Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Bruna Charifker Vogel

Bruna Charifker Vogel

Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo/USP e mestre em Estudos Latino Americanos e Caribenhos pela New York University/NYU, é redatora do Seu Dinheiro. Com mais de 15 anos de experiência em análise, fortalecimento e desenvolvimento de políticas públicas no Brasil e nos Estados Unidos, fez transição de carreira para o mercado financeiro, atuando nas áreas de comunicação interna, DEI, T&D, employer branding e cultura organizacional.

SEGURANÇA AGROALIMENTAR

Estudo aponta que agricultura regenerativa no Cerrado pode gerar U$ 100 bilhões e impulsionar PIB brasileiro

Levantamento do BCG identifica 32,3 milhões de hectares no segundo maior bioma do Brasil com potencial para práticas regenerativas até 2050, mas há desafios para a construção desse caminho

Bruna Charifker Vogel
Bruna Charifker Vogel
4 de abril de 2025
12:25 - atualizado às 12:09
agricultura regenerativa
Cerrado brasileiro é a savana com a maior biodiversidade do mundo - Imagem: iStock/Lucas Ninno -

A agricultura regenerativa no Cerrado brasileiro, o segundo maior bioma do país e a savana mais biodiversa do mundo, representa uma oportunidade de até US$ 100 bilhões em valor econômico (VPL) e pode impulsionar o PIB brasileiro em US$ 20 bilhões anualmente até 2050. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A estimativa é fruto de um estudo conduzido pelo Boston Consulting Group (BCG), em colaboração com o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (MAPA), o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

De acordo com o relatório “Cultivando a resiliência: um caminho viável para regenerar paisagens no Cerrado brasileiro”, a mudança climática está ameaçando o sistema agroalimentar global – o conjunto de atividades que envolve a produção, processamento, distribuição, preparo e consumo de alimentos – e, portanto, colocando em risco a segurança alimentar do mundo. 

O Cerrado brasileiro oferece a oportunidade de construir resiliência por meio da agricultura regenerativa, restaurando o ecossistema, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa e gerando valor econômico para produtores e comunidades.

Desafios para a expansão da agricultura regenerativa no Cerrado

O estudo demonstra que quase metade da área original do Cerrado já foi convertida em terras agrícolas – o equivalente a duas vezes a área da Espanha –, com um aumento de 71% nas taxas de conversão somente entre 2019 e 2023. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Essa conversão resultou em incêndios mais frequentes e intensos, colocando espécies de plantas e animais em risco de extinção. Além disso, o clima na região está se tornando mais quente e seco, impactando diretamente a produtividade agrícola do bioma.

Leia Também

O BCG identificou 32,3 milhões de hectares no Cerrado com potencial para práticas regenerativas para mudar o cenário atual. Essa área está dividida em 23,7 milhões de hectares para recuperação de pastagens degradadas e 8,6 milhões de hectares em terras cultivadas para intensificação de práticas sustentáveis. 

As práticas regenerativas em pastagens degradadas podem ter uma taxa interna de retorno (TIR) de 15% a 22% de 7 a 9 anos. Já a intensificação de práticas sustentáveis em terras cultivadas pode ter uma TIR de 16% a 29% em 3 a 5 anos.

Para tanto, o estudo identifica três principais desafios para a expansão da agricultura regenerativa no Cerrado:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
  • Ativação dos agricultores: A transição para a agricultura sustentável exige uma mudança de mentalidade, com foco na produtividade a longo prazo. Pequenos agricultores enfrentam diversas barreiras, incluindo falta de acesso a recursos e apego às práticas tradicionais. O estudo sugere começar a adoção de práticas sustentáveis por aquelas que o produtor já reconhece como benéficas financeiramente.
  • Financiamento da transição: A transição para a agricultura regenerativa exige altos investimentos iniciais em infraestrutura, insumos, equipamentos e capacitação, e os maiores retornos financeiros são tardios. Agricultores, muitas vezes, não têm capital ou acesso a crédito barato para assumir os riscos da transição. O estudo aponta para a necessidade de mecanismos mistos de capital e suporte agronômico para viabilizar a transição.
  • Verificação de práticas e resultados: A verificação da agricultura regenerativa é complexa e cara, exigindo tecnologias avançadas. Para pequenos agricultores, os custos e a burocracia são impeditivos. A falta de padronização agrava o problema. O estudo aponta para a necessidade de métricas acessíveis de curto prazo, como análises espaciais, enquanto métricas de longo prazo, como a medição da concentração de carbono, só podem ser avaliadas posteriormente.

“É necessária uma estratégia integrada de investimentos, combinando capital privado, concessional e seguros, e que potencialize as vocações do bioma para produção agrícola. Nossos números mostram que isso é possível. O produtor brasileiro tem demonstrado que produção e eficiência andam de mãos dadas com práticas sustentáveis”, resume Lucas Moino, sócio do BCG.

