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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

BOM OU RUIM

Dividendo de R$ 1,5 bilhão da Rumo (RAIL3) é motivo para ficar com o pé atrás? Os bancos respondem

O provento representa 70% do lucro líquido do último ano e é bem maior do que os R$ 350 milhões distribuídos na última década. Mas como fica a alavancagem?

Bia Azevedo
Bia Azevedo
12 de junho de 2025
16:03 - atualizado às 16:04
Trem com o logo da Rumo RAIL3 | Dividendos
Trem da Rumo (RAIL3). - Imagem: Divulgação

Sabe aquele ditado: quando a esmola é boa demais, o santo desconfia? Pois é. Na noite da última quarta-feira (11), a Rumo (RAIL3) anunciou uma distribuição bem gorda: dividendos de cerca de R$ 1,5 bilhão a serem pagos em 25 de junho para os acionistas com posição na empresa no próximo dia 16. 

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Segundo a XP, o valor representa um aumento significativo em relação aos R$ 350 milhões distribuídos na forma de proventos pela empresa na última década. 

A cifra equivale a cerca de 70% do lucro líquido da companhia no ano passado inteiro — quando os analistas do Itaú BBA, por exemplo, esperavam que essa porcentagem ficasse na casa dos 25%. 

Para o banco, o anúncio pode causar sentimentos mistos aos acionistas. Por volta das 15h30 desta quinta-feira (12), as ações estavam sendo negociadas com uma queda de 0,47%, a R$ 19,14.

Por que o anúncio da Rumo pode gerar “pé atrás” dos acionistas e analistas

Na visão do Itaú BBA, por mais que o dividendo represente uma leve adição de alavancagem — de 0,15 vez no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Rumo, passando de 1,7 vez no final do ano —, pode ficar uma certa pulga atrás da orelha do investidor. 

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Isso porque, se por um lado os dividendos poderiam ser uma forma de geração de valor para os investidores enquanto a Rumo continua a crescer, por outro, levanta a dúvida se o dinheiro não poderia ser mais bem aplicado. 

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As alternativas sobre para o destino dessa bolada, segundo os analistas, incluem a redução da alavancagem ou a antecipação do pagamento das taxas de concessão — que geralmente custam cerca de 11% ao ano mais inflação. 

“Embora vejamos méritos em ambos os lados, acreditamos que grande parte dessa discussão poderia se tornar menos importante se a empresa conseguir vender seu terminal em Santos, cujo negócio foi desfeito na semana passada, o que é estimado em cerca de R$ 600 milhões em recursos totais”, diz o banco em relatório.

No começo deste mês, a Rumo anunciou a suspensão da venda de sua participação de 50% no Terminal XXXIX (T-39) do Porto de Santos, que estava avaliada em R$ 600 milhões. O motivo foi o não cumprimento de cláusulas contratuais pelos compradores.

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A venda estava inserida na estratégia da Rumo de otimizar seu portfólio e reforçar sua estrutura de capital, com foco em aumentar os investimentos ferroviários. 

Embora o cancelamento impacte esses planos, a empresa afirmou que segue comprometida com a avaliação de novas oportunidades de negócios que estejam em linha com objetivos de crescimento e eficiência.

Cabe destacar que a recomendação do Itaú BBA é de compra para as ações RAIL3, com preço-alvo de R$ 25 — o que representa um potencial de valorização de 30% em relação ao fechamento de quarta-feira (11). 

Já para a XP, que reiterou a recomendação de compra para as ações, o anúncio de ontem sobre os dividendos reforça a confiança da companhia nos resultados futuros, após um início de ano desafiador, com melhorias relevantes recentes nas previsões de produção de grãos, na precificação logística e no desempenho de custos no primeiro trimestre de 2025.

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“Por fim, não esperamos mudanças na política mínima de dividendos de 25% do lucro líquido nem na diretriz de manter a dívida líquida/Ebitda abaixo de aproximadamente 2 vezes”, escrevem os analistas da casa em relatório.

O que está acontecendo com as ações da Rumo?

