Rodolfo Amstalden: O Tarcísio Trade está morto?
Se o governador de São Paulo não for capaz de superar as provocações atuais, vindas tanto da extrema esquerda quanto da extrema direita, não será legitimado no cargo de presidente

À exceção de Eduardo Bolsonaro, estão todos bastante incomodados com as tarifas de 50%, e sobretudo com os condicionantes associados.
Por essas e outras, o Ibovespa pegou a contramão de seus recordes nominais desde o anúncio fatídico de Trump contra o Brasil.
No entanto, esse impacto sistêmico precisa ser devidamente qualificado. A não ser que você seja acionista de Embraer, o revés se manifesta principalmente por meio das repercussões do ato sobre as eleições do ano que vem.
É justamente daí que deriva a grande questão que interessa ao mercado local agora: o Tarcísio Trade está morto?
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A encruzilhada do governador
Não há como esgotar essa pergunta imediatamente, mas é possível se aproximar dela por vias indiretas, e as conclusões não são tão ruins assim.
O único grande perdedor nessa história, até o momento, é o futuro do Clã Bolsonaro.
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Eduardo virou-se contra a “subserviência servil” de Tarcísio e conquistou a antipatia definitiva da maior parte do Congresso e do empresariado old money. Até mesmo seu pai e seu irmão levantaram ressalvas publicamente.
Por outro lado, as primeiras leituras de aprovação do Governo Lula registraram melhora após as tarifas; resta saber se de forma sustentável (eu chutaria que ocorre algum overshooting aí).
Como importante nota de rodapé, Alckmin também está saindo fortalecido, com iniciativas pragmáticas e um tom corretamente medido nas declarações. Na margem, Lula com Alckmin vice é sempre melhor do que Lula sem Alckmin.
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E então caímos na situação de Tarcísio, que é o que realmente importa.
É óbvio que o episódio o machucou, mas isso não é necessariamente ruim.
Uma hora ou outra, Tarcísio teria que passar por uma grande prova como potencial candidato a presidente, e é melhor que ela venha agora do que às vésperas das eleições, quando não haveria tempo de aprendizado.
O pseudo status anterior, de mero apoio dos Bolsonaro, tinha sérios limites políticos, eleitorais, e não condiz com os méritos de sua trajetória pessoal.
Se o governador de São Paulo não for capaz de superar as provocações atuais, vindas tanto da extrema esquerda quanto da extrema direita, não será legitimado no cargo de presidente, onde encontrará desafios bem maiores.
Tarcísio precisa empregar sua inteligência de maior média histórica da Engenharia Civil do IME para encontrar o exato caminho da moderação ou, caso não o encontre, terá que construí-lo com as próprias escavadeiras.
A morte ou vida do Tarcísio Trade não caberá a Eduardo Bolsonaro, e tampouco ao Governo Lula.
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