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Estudo da plataforma de comparação de seguros de viagem iSelect avalia critérios como atrasos e cancelamentos de voos, bem como tempo de espera para o check-in, controle de segurança, imigração, alfândega, e restituição de bagagem

Viajar para fora do país é bom, mas antes de chegar ao destino planejado, os procedimentos de aeroporto são obstáculos inevitáveis e, possivelmente, estressantes. Um estudo recente da plataforma de comparação de seguros de viagem iSelect, ranqueou os hubs mais estressantes do mundo. No topo, estão estabelecimentos de países comumente visitados pelos brasileiros: Estados Unidos e Portugal.
O 1º lugar focou com o Aeroporto Internacional de Newark, em Nova Jersey. Já na 2ª colocação, figura o Aeroporto Humberto Delgado, também conhecido como Aeroporto de Lisboa.
O estudo avaliou 50 grandes hubs globais, a partir de critérios estressantes comuns. Dentre eles, atrasos e cancelamentos de voos, facilidade de acesso ao aeroporto, bem como tempo de espera para o check-in, controle de segurança, imigração, alfândega, e restituição de bagagem.
“[A lista] foi elaborada para ajudar os viajantes a identificar e se preparar com antecedência para uma viagem sem estresse”, afirma a empresa.
O ranking da iSelect é construído a partir de um “índice de estresse”. Ele combina dados operacionais (atrasos, cancelamentos) e avaliações de experiência do passageiro (check-in, segurança, imigração, bagagem e acessibilidade).
O cálculo do indicador se dá por meio da soma do desempenho do aeroporto em cada critério. Todos são convertidos para a mesma escala de 0 a 100, até chegar a uma única pontuação final, que é a nota geral no índice.
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Cada critério tem sua própria pontuação, em geral, expressa como porcentagem de avaliações positivas ou desempenho relativo). Elas, depois, são agregadas em um valor único que classifica o aeroporto em relação aos demais analisados.
A plataforma divulgou publicamente o topo e a base do ranking. Ou seja, as primeiras cinco posições (que causam mais estresse) e as três últimas (as menos desgastantes).
Confira, a seguir, os destaques negativos da avaliação de cada hub.
Com uma avaliação de 18,46 pontos, o hub localizado em Jersey City apresentou o pior desempenho no check-in entre todos os analisados. Uma parcela de 77% dos avaliadores considerou o processo de atendimento nesta etapa satisfatório. Essa foi a menor quantidade quando comparada aos outros. O aeroporto também registrou o segundo pior resultado em facilidade de acesso, com 74% de avaliações positivas.
Newark também figurou entre os piores no controle de segurança (70%), e teve o pior score em tempo de espera na alfândega e imigração (66%). Quem desembarca no aeroporto também pode enfrentar longa espera para receber a bagagem. O hub ficou com o terceiro pior resultado nesse critério (71%).
Além disso, o Newark Liberty International Airport teve desempenho negativo em termos de pontualidade e cancelamentos de voos. No último ano, o atraso médio nas partidas foi de 21,40 minutos, e a taxa de cancelamentos chegou a 1,43%.
Em 2025, um estudo de satisfação da J.D. Power também colocou Newark em último lugar entre os megaaeroportos norte‑americanos.
De acordo com a Forbes, no último ano, o hub passou por uma sequência de ground stops, ou seja, paralisações temporárias de pousos e decolagens. Eles estiveram associados a falhas de equipamento, bem como obras de pista e falta de controladores. Consequentemente, centenas de voos foram atrasados ou cancelados, principalmente em alguns dias em agosto e outubro.

Companhias como a United, segundo a Reuters, reduziram voos em maio. A medida veio somada a alegações de que, a estrutura atual do aeroporto não consegue lidar com o volume de operações planejado.
Já a CNBC relatou, no mesmo mês, que controladores de tráfego aéreo e supervisores ligados ao centro que atendem o hub denunciaram publicamente falhas de tecnologia e comunicação recorrentes. Dentre elas, perda temporária do radar e rádio com aeronaves que se aproximam do aeroporto.
Em outubro deste ano, todavia, o aeroporto anunciou investimentos bilionários em um plano de plano de renovação, de acordo com a NBC New York. Parece que há, pelo menos, uma tentativa de reverter o cenário.
O Aeroporto Humberto Delgado, na capital portuguesa, ficou em segundo lugar entre os mais estressantes do índice, com 22,51 pontos.
O hub apresentou o maior tempo médio de atraso nas partidas entre todos os aeroportos analisados, com 27,39 minutos no último ano. Também teve uma taxa de cancelamentos de voos de 1,49%, a terceira pior taxa do ranking.

