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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

DESCONTO MISTERIOSO?

Este banco pode devolver R$ 7 milhões a 100 mil aposentados por erros no empréstimo consignado do INSS

Depois de identificar falhas e cobranças irregulares em operações de consignado, o INSS apertou o cerco contra as instituições financeiras; entenda

Camille Lima
Camille Lima
4 de novembro de 2025
14:01 - atualizado às 9:49
INSS
INSS 2026 - Imagem: Divulgação

Milhares de aposentados e pensionistas do INSS que contrataram crédito consignado acreditando estar apenas pegando um empréstimo — mas acabaram pagando por um seguro que nem sabiam que existia — poderão receber de volta o dinheiro descontado indevidamente.

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Depois de identificar falhas e cobranças irregulares em operações de consignado, o INSS apertou o cerco contra as instituições financeiras, suspendeu contratos com bancos para apurar as irregularidades e começou a exigir mudanças nos processos.

Os empréstimos vinculados a benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões, já vinham sendo alvo de reclamações há algum tempo — principalmente por descontos não autorizados. 

Agora, o cerco mais apertado pelo INSS começa a gerar resultados concretos: um banco devolverá mais de R$ 7 milhões a milhares de beneficiários.

E ele não está sozinho. Outras três instituições financeiras também entraram na mira da autarquia e firmaram acordos para revisar práticas, devolver valores e reforçar os mecanismos de transparência.

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Empréstimo consignado do INSS: um crédito que virou dor de cabeça

Os empréstimos consignados atrelados a benefícios do INSS sempre foram apresentados como uma solução segura e de juros baixos. Mas, na prática, muitos beneficiários passaram a reclamar de descontos misteriosos, vindos de produtos que nunca lembravam de ter contratado.

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Boa parte dessas queixas se refere à cobrança de seguros embutidos nas parcelas do consignado, geralmente apresentados como “proteção financeira” ou “seguro de vida prestamista”. 

O produto cobre a dívida em caso de morte ou invalidez — mas, em muitos contratos, o serviço vinha sendo incluído automaticamente, sem o consentimento claro do aposentado.

O INSS decidiu agir. Nos últimos meses, suspendeu credenciamentos, bloqueou novas operações e instaurou processos administrativos para apurar o alcance do problema.

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Banco BMG vai devolver R$ 7 milhões

A resposta mais concreta veio do Banco BMG, que firmou um termo de compromisso com o INSS para devolver mais de R$ 7 milhões cobrados indevidamente de cerca de 100 mil beneficiários. 

O acordo com o BMG foi firmado na última quinta-feira (30) e prevê que o ressarcimento dos valores cobrados será feito por meio de abatimento direto nas faturas.

O acordo vai além da devolução. O banco se comprometeu a revisar processos e reforçar mecanismos de segurança na contratação dos empréstimos. 

Uma das medidas é a ampliação da formalização obrigatória por videochamada, já usada no cartão consignado e agora estendida a todas as operações com o público do INSS.

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Em nota ao mercado, o BMG afirmou que o acordo “reforça o compromisso com transparência, governança e aprimoramento contínuo da experiência do cliente”. 

“As iniciativas refletem o propósito do Banco de fortalecer a relação institucional com o INSS, promovendo uma jornada de crédito ética, responsável e centrada no cliente, em linha com as melhores práticas de governança corporativa”, escreveu o banco.

Mais bancos na mira: Inter e outras instituições também firmam acordo

A ofensiva do INSS não parou por aí. Na segunda-feira (3), a autarquia assinou novos termos de compromisso com o Banco Inter, a Facta Financeira e a Cobuccio Sociedade de Crédito Direto — todas suspensas em outubro após suspeitas de práticas irregulares em consignados.

Nos termos do acordo, as instituições se comprometeram a acabar imediatamente com a cobrança do seguro prestamista vinculado aos empréstimos consignados, quando o pagamento for feito por meio de desconto no benefício previdenciário.

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Essas instituições agora são obrigadas a:

  • Suspender imediatamente a cobrança do chamado seguro prestamista vinculado aos empréstimos;
  • Parar de embutir o seguro no contrato — mesmo com outro nome, como “proteção financeira”;
  • Devolver valores cobrados indevidamente, caso a irregularidade seja comprovada; e
  • Ajustar os processos de venda e contratação para evitar práticas abusivas.

Com o acordo, essas três instituições voltam a ter permissão para registrar novas operações de crédito consignado enquanto os processos administrativos seguem em análise.

Ao Seu Dinheiro, o Inter informou posteriormente que assinou um termo de compromisso com o INSS restabelecendo a oferta do crédito consignado para os beneficiários do órgão federal.

"Esse acordo reforça o compromisso com a transparência e o respeito aos clientes, especialmente aposentados e pensionistas", escreveu o banco, em nota.

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O cerco do INSS

Nos últimos meses, o INSS intensificou a fiscalização e sinalizou que outras instituições podem ter de responder por condutas semelhantes.

Em outubro, o INSS já havia revogado o credenciamento do Banco Master, e, em agosto, já havia suspendido oito outras instituições.

Em nota, o Instituto destacou que outros bancos também começaram a revisar condutas, mesmo sem investigação formal. O C6 Bank, por exemplo, decidiu suspender por tempo indeterminado os produtos com “Pacote de Benefícios” para clientes do INSS.

*A matéria foi atualizada para incluir o posicionamento do Banco Inter.

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