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Altas expectativas rodeiam a reabertura de um dos espaços artísticos parisienses que sempre teve curadoria original e fora dos eixos clássicos da arte europeia
Quem caminha por Paris pode imaginar que a entrega de um edifício é só mais dia na rotina da cidade. Vive-se, afinal, um aparente auge na construção civil por lá. Mas esse não é o caso do endereço na 2, place du Palais-Royal. Ali, a obra em questão deu espaço a uma recém (re)inaugurada Fondation Cartier pour l’art contemporain.
Nem mesmo os mais desatentos passam imunes ao suntuoso prédio. E há motivos para tal.
Primeiramente, pela localização. Ele fica ao lado do museu mais visitado do mundo, o Louvre; a poucos passos da hypada Bourse de Commerce (pertencente ao grupo Kering) e dos Jardins do Palais-Royal (parque diminuto e fotogênico que já foi cenário para Emily em Paris).
Em segundo lugar, pelo ambicioso projeto de Jean Nouvel, arquiteto que já havia idealizado a antiga sede da instituição, na Boulevard Raspail.
É certo que os 8.500 metros quadrados ainda são diminutos se comparados com o vizinho colossal que abriga a Mona Lisa. Mas é em uma inovação engenhosa que foge totalmente do classicismo do Louvre que a Fondation deixa a sua marca. Estamos falando das plataformas móveis no interior do edifício que permitem a constante reconfiguração de seus andares.
Por fora estamos falando de um prédio com arquitetura haussmaniana — estilo clássico que transformou o urbanismo da capital francesa no século 19. Por dentro, porém, Nouvel fez questão de trazer toda a contemporaneidade que acompanha o nome da instituição. Mais do que um capricho estético, as plataformas são também um instrumento intrínseco à curadoria das exposições.
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Se ninguém se banha no mesmo rio duas vezes, então também ninguém visita a Fundação Cartier duas vezes da mesma maneira.
As amplas janelas permitem que quem caminha do lado de fora, no agitado e turístico 1º arrondissement, possa espiar as obras de dentro. E, quem sabe, reconhecer alguns brasileiros.

Isso porque, entre os trabalhos expostos (apenas 25% da coleção está exposta, segundo guias da Fondation) de artistas das mais diversas nacionalidades, salta aos olhos a presença brasileira.
As fotografias dos Yanomami produzidas por Claudia Andujar, a imponente Terra Maravilhosa (2023) de Bruno Novelli e os trabalhos de Solange Pessoa se juntam à retratos comissionados pela Fondation. E não são quaisquer obras, mas sim o de brasileiras como Adriana Varejão e Beatriz Milhazes, presenças cativas no acervo.

Poucas semanas após a reabertura, o evento que estreou o auditório foi dedicado à fotografia latinoamericana, falando sobre Andujar e sobre a mexicana Graciela Iturbide. Um dos convidados foi o curador brasileiro Thyago Nogueira, responsável por fazer a exposição A Luta Yanomami rodar o mundo (incluindo uma passagem pela Fondation em 2020, no antigo prédio).
A temporada parisiense da mostra não foi uma conquista trivial. “Eu passei muitos anos indo para Paris e falando dos fotógrafos brasileiros, completamente ignorado pelos grandes museus europeus. Demorou muitos anos até conseguir realmente levar uma exposição brasileira dessa escala para fora”, comenta Nogueira.
Entre os fatores que ajudaram a difusão internacional, está o histórico do museu com Andujar, com quem mantém relações desde 2003. Além disso, o ótimo momento diplomático vivido entre o Brasil e a França também tem causado uma certa “invasão” de brasilidade no outro lado do Atlântico. Simultaneamente à Exposition Générale da Fondation, o Musée Jacques-Branly, nas bordas do Sena, apresenta Amazônia.

Essa aposta da Fondation em produção artística brasileira mostra também o lado disruptivo da instituição, que se tornou um marco nesses 40 anos de história. Antes mesmo do chamado Brazil core virar moda e das Havaianas se tornarem o item mais desejado do mundo, o acervo já estava repleto de brasileiros, considerados fora do eixo clássico de arte.
“No cenário francês, a Fundação se destacou como um lugar muito original, enquanto as outras instituições sempre foram mais caretas, mais conservadoras no seu entendimento da construção artística. Ela tem uma longa história de tentativa de se abrir para outras geografias e acho que estão certos em reforçar essa dimensão mais diversa na abertura da exposição”, comenta Nogueira.
A dúvida que resta diante desse novo momento da Fundação Cartier, inserida em um dos lugares mais turísticos de Paris e rodeada de museus tradicionais, é se o reposicionamento vai se refletir também na curadoria.
Em outras palavras: estamos diante de um novo mainstream ou a Fundação Cartier vai continuar trazendo o toque de frescor necessário à cena artística europeia?

O que já se pode afirmar é que, com a nova localização e o prédio significativamente maior, o museu quer atingir mais pessoas.
Embora não tenha uma meta de público definida pela Cartier, conforme afirmou o diretor Chris Dercon para as mídias francesas, a expectativa é que o público aumente – nem que seja pela pura e simples visibilidade do museu, que vai atrair mais a curiosidade dos turistas acostumados a fazer o roteiro clássico.
Dercon, inclusive, afirmou que não vê concorrência com os vizinhos. “Tenho certeza de que muitos visitantes aproveitarão sua visita ao Louvre para vir aqui e seguir até a Bourse de Commerce, pois é um passeio muito agradável de apenas cinco minutos a pé. Não vejo ninguém como concorrente”, afirmou ao jornal Libération.

Na cena artística, a preocupação é se o museu vai aproveitar os novos metros quadrados conquistados para se render às exposições blockbuster, visando atrair grandes públicos a todo custo.
De acordo com Thyago Nogueira, “é uma pena quando as instituições de arte não se arriscam mais nos seus projetos e investem só do que está garantido como sucesso de bilheteria, porque a arte toda se empobrece com isso”.
Pelo menos nesse momento, quem visitar a Exposition Générale, em cartaz até o dia 23 de agosto de 2026, não vai encontrar algo muito dentro do senso comum e nenhuma obra “viral” nas redes sociais. E definitivamente não encontrará o mesmo estilo de arte da vizinhança.
Dividida em quatro eixos temáticos, a mostra de reinauguração da Fundação não é exatamente fácil de apreciar para quem não está acostumado com arte contemporânea — ou para quem o referencial estético repousa nos vizinhos do Louvre.

Para facilitar essa exploração pelo acervo, visitas guiadas rápidas e gratuitas pelos andares são organizadas a cada uma hora, em francês. Uma sessão mais longa e paga (chamada La grande visite), em inglês, é realizada toda sexta-feira, às 18h. Os ingressos estão todos esgotados até o começo de 2026.
2, place du Palais-Royal — 1º Arrondissement, Paris
Ingressos: 15 euros (R$ 92).
Ingressos para La Grande Visite: 20 euros (R$ 123).
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