Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista

Poucos dias após a Casas Bahia (BHIA3) propor uma mudança de estatuto para se defender de eventuais ofertas “hostis e oportunistas”, um dos acionistas de referência da varejista, Michael Klein, comunicou que pretende assumir outra vez o comando, agora no conselho de administração.
Filho do fundador das Casas Bahia, o empresário pediu a convocação de uma assembleia geral de acionistas (AGE) para propor sua volta como presidente do conselho (chairman).
Vale lembrar que Klein deixou o conselho em 2020, quando a varejista ainda operava sob o nome Via Varejo. Na época, ele foi substituído pelo filho Raphael Klein na presidência do colegiado.
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Procurada pelo Seu Dinheiro, a empresa afirmou que a proposta de pílula de veneno não tem relação com a movimentação de Klein, mas sim "se trata de um tema relacionado à composição do conselho de administração, prerrogativa dos acionistas, conforme previsto na legislação e nas melhores práticas de governança corporativa".
"O assunto não tem qualquer impacto na gestão executiva ou na condução do Plano de Transformação da companhia, que segue em plena execução, com foco em disciplina financeira, eficiência operacional e crescimento sustentável", escreveu, em nota.
As ações da Casas Bahia (BHIA3) operam em forte alta nesta terça-feira (1). Por volta das 11h35, os papéis subiam 7,12%, negociados a R$ 9,63. No acumulado de um mês, a varejista já acumula valorização da ordem de 250%.
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As mudanças propostas por Michael Klein
Entre as propostas de Michael Klein, está a destituição de dois membros atuais do conselho da Casas Bahia (BHIA3).
São eles Renato Carvalho do Nascimento, o atual presidente do colegiado, e Rogério Paulo Calderón Peres, que ocupa a posição de conselheiro independente da varejista.
O empresário também colocou em discussão a eleição de Luiz Carlos Nannini como membro independente do conselho. Nannini hoje atua como membro de comitês de auditoria de empresas como Santander, Grupo Aegea, Eucatex e Grupo Fleury.
Nessa estrutura, o conselho de administração da Casas Bahia permaneceria com a mesma estrutura, composto por cinco membros, sendo dois independentes, com mandato unificado de dois anos.
De acordo com o comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o pedido de substituição parcial de membros do conselho consiste em “mero exercício do direito dos acionistas MK, de propor mudanças na administração da companhia”.
O grupo “acionistas MK” descreve a participação do empresário na companhia. Junto à CB Autos Participações e ao fundo de investimento TWINSF, Klein detém cerca de 9,49% do capital social total da Casas Bahia.
Segundo fontes informaram ao Pipeline, Klein esteve por trás de parte da ala compradora das ações BHIA3 no mercado na última semana, adquirindo cerca de 1% de participação adicional na varejista. O empresário também teria conversado com outros acionistas, para somar cerca de 30% em votos.
Segundo a carta enviada à Casas Bahia, Klein acredita que as mudanças propostas, se aprovadas, “abrirão espaço para que sejam dadas novas, relevantes e valiosas contribuições para o planejamento estratégico da companhia, em busca da retomada da rota de crescimento de seus negócios e geração de valor aos seus acionistas”.
Ao mesmo tempo, como a proposta prevê a preservação de parte da atual gestão, garantiria “a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos meses, sem causar movimentos disruptivos”.
O Grupo Casas Bahia afirma que o pedido está em análise pelos seus órgãos competentes e, uma vez cumpridos os requisitos aplicáveis, a companhia convocará a AGE, dentro do prazo legal.
A pílula de veneno da Casas Bahia (BHIA3)
Em meio à disparada das ações na bolsa brasileira em março, a Casas Bahia (BHIA3) propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill (pílula de veneno).
O mecanismo obriga o lançamento de oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações dos minoritários sempre que um investidor adquirir uma participação igual ou superior a 20% dos papéis BHIA3 emitidos.
A proposta deve ser discutida na assembleia geral extraordinária (AGE) marcada para 30 de abril.
As mudanças de estatuto também entraram em discussão apenas alguns dias depois de o investidor Rafael Ferri, muito conhecido dos pequenos investidores da bolsa nas redes sociais, atingir uma participação de cerca de 5% na varejista.
Segundo a Casas Bahia (BHIA3), as mudanças propostas visam à “proteção da dispersão acionária e ao aprimoramento da governança corporativa da companhia, bem como à geração de valor a seus acionistas”.
Vale lembrar que a varejista é hoje uma “true corporation”, com capital pulverizado na bolsa e sem um acionista controlador. Atualmente, cerca de 75% dos papéis BHIA3 são negociados livremente na bolsa (free float).
A administração afirma que o novo mecanismo protegeria a governança “ao dificultar movimentos hostis e oportunistas de tomada de controle da companhia”, estimulando que qualquer tentativa de compra de controle seja oferecida a todos os acionistas “de forma equânime e com o pagamento do preço justo”.
*Com informações do Pipeline e do Money Times.
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