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Pichaya “Pam” Soontornyanakij, ou simplesmente Chef Pam, a melhor chef mulher do mundo em 2025, nos conduz pela gastronomia e pelos contrastes vibrantes da Tailândia

Se Bangkok fosse um prato, teria o frescor de ervas tailandesas, a intensidade de temperos chineses, o caos encantador das ruas e o luxo dos shoppings com ar-condicionado glacial. Isso além de uma dose generosa de irreverência, criatividade e tradição. Exatamente, portanto, como a cozinha de Pichaya “Pam” Soontornyanakij, ou simplesmente Chef Pam, eleita a melhor chef mulher do mundo em 2025 pela prestigiada lista The World’s 50 Best Restaurants.
A cerimônia oficial com os 50 melhores restaurantes acontece dia 19 de junho, em Turim, na Itália. Por lá, não apenas os melhores nomes da alta gastronomia mundial devem ser reconhecidos, mas também alguns espaços, como a Tailândia, que provavelmente aparecerá como epicentro da cozinha contemporânea no Sudeste Asiático.
Pam comanda o restaurante POTONG, em pleno coração de Chinatown, num edifício de quatro andares que um dia foi a farmácia de seu avô. Nada ali é por acaso. Atualmente, o espaço mantém as vitrines originais, agora cheias de infusões e destilados criados pela própria chef.

As escadas são estreitas e o clima é quase cinematográfico: a cada andar, mergulha-se não só em uma experiência culinária, mas na história pessoal da chef, que entrelaça tradição chinesa, cultura tailandesa e identidade contemporânea.
O salão do restaurante ocupa dois andares com uma estética minimalista de inspiração oriental. O menu degustação é apresentado em cartas ilustradas desenhadas por Pam, que contam suas histórias — da infância, das técnicas herdadas, da ancestralidade. Cada prato é uma narrativa em si.
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O menu de 12 cursos sai a 6.300 thai bahts (aproximadamente R$ 1.070). Nessa temporada ele se chama "revolution" e inclui opções como vieira ao molho satay e brioche, pato maturado por 14 dias e robalo atlântico ao beurre blanc. A ideia é usar cinco elementos para despertar cinco sentidos diferentes.
No terceiro andar, encontra-se o premiado Opium Bar, instalado no antigo laboratório onde seu avô manipulava ópio para fins medicinais. Já no rooftop, um lounge sofisticado convida à contemplação urbana com coquetéis autorais e vista para o caos organizado da cidade.
Do topo do mundo às vielas de Chinatown, nossa passagem por Bangkok teve o privilégio de uma guia para lá de especial: a própria Chef Pam, que nos conduziu para além de seu universo estrelado em direção ao mundo real da Tailândia.
Bangkok é feita de extremos. O trânsito beira o insuportável, o calor é uma experiência física, e o luxo dos shoppings e supermercados de alto padrão é quase surreal. Mas essa é a graça da cidade: uma metrópole onde é possível comer uma ostra gigante grelhada na rua por menos de R$ 10 ou tomar um martini em um bar premiado entre os melhores do planeta.
Por lá, nossa primeira parada foi na Sai Nam Phueng Noodle Shop, uma casa de ramen onde uma família trabalha há mais de 60 anos. Ao lado? Um centro de massagem tailandesa, onde 90 minutos de puro alívio custam menos de R$ 60.

Pam também nos levou ao mercado que frequenta semanalmente — uma profusão de cheiros, texturas e sorrisos, mais ou menos tímidos, como o dela própria — onde almoça com a família e garimpa ingredientes com o mesmo cuidado de quem escreve um poema.
Embaixadora e entusiasta da cultura local, a chef ainda é amiga e aliada de outro nome lendário da cena gastronômica tailandesa: Gaggan Anand, o irreverente chef indiano que comanda o icônico Gaggan, eleito este ano o melhor restaurante da Ásia.

Conduzidos até lá, conferimos de perto seu novo formato: um verdadeiro rock show, mas em uma bancada em formato de “U” para apenas 14 pessoas por noite, com pratos que cruzam Índia e Tailândia numa sinfonia vibrante, embalada ao som de... Foo Fighters. Sim, Dave Grohl e outros roqueiros são presença garantida no sistema de som, e o hit “Firestarter” é, portanto, apenas a trilha de abertura do espetáculo, que une teatralidade e rebeldia ao preparo.
De fato, doce, salgado, azedo e amargo são tratados como uma banda no menu de 22 cursos que varia conforme a noite e os ingredientes. Em comum, o senso da mesa comunitária, a experiência que convida a pegar com a mão, lamber a louça e comer com vontade – tudo, porém, perfeitamente calculado pelo chef. Nesse sentido, talvez a refeição fique entre um show e uma ópera comandada por Gaggan. O tíquete do concerto? 16 mil thai bahts, ou R$ 2.720.
Para quem busca o lado mais sereno e elegante da cena de fine dining em Bangkok, o Sühring é um verdadeiro oásis, ainda que em meio ao caos urbano. Localizado em uma charmosa casa envidraçada no meio de um jardim exuberante, o restaurante dos irmãos gêmeos alemães Thomas e Mathias Sühring é um mergulho em sofisticação e precisão.

O ambiente, banhado de luz natural, transmite paz, como se o tempo passasse mais devagar entre uma louça artesanal e outra. A cozinha é europeia com sotaque asiático e vem expressa em um menu de oito pratos. Pense, portanto, em uma lagosta com uma espécie de caqui e avelã, ou no pato preparado com beterraba e café. Na opção mais completa, o menu sai a 9.800 thai bahts (ou R$ 1.665).
O equilíbrio entre técnica alemã e ingredientes locais é fascinante e celebra a infância, a memória e a inovação. Uma antítese do caos da cidade e, justamente por isso, imperdível.
Não é exagero dizer que Bangkok é hoje um dos melhores lugares do mundo para beber bem. A cidade abriga vários bares premiados entre os 50 Best Bars, cada um com propostas distintas e ousadas. E não estamos falando só de vistas bonitas, mas de experiências sensoriais autênticas.
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