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Mudança na taxa de juros é oportunidade para revisitar a carteira de investimentos e fazer ajustes para melhor alocação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou na quarta-feira (18) o aumento da taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto porcentual, para 15% ao ano. Com isso, a tendência é de que os rendimentos da renda fixa aumentem junto com os juros.
Com os níveis atuais, é unanimidade que a aplicação em títulos como LCI e LCA — ainda isentos de Imposto de Renda —, CDBs ou o Tesouro Direto seguem sendo a preferência dos brasileiros, devido ao baixo risco e ao alto retorno.
Caio Camargo, estrategista de investimentos do Santander, afirma que a renda fixa deve compor todas as carteiras, independentemente dos perfis.
"Recomendamos a renda fixa em todas as carteiras e em todos os perfis. Estamos num momento mais otimista em relação à renda variável internacional, mas ainda com bastante cautela. Temos um cenário ainda incerto, tanto no curto quanto no médio prazo, tanto no Brasil quanto no mundo." afirma Camargo.
Gustavo Okuyama, especialista em renda fixa da Porto Asset, ressalta as vantagens deste mercado frente ao de ações, especialmente em períodos de desaceleração econômica, que é o esperado para o país nos próximos meses.
Okuyama argumenta que, em conjunturas como a atual, a renda fixa se apresenta como uma alternativa mais segura.
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A XP Investimentos simulou quanto rende uma aplicação de R$ 10 mil com a Selic em 15% ao ano. Veja os valores:
| Período de aplicação | Poupança | Tesouro Selic 2031* | CDB (100% do CDI) | LCI e LCA (90% do CDI)** |
|---|---|---|---|---|
| 3 meses | R$ 10.177,42 | R$ 10.255,93 | R$ 10.260,57 | não se aplica |
| 1 ano | R$ 10.728,79 | R$ 11.161,19 | R$ 11.166,70 | R$ 11.312,63 |
| 2 anos | R$ 11.510,70 | R$ 12.676,88 | R$ 12.678,50 | R$ 12.816,85 |
| 3 anos | R$ 12.349,59 | R$ 14.349,60 | R$ 14.344,09 | R$ 14.535,59 |
| 4 anos | R$ 13.249,62 | R$ 16.251,29 | R$ 16.233,48 | R$ 16.460,13 |
| 5 anos | R$ 14.298,82 | R$ 18.655,31 | R$ 18.616,41 | R$ 18.854,80 |
A simulação considerou uma aplicação inicial em 20 de junho, com a Selic fixada em 15% ao ano por todo o período, e com o Tesouro Selic e CDB já descontados o valor do Imposto de Renda correspondente a cada período de aplicação.
Para Gustavo Harada, executivo responsável pela área de Alocação da Blackbird Investimentos, a Bolsa brasileira ainda está barata e tem muito potencial de valorização, mas não é hora de priorizar a alocação somente em ações.
"Hoje enxergamos uma assimetria grande em relação a algumas avaliações, até por isso que vejo como oportunidade de incremento, de começar a aumentar de leve e aos poucos a exposição em renda variável. Não acho que é o momento também de virar 100% e alocar todo recurso em ações, mas sim um aumento gradual aproveitando essas oportunidades", diz Harada.
Já Okuyama acrescenta que quando se pensa em um horizonte mais de médio e longo prazo, é sempre interessante ter um componente de Bolsa. Para ele, uma porcentagem adequada seria algo entre 5% a 10% dos recursos nesta categoria de investimento.
O estrategista de investimentos do Santander aconselha que, ao colocar recursos em ações, se opte por setores mais defensivos.
"Num primeiro momento, aquelas empresas de setores um pouco mais defensivos, geradoras de caixa, ou do setor de energia, instituições financeiras, isso tende a performar um pouquinho melhor", diz Camargo.
O estrategista de investimentos do Santander afirma que investir no exterior é uma forma interessante de diversificar. Para ele, "é sempre importante diversificar a carteira, não só em termos de ativos, mas estar exposto a uma outra economia".
"Há empresas brasileiras que são grandes exportadoras e, assim, têm receita dolarizada. Então, o investidor pode ter dois caminhos: investir lá fora ou investir nessas empresas que têm fluxo de caixa lá fora", diz Caio Camargo.
Outro ponto destacado pelo estrategista do Santander é aproveitar a depreciação do dólar, que passou de R$ 6,30 para R$ 5,50, e "mandar alguma parcela de recursos 'para fora'".
Ele menciona que uma boa oportunidade de investimento é o setor de tecnologia, como a Nvidia (NVDA34), que surpreendeu em seu último balanço.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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