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Criticar o Fed não vai trazer parceiros à mesa de negociação nem restaurar a credibilidade que Trump, peça por peça, vem corroendo. Se há um plano em andamento, até agora, a execução tem sido tudo, menos coordenada.
O pano de fundo dos últimos dias, além da continuidade da guerra comercial, foi agravado por mais um episódio de ruído institucional nos Estados Unidos — desta vez, protagonizado pela crescente tensão entre Donald Trump e Jerome Powell.
O presidente americano voltou a atacar publicamente o Federal Reserve, reclamando da ausência de cortes de juros e reacendendo temores sobre a autonomia da autoridade monetária. Para os mercados, um sinal tão ruim quanto previsível.
A mera suspeita de ingerência política sobre o Fed pressionou o dólar, os Treasuries e as bolsas americanas, expondo mais uma vez como o mercado reage mal à combinação de volatilidade externa e imprevisibilidade doméstica.
A essa altura, Trump parece ter feito estágio nas velhas escolas desenvolvimentistas da América Latina: pouca preocupação com credibilidade, muita disposição para heterodoxia — e, no processo, mais um golpe na confiança institucional dos EUA.
Entre o vaivém tarifário e os ataques reiterados à independência do Federal Reserve — agora com pressões cada vez mais explícitas para a substituição de Powell —, o que se acumula é a corrosão lenta, mas contínua, das bases institucionais americanas.
Ainda que a Casa Branca tenha recuado, se a autonomia do Fed for efetivamente colocada em xeque, o impacto tende a ser mais profundo do que a volatilidade recente sugere: confiança, uma vez abalada, não se reconstrói com discursos.
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A irritação de Trump se intensificou após Powell, em discurso no Clube Econômico de Chicago, afirmar que a política tarifária do governo republicano tende a desacelerar a economia americana e, simultaneamente, pressionar os preços — uma combinação tóxica que justifica manter os juros entre 4,25% e 4,50% por mais tempo.
Como era de se esperar, Trump respondeu em seu estilo habitual: chamou Powell de "um grande perdedor" e exigiu que o Fed "corte os juros imediatamente". Na semana anterior, foi ainda mais direto: afirmou que a "demissão de Powell não pode vir rápido".
Legalmente, Trump não pode demitir o presidente do Fed por capricho — mas, conhecendo seu histórico de relativização por normas e convenções vigentes, ninguém em Wall Street ousa ignorar completamente essa possibilidade.
No curto prazo, a confiança dos investidores em ativos denominados em dólar, já arranhada, corre o risco de sofrer uma erosão estrutural. A combinação de um mercado tecnicamente vulnerável, um governo operando no modo tudo ou nada e uma crescente percepção de desaceleração compõem um quadro pouco favorável.
A dúvida que paira no ar é se estamos diante de uma mera turbulência temporária ou do início de uma realocação estrutural. Em um mundo em transição — onde os pilares institucionais outrora inabaláveis entram em xeque —, sobra incerteza para todos os lados. E nenhuma economia atravessa ilesa esse tipo de tempestade.
Diante desse ambiente de incerteza fabricada, a tendência é que os ativos americanos sigam pressionados. Mesmo que haja momentos esporádicos de alívio, o pano de fundo continua marcado pela desconfiança: um governo errático, uma autoridade monetária sob ataque e uma política econômica que reage por impulso.
Não exatamente a combinação ideal para quem busca previsibilidade.
Note que a moeda americana recentemente atingiu seu nível mais baixo em três anos, caminhando para registrar o pior desempenho nos primeiros 100 dias de um presidente desde que Richard Nixon rompeu com o padrão-ouro em 1971.
A dúvida que paira é se essa desvalorização do dólar é um efeito colateral da bagunça generalizada ou parte de um plano mais ou menos consciente.
Stephen Miran — hoje um dos principais conselheiros econômicos de Trump — já havia defendido publicamente uma tese heterodoxa: usar tarifas e ameaças de retração militar como alavancas para forçar os principais parceiros comerciais a reavaliar suas moedas, enfraquecendo o dólar e impulsionando a competitividade industrial americana.
O raciocínio é simples: o status do dólar como principal moeda de reserva mundial tornou a divisa demasiadamente forte, prejudicando a competitividade das exportações dos EUA. A solução proposta? Forçar outros países a revalorizar suas moedas.
A inspiração seria o Acordo de Plaza, de 1985, quando Ronald Reagan conseguiu costurar um acordo de realinhamento cambial com Japão, Alemanha e outros aliados. Sob Trump, a reedição dessa estratégia ganharia o nome "Acordo de Mar-a-Lago".
O problema é que 2025 não é 1985.
A realidade do governo é muito menos cooperativa. A Europa, por exemplo, antagonizada por ataques diplomáticos, não parece inclinada a fazer concessões, e a China é hoje um rival estratégico direto — não um parceiro econômico desequilibrado.
Apostar em um novo grande acordo multilateral, nos moldes do passado, parece mais um exercício de fantasia do que uma estratégia viável. Além disso, usar tarifas e ameaças para enfraquecer o dólar é uma via arriscada — especialmente quando combinada a ataques à autonomia do Federal Reserve.
Criticar o Fed não vai trazer parceiros à mesa de negociação nem restaurar a credibilidade que Trump, peça por peça, vem corroendo. Se há um plano em andamento, até agora, a execução tem sido tudo, menos coordenada. E o preço dessa improvisação começa a aparecer.
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