Já quando se trata dos procedimentos pré-embarque, o check-in foi outro destaque negativo, com 79% de avaliações positivas, segunda pior porcentagem na lista.
Por outro lado, entre os cinco primeiros colocados do ranking mais estressantes, o aeroporto em Lisboa obteve o melhor resultado em facilidade de acesso entre os cinco primeiros colocados do ranking, com 84%.
Mesmo assim, “esse fator pode representar apenas um pequeno alívio diante do que tende a ser uma experiência de viagem estressante”, descreve a iSelect.
O Aeroporto Humberto Delgado também foi destaque negativo em um outro estudo, com base em dados de pontualidade da Eurocontrol, que o classificou como o 2º aeroporto mais estressante da Europa.
Segundo o The Portugal News, o própria gestora ANA Aeroportos de Portugal, reconheceu em outubro deste ano “problemas operacionais” e “enormes problemas com tempos de espera”, em particular nas filas de raio‑X e controle de segurança, admitindo necessidade de rever o padrão de qualidade de serviço.

No mesmo mês, o portal The Resident relatou filas de espera de 90 minutos para passageiros de países que que não fazem parte do Espaço Schengen — o Brasil é um deles.
Entre os esforços para combater a situação, está uma "força-tarefa" composta pelo Ministério da Administração Interna, pela AIMA (Agência para o Transporte Rodoviário Internacional) e pelo Ministério da Infraestrutura.
O objetivo é reforçar o número de portões eletrônicos e de pessoal responsável pelo controle de passaportes. O plano foi relatado ao The Portugal News pelo subdiretor nacional da Polícia de Segurança Pública de Portugal, João Ribeiro.
O Reino Unido também está representado no grupo dos aeroportos mais estressantes do mundo pelo Aeroporto de Manchester, no Reino Unido, que ficou em 3º lugar (23.10 pontos).
A percepção dos passageiros sobre a retirada de bagagem foi a pior de todo o índice, com 69% de satisfação nesse quesito. A mesma porcentagem foi observada em relação ao tempo de espera para passar pelo controle de segurança.

Na 4ª posição está, novamente os Estados Unidos, com o Aeroporto Internacional John F. Kennedy (26,83 pontos). O hub, segundo a plataforma, é uma alternativa ao Newark para muitos viajantes com destino a Nova York.
O JFK apresentou taxa relativamente baixa de cancelamentos, de 0,91%, além de uma avaliação de 74% na satisfação com a retirada de bagagem, de acordo com os próprios passageiros. No entanto, como ainda está entre os top 5 do ranking, quem for à cidade dos arranha-céus, parece que não terá muito como fugir do estresse.
Completa o topo da lista mais um representante norte-americano: o Aeroporto Internacional Chicago O’Hare (31,01 pontos). O hub ficou com o terceiro pior desempenho em relação a imigração e alfândega, com 70% de satisfação relatada pelos passageiros.
O destaque mais positivo do estabelecimento ficou para a espera para o check-in. Este indicativo recebeu a melhor avaliação do grupo dos cinco, com 81% de satisfação.
Embora o foco do ranking da iSelect seja os aeroportos mais estressantes, fica a curiosidade sobre quais ocupam os (positivos) últimos lugares desse ranking nada favorável.
De acordo com o índice, os aeroportos asiáticos se destacam como os menos estressantes. O hub com a experiência mais tranquila entre os avaliados foi o Aeroporto de Changi, em Singapura. Sua pontuação foi de 82,07 de 100.

O estabelecimento alcançou as melhores avaliações em imigração e alfândega (92%), controle de segurança (92%), tempo de espera para realizar o check-in (93%) e facilidade de acesso ao aeroporto (94%). Além disso, apresentou a segunda menor taxa de cancelamento de voos, com média de 0,19% no último ano.
Já o Aeroporto Internacional Hamad (75,89 pontos), em Doha, no Qatar, que ocupa o penúltimo lugar na lista, obteve o melhor desempenho na retirada de bagagem, com 93% de aprovação. O hub também se destacou pela qualidade das conexões de transporte até o aeroporto, com 94% de satisfação.
Por fim, o Aeroporto Internacional de Incheon (72,61 pontos), em Seul, na Coreia do Sul, foi o melhor avaliado em taxa de cancelamentos. O estabelecimento registrou apenas 0,15% de voos cancelados no último ano.
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