Operação Carbono Oculto fortalece distribuidoras — e abre espaço para uma aposta menos óbvia entre as ações
Essa empresa negocia atualmente com um desconto de holding superior a 40%, bem acima da média e do que consideramos justo

A operação Carbono Oculto dominou os jornais nesta quinta-feira (28), e provocou forte volatilidade em algumas ações. Para os papéis da Reag, que despencaram no pregão, a notícia não foi nada animadora. Mas para as distribuidoras de combustíveis listadas a operação pode trazer melhorias estruturais no longo prazo.
Como você pode conferir no gráfico abaixo, a participação de mercado da Shell (Raízen), BR Distribuidora (Vibra) e Ipiranga (Ultrapar) vem caindo consistentemente ao longo dos últimos anos.
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Boa parte dessa migração é atribuída à procura por combustíveis mais baratos, o que é legítimo por parte dos consumidores.
O problema é que, para conseguir entregar combustíveis por preços baixos, algumas distribuidoras utilizam manobras como sonegação de impostos, importações irregulares, adulteração, mistura de biocombustível abaixo da regulamentada, etc.
Sem recorrer às mesmas falcatruas, as gigantes do setor perderam competitividade e espaço, mas há algum tempo o cerco começou a se fechar sobre as companhias irregulares.
Nos últimos anos tivemos a criação do Instituto Combustível Legal, para aumentar a fiscalização, e também a implementação da Tributação Monofásica do Etanol, para evitar evasão.
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Também começou a vigorar em São Paulo a “responsabilidade solidária", pela qual postos que compram de distribuidores sonegadores podem ser responsabilizados pelos ilícitos tributários.
Outra mudança foi o endurecimento das regras do RenovaBio, com aumento do teto da multa por adulteração, além de ampliar o poder de fiscalização e de sanções da ANP.
Ou seja, há algum tempo as sinalizações são positivas para o setor, e a operação Carbono Oculto apenas consolida essa trajetória e deixa claro como o momento melhorou para o segmento.
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Por trás das ações, uma tese fora de consenso
Nesse contexto, acreditamos que todas as distribuidoras listadas – RAIZ4, UGPA3 e VBBR3 – devem se beneficiar. Mas preferimos capturar esse movimento por uma via menos óbvia: a Cosan (CSAN3), controladora da Raízen.
Depois de muitos trimestres de resultados ruins, que inclusive puxaram as ações da Cosan para baixo, a Raízen entrou em um processo de turnaround e de venda de ativos que tende a reduzir os problemas de endividamento das duas.
Além disso, a Cosan é controladora de diversas outras empresas de muita qualidade, como Rumo, Moove e Compass, e atualmente negocia com um desconto de holding superior a 40%, bem acima da média e do que consideramos justo.
Nesta semana, a equipe da Empiricus Research disponibilizou um relatório especial, com ações de alta convicção, algumas teses fora do consenso – e com grande potencial de valorização, como é o caso da Cosan –, além de alguns FIIs com rendimentos bastante interessantes. O relatório é gratuito e pode ser conferido aqui.
Um abraço e até a próxima semana!
Ruy
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