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Pesquisa do Itaú com o Grupo Consumoteca mostra que o brasileiro traçou novos sonhos e, para alcançá-los, vai ter que falar sobre dinheiro

Uma nova pesquisa do Grupo Consumoteca, em parceria com o Itaú Unibanco, revela que o brasileiro está perdendo o medo de falar de dinheiro. Ainda não está no nível de perguntar “quanto você ganha” no primeiro encontro, como acontece em alguns países, mas dinheiro já é tópico de conversa na mesa do bar com os amigos, e mais ainda — tema de memes na internet.
Parecem mudanças sutis, mas são mais profundas. Resultado de uma evolução cultural e mudanças de comportamento, segundo a pesquisa.
Michel Alcoforado, antropólogo e sócio fundador da Consumoteca, apresentou a pesquisa à imprensa e convidados nesta quarta-feira (22), em São Paulo. Segundo ele, os dados indicam um rompimento de barreira que passa pelas diferentes classes sociais e molda o futuro da sociedade brasileira.
"O dinheiro deixou de ser apenas um instrumento de sobrevivência para se tornar uma ferramenta para viver com mais autonomia, com bem-estar. A nova geração tem por identidade superar as condições financeiras dos pais", diz Alcoforado.
E para alcançar esse objetivo, tópicos sobre finanças, investimentos, dívidas e formas de obter renda deixaram de ser tabu.
Atualmente, 78% dos brasileiros não sentem mais desconforto em falar de dinheiro, diz a pesquisa.
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O estudo “Consciência e prosperidade: a nova relação do brasileiro com o dinheiro”, ouviu cerca de 5 mil brasileiros em 15 estados durante os meses de abril e maio de 2025. Aqui estão os principais resultados.
Segundo Alcoforado, a digitalização dos aplicativos de banco e a disseminação de influenciadores de finanças abriram as portas para o dinheiro entrar nas conversas. Porém, o marco mais significativo dos últimos anos, que escancarou a porteira, foi ele: o Pix.
O sistema de pagamentos instantâneos transformou radicalmente a maneira como o "Brasil real" realiza transações e pensa a vida financeira digitalmente. A revolução da digitalização foi tão grande que, hoje, 83% dos brasileiros já usam o Pix como forma principal de pagamento.
Isso significa que a maior parte da população tem uma conta em banco, tem um aparelho celular e controla suas finanças digitalmente. Até pouco tempo atrás, uma parcela significativa da população usava dinheiro físico e tinha dificuldade de mensurar sua renda mensal, por exemplo.
Mas o uso do Pix foi além da transação financeira e marcou uma mudança de comportamento ao ser introduzido na linguagem do brasileiro. E o papo de dinheiro entrou nessa onda.
A pesquisa da Consumoteca verificou que 41% dos entrevistados já deram Pix como presente, e mais de um quinto da amostra (21%) já usou a ferramenta para mandar mensagens ou fazer brincadeiras.
O "Pix do amor", em que as pessoas enviam um centavo como pretexto para flertar. Ou piadas pedindo “um Pix” para fazer um favor são exemplos de como o sistema de pagamentos entrou na rotina.
E essa capacidade de o dinheiro entrar na nossa "dinâmica cotidiana", como um meio de comunicação, demonstra que ele deixou de ser um mistério para se tornar uma ferramenta fluida e comunicativa na sociedade brasileira.
Com a quebra do tabu, a busca por prosperidade se tornou o novo ideal, substituindo a prioridade de gerações anteriores pela simples estabilidade. E o dinheiro é parte essencial dessa prosperidade.
A pesquisa da Consumoteca mostra que o desejo por bens materiais atualmente é maior do que o sonho de construir uma família, por exemplo. Para 90% dos respondentes, o maior sonho na vida é ter um imóvel próprio. Para 80%, ter um carro, e 67% sonham com “itens de luxo”. Pouco mais da metade (55%), porém, ainda priorizou a família.
Pode parecer negativo, mas o antropólogo acredita que é resultado de o brasileiro assumir o protagonismo de sua vida financeira. Para alcançar esses sonhos, o controle das finanças é parte essencial.
Reserva financeira, aumento de renda, administração do dinheiro, diminuir dívidas, trabalho saudável e evitar golpes são tópicos indicados na pesquisa como formas de se atingir “a prosperidade” — financeira e pessoal.
E a geração Z é a mais preocupada. Trinta e quatro por cento dos nascidos entre 1997 e 2010 que responderam à pesquisa afirmaram que dinheiro é a preocupação “máxima” de suas vidas.
Essa relação entre prosperidade financeira e qualidade de vida é o ponto central da análise para Alcoforado. A ideia de que "se o dinheiro vai bem, a vida vai bem" reflete o novo conceito de bem-estar financeiro, que vai muito além de ser rico ou acumular bens.
Para o brasileiro, o bem-estar financeiro é, fundamentalmente, sobre "não ter o dinheiro como um pilar de estresse nas nossas vidas", diz o antropólogo. Quando o dinheiro deixa de ser um "peso", a possibilidade seguinte é se tornar uma ferramenta de bem-estar e autonomia.
Nesse sentido, a possibilidade de uma boa gestão financeira é vista como um meio não apenas de proteção financeira, mas de estabilidade emocional frente às mudanças constantes do mundo atual.
“No fim, controlar a própria vida financeira se torna uma armadura emocional contra as incertezas do mundo”, diz.
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