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Para diretor de macroeconomia do ASA e ex-diretor do Banco Central, Fabio Kanczuk, cenário do mercado para 2025 é de crise
Não tem jeito. O cenário para o mercado financeiro brasileiro em 2025 é de crise. Ou melhor, “continuidade da crise”, frisou o diretor de macroeconomia do ASA, Fabio Kanczuk, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Na visão do ex-Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda do governo Temer e ex-diretor de Política Econômica do Banco Central entre 2019 e 2021, o ambiente macroeconômico será marcado por juros, dólar e inflação para cima — Selic em torno de 15% o ano, dólar por volta de R$ 6,50 e inflação chegando à faixa dos 6%.
Apesar da visão pessimista, porém, o economista vê, de certa forma, uma luz no fim do túnel. Ele acredita que, em algum momento, ainda em 2025, o presidente Lula vai mudar de postura em relação ao fiscal.
“Ele não tem se sensibilizado com o que está acontecendo. O dólar ultrapassou os R$ 6 sem que ele desse a menor bola, né? Os preços que vão sensibilizá-lo então serão muito mais altos. Mas eu acho que ele vai se sensibilizar em algum momento. Mas talvez seja necessário, primeiro, ter alguns meses de inflação bem mais alta”, refletiu.
Kanczuk acha que Lula “vai ser esperto o suficiente para reagir”, pois “de bobo não tem nada”, e que essa reação será no sentido justamente do que ele tem rejeitado: mais austeridade. “Eu acho que ele vai acabar cedendo em algum momento pela lógica, não vai ter jeito”, disse.
O diretor do ASA admite que não há no horizonte qualquer sinal de mudança nesse sentido, a qual mudaria o cenário para 2025 completamente. Mas diz que é difícil imaginar um ano inteiro em crise considerando o ritmo intenso de piora do mercado. E, por isso mesmo, Lula acabará não tendo saída, e o Congresso tende a se juntar a ele.
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“Nesse caso, eles [os parlamentares] colocariam todo o ajuste na conta do Lula, mas eu tenho a impressão de que sim, quando a situação fica feia de verdade, não tem resistência nenhuma [por parte do Congresso]”, disse.
Até lá, porém, é melhor o investidor se proteger — mesmo porque ninguém sabe realmente quando ou se essa virada vai realmente ocorrer, por mais lógica que seja. A recomendação de Kanczuk é apostar no que ele chamou de portfólio “anti-Brasil”.
“Se o kit Brasil é comprar real, aplicar em juros [apostar numa queda maior que o esperado das taxas] e comprar bolsa, o kit anti-Brasil é ficar no dólar, tomar juros [apostar em juros mais altos] e vender bolsa.”
Para o investidor pessoa física comum, o orientação, assim, é ficar “superconservador”, mantendo o foco na renda fixa pós-fixada, aqueles ativos indexados à Selic e ao CDI.
Investimentos de renda fixa indexada à inflação também aparecem como opção, dado que os índices de preços tendem a ficar mais altos — ainda mais porque o BC deve parar de elevar os juros antes do necessário, acredita Kanczuk. “E 15% não é suficiente de jeito nenhum, considerando esse fiscal expansionista”, observou, referindo-se à sua previsão de Selic terminal.
Segundo o ex-BC, a questão da dominância fiscal poderá ser usada como desculpa pelo Banco Central para interromper o aperto monetário antes da hora, mas não será a razão verdadeira. “A razão verdadeira eu diria que vai ser pressão política”, diz.
Para o diretor do ASA, Gabriel Galípolo, que assume neste ano como presidente do Banco Central, “tem resistido bravamente”, mas a pressão em Brasília tende a ser tão violenta que o lado técnico e o político vão acabar se misturando.
“Ele vai se auto-convencer”, disse Kanczuk sobre Galípolo. “Em algum momento vai falar que já deu, que precisa parar [o aperto monetário] para ver, que talvez tenha dominância fiscal ou que o mercado está exagerando. Vem uma história assim, e ele aborta a alta de juros.”
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