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Bruna Charifker Vogel

Bruna Charifker Vogel

Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo/USP e mestre em Estudos Latino Americanos e Caribenhos pela New York University/NYU, é redatora do Seu Dinheiro. Com mais de 15 anos de experiência em análise, fortalecimento e desenvolvimento de políticas públicas no Brasil e nos Estados Unidos, fez transição de carreira para o mercado financeiro, atuando nas áreas de comunicação interna, DEI, T&D, employer branding e cultura organizacional.

ESG NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Do canteiro de obras ao mercado financeiro: como uma incorporadora de alto padrão conseguiu captar meio bilhão com títulos verdes

Tegra estrutura política de sustentabilidade e capta R$ 587 milhões com debêntures e CRI verdes; experiência aponta caminhos possíveis para o setor

Bruna Charifker Vogel
Bruna Charifker Vogel
16 de junho de 2025
7:30 - atualizado às 15:34
incorporadora construção civil sustentabilidade
O caso da Tegra se destaca em um setor historicamente associado a impactos ambientais significativos - Foto: Divulgação/Tegra -

A transformação da Tegra Incorporadora (TEGA3), do grupo canadense Brookfield, diz muito sobre os rumos da construção civil no país. 

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Tradicionalmente associada a obras de alto padrão, a empresa decidiu, em 2016, iniciar um processo interno de revisão de práticas com foco em sustentabilidade

O que começou como um exercício de autorreflexão levou à criação de uma política estruturada de ESG, à adesão a certificações internacionais e, mais recentemente, à emissão de títulos verdes que somam R$ 587 milhões em captação.

O diretor de construção da Tegra, Fabio Almeida de Barros, falou sobre os destaques dessa trajetória — marcada, segundo ele, por pragmatismo, governança e uma aposta gradual em inovação.

“Para o público de média e alta renda, a sustentabilidade deixou de ser um diferencial e passou a ser uma expectativa”, afirmou o executivo ao Seu Dinheiro.

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Uma mudança que começou aos poucos

Segundo Barros, a jornada ESG da Tegra teve início com a participação em um questionário gratuito do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3

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O exercício serviu para identificar lacunas e formar grupos de trabalho internos. A partir dali, vieram os primeiros relatórios, a vinculação de metas ambientais à remuneração variável dos executivos e a adesão a pactos internacionais, como o da ONU Mulheres, em 2020, e o Pacto Global da ONU, em 2022.

Em 2021, a Tegra passou a adotar a certificação AQUA-HQE — um selo internacional de controle ambiental adaptado ao Brasil, que avalia desde o pré-projeto até a entrega das unidades. A escolha por uma certificação mais rigorosa trouxe uma camada extra de governança às obras e se mostrou, segundo Barros, um divisor de águas: “Foi uma virada de chave”.

Hoje, todos os lançamentos da incorporadora seguem esse padrão, segundo o relatório de sustentabilidade da Tegra. O documento aponta reduções significativas de consumo em empreendimentos certificados: cerca de 23% menos energia, quase 50% de economia de água nas áreas comuns e 29% nas unidades.

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Além disso, a incorporadora tem como meta reduzir em 50% as emissões diretas de carbono (escopos 1 e 2) e em 15% as emissões indiretas (escopo 3), além de compensar 110% das emissões residuais de carbono. 

De acordo com o diretor, desde 2021, a empresa compensa 100% das emissões de carbono dos empreendimentos entregues. 

O desafio, porém, segue em andamento: em 2024, houve aumento nas emissões de escopo 1, atribuído à inclusão dos dados da Tamboré Urbanismo e ao estágio de supressão vegetal de alguns projetos.

Do canteiro de obras ao mercado financeiro

A adoção de boas práticas ambientais não ficou restrita ao campo técnico e abriu caminho para a Tegra captar mais de R$ 500 milhões em títulos verdes com grandes bancos nacionais.

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Em 2022, a empresa emitiu R$ 265 milhões em debêntures verdes com o Bradesco — uma operação pioneira entre incorporadoras de médio e alto padrão no país, certificada por consultoria especializada em ESG.

“O diferencial dessas debêntures em relação às convencionais está na destinação dos recursos, que serão utilizados exclusivamente em empreendimentos com certificação ambiental AQUA-HQE”, disse o executivo.

O movimento se repetiu em 2024, com a estruturação do primeiro CRI Verde do setor de construção civil no Brasil, em parceria com o banco BV. O papel foi comercializado no mercado primário e atraiu 376 investidores individuais, dois fundos de investimentos e duas instituições financeiras, de acordo com o executivo. Segundo Barros, a operação passou por uma auditoria externa especializada em verificação de ativos sustentáveis.

Além das captações via mercado de capitais, o executivo enfatiza que a empresa também viabilizou os primeiros financiamentos verdes via SFH (Sistema Financeiro de Habitação) com três grandes bancos — Itaú, Banco do Brasil e Bradesco — entre 2022 e 2023.

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O SFH é um um conjunto de regras e instrumentos criados pelo governo brasileiro para facilitar o acesso da população à casa própria, especialmente para famílias de baixa e média renda. Os financiamentos verdes via SFH incluem exigências ou metas relacionadas à sustentabilidade ambiental.

Caminhos possíveis para um setor de alto impacto

O caso da Tegra se destaca em um setor historicamente associado a impactos ambientais significativos. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e da Mudança Climática (MMA), mais de 50% dos resíduos sólidos gerados pelas atividades humanas vêm da construção civil. 

Os principais desafios do setor incluem: reduzir o consumo de energia e materiais de alto impacto ambiental, melhorar a qualidade do ambiente construído, e adotar práticas de gestão ecológica da água e de resíduos — e escalar as boas práticas.

Aos poucos, porém, surgem caminhos para conciliar desenvolvimento urbano com menor impacto ambiental. Um deles é a valorização de materiais naturais e pouco processados, como  terra crua, palha, pedra e bambu.

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A outra tendência do setor é o investimento em empreendimentos certificados como "verdes". Contudo, o MMA alerta que muitas certificações ainda refletem reduções pontuais de impacto, sem abordar aspectos sociais mais profundos — especialmente em países como o Brasil.

Empresas como MRV (MRVE3), Mitre (MTRE3), Cyrela (CYRE3) e Gafisa (GFSA3), que integram a carteira do Índice de Sustentabilidade Ambiental (ISE) 2025 da B3, mostram que o setor está se movimentando.

No entanto, o desafio da escala ainda persiste. Ao comentar sobre isso, Barros reconhece que o processo não é simples, mas tampouco exige grandes investimentos iniciais. 

“Não foi ciência espacial. Não colocamos R$ 300 milhões nisso. Foi devagar, com grupos de trabalho, comitês, e hoje temos um monte de coisa legal na mão", disse.

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Para ele, o principal passo é começar — e, nesse sentido, empresas menores podem ter uma vantagem: 

“É mais fácil colocar ESG no DNA de uma empresa pequena do que mover uma estrutura grande como a nossa”.

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