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Rodolfo Amstalden: Bolhas de pus, bolhas de sabão e outras hipóteses

Ainda que uma bolha de preços no setor de inteligência artificial pareça improvável, uma bolha de lucros continua sendo possível

1 de outubro de 2025
20:00 - atualizado às 19:41
Bolha da Inteligência Artificial
O setor de tecnologia em 2025 não é comparável ao setor de tecnologia dos anos 1990, quando se formou a bolha pontocom. Imagem: DALL-E/ChatGPT

O risco de shutdown do governo americano apenas se soma a uma série de turbulências advindas da maior economia do mundo desde o início do ano.

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Todavia, nada disso impede que o S&P 500 acumule ganhos de +14% year to date, seguindo a locomotiva das Big Techs.

Só para citar um dos casos mais icônicos, as ações de Nvidia registram alta vistosa de janeiro para cá, da ordem de +35%.

Esses lucros de dois dígitos em meio a um tiroteio de notícias e de redes sociais nos trazem uma importante lição de grace under fire: a percepção de risco, em seu senso comum, não implica necessariamente um aumento da aversão técnica ao risco.

Podemos estar, simultaneamente, mais preocupados com tudo e mais ricos.

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Ainda assim, precisamos seguir nos beliscando se a Bolsa americana, as Big Techs, as Mag7 e a febre de AI não se aproximam de algum grau de saturação.

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Esse é um debate legítimo, não apocalíptico, e para tratá-lo com o devido rigor devemos já estabelecer uma diferença relevante face ao crash da dotcom bubble no início do milênio.

O gráfico esquerdo, compartilhado em grupos de Whatsapp da Faria Lima nerd (sim, existem financistas nerds) qualifica a exuberância irracional de Alan Greenspan, por meio da qual o preço dos ativos de tecnologia fora gravemente amplificado em relação aos forward earnings.

Já do lado direito, contemporâneo, acompanhamos a trajetória pari passu (e até mesmo defasada, em alguns momentos) entre preço e lucros esperados.

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Daí, podemos depreender que se tratam de fenômenos genuinamente díspares, com perfis de risco quase que incomparáveis. Ambos, naturalmente, derivam de inovações tecnológicas, mas isso não basta para colocá-los em uma mesma caixa; o Global IT Sector dos anos 1990 não é uma boa proxy deste Global IT Sector de 2025.

Porém, isso não significa que devemos já descartar completamente a hipótese de uma “Bolha de AI”; é uma hipótese fraca com os dados até o momento, mas não inconcebível.

Ainda que uma bolha de preços per se pareça improvável diante do gráfico à direita, uma bolha de lucros continua sendo possível.

Os belíssimos lucros auferidos em torno da AI nos últimos cinco anos se baseiam na premissa de que o capex trilionário com AI no mundo trará grandes ganhos de produtividade e ROIC, mas essa relação só poderá ser testada e verificada continuamente, empiricamente.

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Uma eventual bolha de lucros talvez tenha primazia ética e moral sobre a tradicional bolha de preços, pois não se lastreia em irracionalidades tão exuberantes. Contudo, a dor que ela causaria sobre os nossos bolsos seria igualmente explosiva.

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