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Em rara visita de Estado ao Japão, o presidente brasileiro e o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, firmaram nesta quarta-feira (26) dez acordos de cooperação em áreas como comércio, indústria e meio ambiente
Enquanto o mundo se prepara para o início das mais novas tarifas de Donald Trump, o Brasil foi buscar parcerias do outro lado do mundo — e não foi com a China. O mercado, no entanto, parece que esperava mais do encontro e pune, em certa medida, as ações dos frigoríficos.
Em rara visita de Estado ao Japão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Shigeru Ishiba firmaram nesta quarta-feira (26) dez acordos de cooperação em áreas como comércio, indústria e meio ambiente.
Além disso, foram assinados 80 instrumentos entre entidades subnacionais como empresas, bancos, universidades e institutos de pesquisas.
Os dois países também anunciaram um plano de ação para revitalizar a Parceria Estratégica Global, um nível mais elevado nas relações diplomáticas estabelecidas desde 2014.
Esta é a quinta visita de Lula ao Japão, mas a primeira visita de Estado. No Japão, esses encontros são considerados os mais relevantes do ponto de vista diplomático e são organizados, no máximo, uma vez por ano.
Esta também é a primeira visita de Estado organizada pelo governo japonês desde 2019.
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A comitiva brasileira em Tóquio é composta por Lula, a primeira-dama Janja, ministros, parlamentares, empresários e sindicalistas.
A visita começou na terça-feira (25) e seguirá até quinta-feira (27), quando o presidente brasileiro parte para Hanói, no Vietnã, para a segunda parte da viagem à Ásia.
Antes da reunião oficial, Ishiba e Lula participaram de um fórum com empresários, o que, segundo o petista, “ampliou os horizontes para cooperação com o setor privado”.
No entanto, os participantes do mercado não parecem ter ficado muito satisfeitos com os acordos firmados entre os dois países.
As ações dos frigoríficos no Brasil caíram em bloco em reação às negociações. Por volta das 16h, a JBS (JBSS3) puxava a queda, caindo 3,88%. Já a Marfrig (MRFG3) caía 2,16%, enquanto a Minerva (BEEF3) apresentava queda de 2,17% e a BRF (BRFS3) tinha leve desvalorização de 0,40%.
Segundo Fernando Iglesias, analista de proteína animal da Safras & Mercado, o recuo nas ações pode estar relacionado à missão do governo brasileiro no Japão.
Vale lembrar que, no caso de JBS, os papéis também reagem ao balanço do quarto trimestre. Você pode conferir a análise dos resultados da companhia e o que fazer com as ações aqui.
A abertura do mercado japonês à carne bovina foi abordada durante a reunião. Além disso, na terça-feira (25), o premiê sugeriu a formação de um grupo para o acompanhamento do setor e manifestou a disposição de enviar especialistas sanitários para coletar informações no Brasil.
Em declaração após o encontro, Lula afirmou que as relações entre Brasil e Japão ganharam uma nova dimensão. Segundo ele, serão realizadas reuniões periódicas entre equipes governamentais, a cada dois anos.
“O Japão é um país democrático, desenvolvido do ponto de vista econômico, científico e tecnológico. O Brasil é um país que acompanha a passos largos a necessidade de se desenvolver, de investir em educação, ciência e tecnologia e em pesquisa porque temos consciência de que não há possibilidade de um país crescer, se desenvolver, ficar rico, se não houver um massivo e forte investimento em educação”, disse Lula.
Além do plano de ação de parceria estratégica, os dois países assinaram atos sobre iniciativa para combustíveis sustentáveis e mobilidade, de integração industrial, na área de ciência, tecnologia e inovação.
Também foram contempladas parcerias para recuperação de terras degradadas, meio ambiente, educação, em tecnologia da informação e comunicação e inclusão digital, em redução de riscos de desastres relacionados à água e na área de saúde.
Lula destacou ainda que a recente decisão do Japão de incrementar o uso de biocombustíveis no transporte e na aviação abre espaço para os dois países “trabalharem juntos pela transição energética”.
“Queremos aumentar o nosso comércio, queremos fazer parceria com a indústria, que o Japão adote no Brasil a perspectiva da produção do etanol, do hidrogênio verde e do combustível renovável”, explicou.
Em reunião com empresários na última terça-feira (25), o petista também falou sobre a intenção de elevar a mistura de etanol na gasolina de 27% para 30% e da adição de biodiesel no diesel fóssil.
“A descarbonização é um caminho sem volta e é perfeitamente compatível com o objetivo de segurança energética”, disse.
O presidente brasileiro lembrou que o Japão foi o primeiro país asiático a contribuir com o Fundo Amazônia — R$ 14 milhões. Criado em 2008, o fundo apoiou 107 iniciativas de redução de emissões provenientes de desmatamento e degradação florestal.
“Japão e Brasil seguirão trabalhando juntos em medidas de mitigação e adaptação à mudança do clima, combate ao desmatamento e prevenção de desastres naturais”, disse.
O Japão é o segundo maior parceiro do Brasil na Ásia, atrás apenas da China, e o 11º maior parceiro comercial do Brasil no mundo.
O país também é a nona origem de investimentos estrangeiros por aqui, com cerca de US$ 35 bilhões de estoque de investimento em 2023.
Ishiba lembrou que o montante de investimentos diretos de empresas japonesas no Brasil, a partir de 2024, soma R$ 45 bilhões. “Isso é prova da expectativa do fortalecimento das relações econômicas”, avaliou.
Além disso, em 2011, o fluxo da balança comercial entre os dois países chegou a US$ 17 bilhões. Porém, em 2024, caiu para US$ 11 bilhões.
As relações entre os dois países ultrapassam as questões econômicas: o Brasil hospeda a maior comunidade japonesa fora do Japão, com cerca de dois milhões de pessoas.
Já o país asiático abriga a quinta maior comunidade brasileira no exterior, com aproximadamente 200 mil pessoas.
Porém, o Brasil não quer manter o relacionamento fechado. Lula já indicou que pretende negociar um acordo comercial do Japão com o Mercosul. Vale lembrar que, no próximo semestre, o Brasil assume a presidência do bloco sul-americano.
O primeiro-ministro japonês assegurou que há um “forte desejo” de elevar as relações econômicas com o Mercosul a patamares ainda maiores.
O comércio entre Brasil e Japão também pode ser aumentado, concordaram as autoridades dos dois países.
*Com informações da Agência Brasil e do MoneyTimes
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