicos e vista para o rio Urubamba. Outro destaque é o MIL, restaurante de Virgilio Martínez (do Central), localizado em Moray.
Apesar de ser uma vila pequena e turística, Águas Calientes também surpreende com boas opções. O Indio Feliz é um bistrô franco-peruano com pratos fartos e ambiente cheio de personalidade. Já o Toto’s House, por outro lado, tem uma bela vista do rio e serve desde carnes a pratos típicos como ají de gallina e trucha andina. Outra boa opção para experimentar a culinária peruana é o festival Mistura.
Com um roteiro repleto de gastronomia de alto nível, arte urbana, história colonial e drinks com vista para o mar, Lima agrada para uma viagem confortável e cosmopolita – e talvez seja um dos, senão o melhor destino para foodies latinos.
Machu Picchu, por sua vez, é a garantia de uma viagem sem paralelo no mundo. Reunindo história ancestral, espiritualidade, aventura e natureza, ela também é feita sob medida hoje, entrando até mesmo no roteiro de quem não abre mão do conforto.
Nesse caso, porém, dividir o tempo entre os dois destinos não é só um luxo: é também o recomendável. Isso porque eles ficam relativamente próximos, com um voo de aproximadamente 1h30 entre Lima e Cusco. Em uma consulta para outubro/2025, por exemplo, ida e volta saem a partir de R$ 368. Um planejamento simples basta para encaixar dois universos de um rico destino latino em uma mesma viagem.
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