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Convidamos os curadores da edição 2025 do C6 Fest para eleger os cinco shows mais aguardados entre a programação do evento, que acontece dias dias 24 e 25 de maio no Parque Ibirapuera, São Paulo
Parecia improvável. O anúncio do line-up do primeiro C6 Fest, em 2023, era distante demais até para o mais esperançoso fã de jazz e de rock alternativo. Kraftwerk, Underworld, Arlo Parks e outros nomes que pareciam distantes de um festival daquele Brasil da retomada dos palcos, tão afeito a hits do pop.
Aí eles fizeram. E fizeram de novo. E, agora, de novo: em 2025 o festival regressa para sua terceira edição com um novo line-up improvável. Wilco, Air, Pretenders, Perfume Genius, Gossip e Beach Waters estão entre os convidados que se apresentam no fim do mês no Parque Ibirapuera, em São Paulo.
Expoentes em seus segmentos, os artistas e bandas são alguns dos representantes da vanguarda da música criativa no cenário mundial, vários deles vindo pela primeira vez ao Brasil, explica o curador Pedro Albuquerque ao Seu Dinheiro.
Ao lado de Lourenço Rebetez, Pedro é responsável pela seleção de jazz do evento, enquanto Hermano Vianna e Ronaldo Lemos ficam com a seleção dos palcos externos do evento.
Juntos, os quatro reuniram talentos dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Índia, Paquistão, Etiópia e Gana, além do Brasil. Nos próximos dias 24 e 25 de maio as atrações se revezam nos quatro palcos do evento: a Tenda, dedicada à música contemporânea; a Arena Heineken, plateia externa do Auditório Ibirapuera; o próprio palco interno do Auditório Ibirapuera, voltado ao jazz contemporâneo; e o Pacubra – Pavilhão das Culturas Brasileiras, com line-up de DJs e o ponto de encontro do público no festival.
O Seu Dinheiro convidou Hermano Vianna e Pedro Albuquerque para elencarem cinco destaques entre os talentos da edição 2025. A dupla topou a tarefa, selecionando os shows imperdíveis da edição.
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AIR, por Hermano Vianna

Imperdível. O Air vai tocar ao vivo a íntegra de seu disco Moon Safari, clássico que abriu novos caminhos para a música eletrônica e todo o pop mundial. O som é acompanhado por novos visuais que a manchete do jornal inglês The Guardian decretou que é para deixar todos os nossos “queixos caídos”.
No Ibirapuera, isso tudo vai ser projetado também no paredão da arquitetura de Oscar Niemeyer. Certamente: acontecimento para entrar para a lista dos momentos mais belos do (pós-)modernismo.
A.G. COOK, por Hermano Vianna

Muito provavelmente, A. G. Cook é o principal responsável pela invenção do único novo gênero musical realmente popular do século 21. Na sua gravadora, a PC Music, fundada em 2013, ele desenvolveu o que hoje chamamos de hyperpop. Na verdade, é a sonoridade dançante da digitalização da cultura pop, com elementos de todos os outros estilos misturados de formas mutantes, sempre surpreendentes.
No ano passado, o trabalho de A. G. Cook conquistou todas as paradas de sucesso, principalmente com suas produções para Charli XCX, sua parceira de primeira hora. Muito mais vem por aí: no festival, A. G. Cook nos transportará para o futuro da música pós-inteligência artificial.
NILE RODGERS & CHIC, por Hermano Vianna

No domingo, o Parque do Ibirapuera vai se transformar num grande baile. O Chic promete não deixar ninguém parado com o desfile dos melhores clássicos que transformaram a disco music em febre dançante global até hoje.
O esquenta do “freak out!” será comandado pelo “baile à la baiana” de Seu Jorge, e todo mundo ainda pode se esbaldar com o set house do DJ Marky na pista de dança montada no Pacubra. É bom preparar o corpo para a maratona de requebrado.
AROOJ AFTAB, por Pedro Albuquerque

Na primeira noite, teremos uma legítima spiritual jazz night, com três artistas que despertam os sentidos de maneira profunda, através da transcendência e espiritualidade de sua música explorando sobremaneira a riqueza de suas raízes ancestrais e a riqueza de suas identidades culturais históricas.
Uma dessas artistas, considerada uma das revelações mais originais atualmente é a paquistanesa Arooj Aftab, que tem sido presença certa no circuito dos grandes festivais de música como Newport Jazz Festival, Glastonbury, Coachella, entre tantos.
Suas composições falam de amor e perda, nos transportam a paisagens sonoras melancólicas, influenciadas pela poesia secular asiática. Ela bebe na fonte das tradições, mas constrói sua obra sem se prender a clichês, extraindo assim a essência atemporal que lhe confere uma assinatura única.
Suas apresentações são uma experiência quase hipnótica, onde sua voz, de intensidade e potência igualmente suave e serena é o instrumento principal. Transitando entre o folk e o jazz, o minimalismo e a new age, o indie pop e o blues, Arooj fechará com chave de ouro uma noite mágica.
KASSA OVERALL, por Pedro Albuquerque

Uma das marcas de nosso line up acredito que seja, além de tentar dar um breve panorama da cena contemporânea do mundo, a busca do equilíbrio entre artistas consagrados e jovens talentos. E essa tarefa fica ligeiramente mais tranquila quando temos nomes que fazem a transição entre tradição e modernidade de maneira tão sutil e competente, como por exemplo Kassa Overall. O baterista, M.C., cantor e produtor dividirá nossa segunda noite de jazz com Meshell Ndegeocello e o também baterista Brian Blade, talvez um dos maiores nomes vivos do instrumento.
Com uma linguagem inovadora e ousada, Kassa tem se destacado ao explorar de forma original as fronteiras entre o jazz e o hip hop, já tão anteriormente trabalhadas.
Como instrumentista virtuoso e bastante requisitado, tendo como mentores os grandes Elvin Jones e Billy Hart, ele mescla a prática da improvisação de vanguarda com técnicas de produção de hip hop o que confere a sua música essa fluidez entre o novo e o antigo, com propostas harmônicas e melódicas instigantes.
Será muito interessante ter na mesma noite duas gerações de bateristas, de sonoridades diferentes, mas fiéis a suas origens, ambos reforçando o poder e a história dos grandes nomes e apontando novos caminhos sempre.
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Ingressos do C6 Fest saem a partir de R$ 272 e podem ser encontrados no site do festival.
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