O BTG Pactual destaca o desempenho fraco das ações em relação aos concorrentes. Enquanto Localiza (RENT3) e a Motiva (MOTV3), apresentam altas expressivas no ano (+38,4% e +33,7%, respectivamente), RAIL3 sobe cerca de 8,2% no mesmo período. 

Com isso, os analistas listam o que a empresa precisa para melhorar esse desempenho em quatro pontos:

  • Aumento dos preços do frete e volumes transportados;
  • Redução no ritmo de capex (investimentos); 
  • Diminuição das preocupações com a alavancagem da Cosan (controladora da Rumo) 
  • Ausência de surpresas negativas no cenário regulatório.

As quatro pedras no sapato da empresa

Sobre o primeiro ponto, os analistas afirmam que: “o mercado fraco de logística de grãos no início do ano foi uma das principais razões para o desempenho negativo das ações. Por outro lado, se o mercado de logística de grãos aquecer, o que esperamos que aconteça no segundo trimestre, esperamos um sentimento mais positivo em relação à ação”.

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Quanto aos preços do frete, o banco afirma que começou a enxergar uma dinâmica mais favorável em meados de abril — quando os tarifa do frete rodoviário em algumas das principais rotas de grãos de Mato Grosso começaram a mostrar valores mais altos. 

Essa tendência persistiu durante a maior parte do segundo trimestre, mesmo considerando os elementos deflacionários dos preços mais baixos dos caminhões este ano e os descontos no diesel oferecidos pela Petrobras (PETR4).

Já o capex tem sido uma preocupação constante para a Rumo ao longo dos anos. Para 2025, a empresa prevê investimentos entre R$ 5,8 bilhões e R$ 6,5 bilhões, mas o valor de R$ 1,8 bilhão registrado no primeiro trimestre superou as expectativas do mercado.

A administração explicou, na teleconferência do primeiro trimestre, que os altos níveis de capex no período foram impulsionados por uma concentração sazonal de contratos de construção no início do ano. 

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“A partir de agora, esperamos que o mercado observe um nível de capex próximo de R$ 1 bilhão ou menos por trimestre, o que tornaria a orientação anual viável”, reforçam os analistas do BTG. 

Sobre o endividamento da Cosan (CSAN3), a principal acionista da Rumo, a pressão crescente dos investidores para desalavancar a holding normalmente leva a discussões sobre opções que envolvem a controlada.

“Percebemos que a Cosan está totalmente comprometida em executar o plano de desenvolvimento de infraestrutura em Mato Grosso, que inclui o capex contínuo para o projeto Lucas do Rio Verde”, diz o banco em relatório.

No entanto, os analistas veem Rumo adotando uma abordagem mais racional quanto à disciplina de capital, especialmente ao compartilhar a pressão de capex com parceiros-chave nos projetos. 

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A solução financeira implementada no terminal em Santos, com a busca de um parceiro no nível do projeto, demonstra claramente essa conscientização de capital para o BTG, que acredita que soluções semelhantes são possíveis e estão sendo consideradas.

Em relação ao último ponto, o banco diz que a falta de visibilidade sobre algumas questões regulatórias chave impede que as ações da Rumo tenham um desempenho melhor. 

“Nos referimos à renovação (ou novo leilão) das concessões da Malha Oeste e da Malha Sul. Reconhecemos que ambos os ativos não são tão significativos quanto a Malha Norte ou até mesmo a Malha Central, mas achamos que o mercado está preocupado com os maiores compromissos de capital associados aos seus processos regulatórios”.

“Aqui, acreditamos que o fluxo de notícias pode ser mais prolongado, já que envolve agências reguladoras, e as discussões sobre as renovações de concessão tendem a demorar. No entanto, estamos confiantes de que pelo menos um dos dois ativos pode ser resolvido ainda este ano, com a Malha Oeste esperando ser resolvida mais rapidamente do que a Malha Sul”. 

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Segundo os analistas,  o fluxo de notícias pode ser mais prolongado, uma vez que envolve agências reguladoras, e as discussões sobre as renovações de concessão tendem a demorar. No entanto, estão confiantes de que pelo menos um dos dois ativos podem ser resolvidos ainda este ano, sendo que a Malha Oeste deve ser equacionada mais rapidamente do que a Malha Sul.

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