Cerrado brasileiro: potência em agricultura e biodiversidade

Segundo o relatório do BCG, a savana com a maior biodiversidade do mundo ocupa quase 200 milhões de hectares e tem um papel crucial na produção agrícola global.  O Cerrado é habitat de 30% da biodiversidade brasileira e 5% de todas as espécies conhecidas, além de ser responsável por 25% da soja, 6% da carne bovina, 27% da cana-de-açúcar, 9% do algodão e 6% do milho produzidos no mundo. 

Projeções indicam que, até 2050, o Cerrado contribuirá com 70% da soja e quase metade da carne bovina produzidas no Brasil, consolidando o papel do país na produção global de alimentos e destacando a importância do bioma para a agricultura e conservação.

A Action Agenda on Regenerative Landscapes (AARL) – iniciativa global que visa catalisar a transição para práticas agrícolas regenerativas e agroecológicas no mundo, lançada no âmbito da COP28, em 2023 – e seus parceiros já estão mobilizando globalmente US$ 6 bilhões em investimentos em agricultura regenerativa. Com seu grande potencial, o Cerrado pode liderar essa transformação e se tornar um modelo global, demonstrando a viabilidade da agricultura regenerativa em larga escala.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além dos ganhos econômicos, o estudo enfatiza que a adoção de práticas de agricultura regenerativa no Cerrado pode trazer benefícios ambientais e sociais significativos. Alguns deles incluem a redução de emissões de carbono, a melhoria da saúde do solo, o aumento da biodiversidade, a maior eficiência hídrica e o aumento da renda para até 400 mil agricultores.

COP30: oportunidade de desbloquear o potencial do Cerrado 

Lucas Molino enfatiza que a COP30 acontecendo no Brasil é uma oportunidade perfeita para estabelecer, em conjunto entre os setores público e privado, definições, padrões e métricas que incentivem investimentos em larga escala para aqueles que preservam o solo, os recursos hídricos e a biodiversidade durante a produção agrícola. 

Marcelo Behar, conselheiro sênior do WBCSD e CEBDS, considera que a mobilização em torno da Conferência do Clima em Belém representa uma “janela de oportunidade estratégica para superar desafios e acelerar a expansão da agricultura regenerativa no Brasil". 

Segundo ele,  o Landscape Accelerator – Brazil (LAB), uma iniciativa do BCG, WBCSD e CEBDS, já está promovendo alinhamentos essenciais entre produtores e sociedade civil no que se refere a políticas públicas, financiamento e sistemas de métricas e monitoramento para a transição do Cerrado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"A transição para paisagens regenerativas representa não apenas uma oportunidade econômica sem precedentes, mas um imperativo para a resiliência climática e competitividade do agronegócio brasileiro a longo prazo. O Brasil tem uma chance única de liderar este movimento global, e o LAB está criando as condições para que o país chegue à COP30 com um modelo já em implementação, demonstrando na prática que produção e conservação podem caminhar juntas”, afirma Juliana Lopes, diretora de Natureza e Sociedade do CEBDS.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
FORA DA REALIDADE DA EMPRESA

Hapvida (HAPV3): alto escalão está entre os mais bem pagos do Ibovespa, apesar de “destruição histórica de valor”; veja as remunerações

2 de abril de 2026 - 17:03

Segundo uma carta da Squadra, o conselho de administração da empresa deve ganhar R$ 57 milhões em 2026, o que equivale a 1% do valor de mercado da empresa e coloca o time entre os mais bem pagos da bolsa

BARATA ATÉ DEMAIS?

Os dividendos da Vale (VALE3) estão ainda mais perto do acionista? O que levou o BofA a recomendar compra e elevar o preço-alvo

2 de abril de 2026 - 15:57

Analistas do banco apontam descolamento do minério e indicam potencial de valorização acima de 20% para ações

UMA SOLUÇÃO?

Raízen (RAIZ4) faz proposta a credores para converter 45% da dívida de R$ 65 bilhões em ações, diz agência

2 de abril de 2026 - 12:02

A a empresa quer que ao menos 45% da dívida seja revertida em ações, deixando os credores com até 70% das ações ordinárias, a R$ 0,40 por papel

SEM RECUPERAÇÃO À VISTA

Squadra pede mudanças no conselho da Hapvida (HAPV3), reeleito apesar de “uma das maiores destruições de valor da história”

2 de abril de 2026 - 10:14

Confira os problemas na operadora de saúde, segundo a gestora, e quais as propostas da Squadra para melhorar o retorno aos acionistas da Hapvida

GARANTIA A CREDORES

Oi (OIBR3) recebe autorização para venda de seu principal ativo, mas dinheiro não vai para ela

2 de abril de 2026 - 8:53

A transação envolve toda a participação da Oi e de sua subsidiária na empresa de infraestrutura digital neutra e de fibra ótica por R$ 4,5 bilhões

MAIS PERTO DO NÍVEL MÁXIMO

Axia Energia (AXIA6) dá mais um passo na direção do carimbo final rumo ao Novo Mercado; saiba o que falta agora

1 de abril de 2026 - 19:54

O ponto central é a conversão das ações preferenciais (PN) em ordinárias (ON); em reuniões separadas, os detentores de papéis PNA1 e PNB1 deram o aval para a transformação integral dos ativos

ENTRE PERDAS E RECUPERAÇÃO

O prejuízo volta na Marisa (AMAR3), mas menor: o que o balanço do 4T25 revela sobre o futuro da varejista de moda

1 de abril de 2026 - 11:33

Empresa dá novos passos na reestruturação e melhora indicadores no ano, mas não escapa de um trimestre negativo; veja os números

ENTRE A GUERRA E AS ELEIÇÕES

Petrobras (PETR4) bate recordes, aumenta preço do querosene, e Bruno Moretti deixa conselho; entenda o que acontece na estatal

1 de abril de 2026 - 11:03

O anúncio da renúncia de Bruno Moretti vem acompanhado de novos impactos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã

Time for Fun

Mais uma empresa deixará a bolsa: T4F (SHOW3) anuncia OPA para fechar capital por R$ 5,59 por ação

1 de abril de 2026 - 9:28

O preço por ação será de R$ 5,59, valor superior ao atual: as ações fecharam o pregão de terça-feira a R$ 4,44

SD ENTREVISTA 

Boa Safra (SOJA3) freia após crescer rápido demais, mas CEO revela: ‘estamos prontos para um grande negócio’

1 de abril de 2026 - 6:12

Em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro, Marino Colpo detalha as dores do crescimento da Boa Safra e por que planos estratégicos devem incluir M&A nos próximos meses 

ALÉM DO MINÉRIO DE FERRO

No coração da estratégia da Vale (VALE3), metais básicos devem compor o motor de lucros da mineradora

31 de março de 2026 - 17:45

Subsidiária VBM salta de 10% para 26% do Ebitda da Vale e deve ganhar ainda mais peso com preços elevados e novos projetos

COMPOUNDER

Ação da Eneva (ENEV3) entra em clube seleto, segundo o BTG; banco projeta ganhos de até 30% e dividendos bilionários

31 de março de 2026 - 14:10

Com um fluxo de caixa mais estável, a empresa pode remunerar os acionistas. Se não encontrar novas oportunidades de alocação de capital, poderia distribuir R$41,5 bilhões em dividendos até 2032, 90% do valor de mercado atual, diz o BTG

ELE NÃO ERA O ÚNICO PROBLEMA

CEO sai, ação sobe: por que o mercado comemorou a saída de Rafael Lucchesi da Tupy (TUPY3)

31 de março de 2026 - 12:30

A saída de Rafael Lucchesi, alvo de críticas por possível interferência política, foi bem recebida pelo mercado e abre espaço para a escolha de um CEO com perfil técnico — em meio a desafios operacionais e à fraqueza do mercado norte-americano

REDUZINDO AS DÍVIDAS

MRV (MRVE3) faz a maior venda até então no plano de desinvestimento da Resia, nos EUA, por US$ 73 milhões; confira os próximos passos

31 de março de 2026 - 12:01

Desde o início do plano de desinvestimento da subsidiária, o total das vendas alcançam cerca de US$ 241 milhões, deixando um montante de US$ 559 milhões a serem alienados

SINAIS DE VIRADA?

Gol melhora, mas ainda não decola: prejuízo cai 72% e chega a R$ 1,4 bilhão no 4T25; veja os destaques do balanço

31 de março de 2026 - 11:22

Com Ebitda positivo e alavancagem em queda, aérea tenta deixar para trás fase mais aguda da crise; confira os números do trimestre

TÍTULOS DE DÍVIDA

Mais dinheiro na mesa: JBS (JBSS32) emite US$ 2 bilhões em bonds com taxas de até 6,4% ao ano

31 de março de 2026 - 10:55

Emissão recebeu avaliação BBB- pela Fitch Ratings; agência defende que a nota “reflete o sólido perfil de negócios da JBS”

VIROU A CHAVE

Nubank (ROXO34): mercado aperta “vender”, XP manda “comprar” — e vê rali de mais de 50% para as ações

31 de março de 2026 - 10:16

Na visão de analistas, preço dos papéis caiu em Wall Street, mas fundamentos não. Veja o que está por trás da recomendação

VIRADA ESTRATÉGICA

Fundadores deixam conselho da Natura (NATU3) pela primeira vez: por que analistas acreditam que a reestruturação na liderança é positiva

31 de março de 2026 - 9:46

A visão do BTG, J.P. Morgan e Citi sobre as mudanças é positiva, principalmente ao reforçar o compromisso da empresa de se reinventar e modernizar a governança

MOMENTO DE VIRADA

Natura (NATU3) dá mais um passo na reestruturação — e traz um gigante global para perto

30 de março de 2026 - 20:04

Companhia avança na reestruturação com novo acordo de acionistas, migração dos fundadores para conselho consultivo e a entrada da Advent International, que pretende comprar até 10% das ações no mercado

LÍDERES NO MEIO DA CRISE

Ações do Grupo Pão de Açúcar caem após mudanças no conselho de administração: assembleia reduz mandato e elege novos conselheiros

30 de março de 2026 - 14:10

Os acionistas elegeram a nova formação do colegiado, com maioria de membros independentes, reforçando práticas de governança alinhadas ao Novo Mercado da B3

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia