O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Todo o excepcionalismo de Wall Street visto nos últimos anos pode finalmente estar dando lugar a um rali de Europa, China e outros mercados emergentes
“O pior pesadelo europeu”, estampa a capa da Economist, com Donald Trump e Vladimir Putin sentados sozinhos numa grande mesa de negociação. A Europa tem alguma experiência na temática “pesadelo”, tendo vivido ao menos dois deles nos últimos 120 anos. Se esse é o pior, a coisa não parece muito boa.
Olha, se estivéssemos debatendo uma partilha do Brasil, eu, que só penso naquele Baião de Dois e Carne Seca ali da Alameda Tietê quando ouço a palavra Tordesilhas, preferiria ter um conterrâneo à mesa.
Uma eventual divisão territorial da Ucrânia poderia ter o efeito positivo de parar a guerra. Questão humanitária grave e benefícios sociais e econômicos conhecidos, sintetizados nos “dividendos da paz”. Há aqui, no entanto, além de desrespeito a princípios elementares de soberania nacional, uma potencial agressão a toda a governança e às fronteiras definidas pós-45.
O multilaterismo, os tratados internacionais e as organizações supranacionais dão lugar a um bilateralismo impositivo da lei do mais forte.
Ainda que possamos identificar críticas pertinentes à morosidade da Organização Mundial do Comércio (OMC), a desequilíbrios na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a protecionismo disfarçado na Europa, um conservador haveria de perguntar: vamos eliminar a construção das últimas décadas e colocar o que no lugar?
Se um dos objetivos de Trump é trazer a Rússia de volta à mesa de negociações do mundo, teremos de confiar em Putin ou em algum autocrata que vier a sucedê-lo, mesmo sabendo das mazelas da oligarquia local, de seus níveis de corrupção e da relação nem sempre republicana com a igreja ortodoxa?
Leia Também
Ao isolar a Ucrânia e a União Europeia das negociações, Trump elege Volodymyr Zelensky como o ditador da história e ataca a histórica aliança transatlântica. Em alguma medida, toda a herança iluminista e os valores ocidentais clássicos, que inclusive colocavam a Austrália como pertencente ao bloco ocidental, estão em xeque.
Enquanto atropela o multilateralismo, Trump empenha uma campanha doméstica vigorosa contra o deep state americano.
Como marca de sua ambivalência, carrega consigo os efeitos positivos de reduzir a burocracia, diminuir custos de transação, melhorar o ambiente de negócios ao dar celeridade aos processos. Ao mesmo tempo, quando ataca a burocracia, a tecnocracia e instituições domésticas consagradas, Trump fragiliza o próprio Estado norte-americano.
Francis Fukuyama, professor de Stanford e famoso pela proposição de “O Fim da História”, tem devotado uma série de artigos, na série “Valuing Deep State”, para basicamente demonstrar como um Estado de alta capacidade, profissional, impressionar é crucial para o sucesso de qualquer sociedade.
Como escreveu Martin Wolf, "qualquer um que tenha trabalhado na área de desenvolvimento econômico, como eu, sabe que, sem um serviço público neutro, competente e profissional, nada na sociedade realmente funciona. Quanto mais complexa e refinada uma sociedade e economia moderna se torna, mais isso é verdadeiro.”
Wolf vai mais longe: "o objetivo seria transformar os EUA em uma ditadura plebiscitária, no qual o detentor do poder é rei”. Para reformar o problemático sistema burocrático dos EUA, o substituiríamos por pessoas ideologicamente alinhadas, de confiança do presidente.
É a essência da democracia liberal, do Império da Lei, da igualdade moral e jurídica, que estaria em jogo. Para críticos mais ferrenhos, estaríamos chegando a um novo estágio do capitalismo, na verdade um tecnofeudalismo — qualquer semelhança com ideias defendidas pelo avô de Elon Musk em sua seita tecnocrática talvez não seja mera coincidência.
Em artigo recente no Brazil Journal, Marcos Troyjo brincou com um improvável encontro entre Milton Friedman e Raul Prebisch para descrever a combinação, por um lado, de um ambiente interno de negócios desregulamentado e desburocratizado, e, por outro, de uma política de substituição de importações.
Diante da insurgência contra o Estado profundo nos EUA, arrisco outra reunião pitoresca, entre Alexis Tocqueville e Sérgio Buarque de Holanda. “A Democracia na América” encontraria “As Raízes do Brasil”, com o respeito à regra, o instrumentalismo americano e seu pragmatismo encontrando “o homem cordial” brasileiro.
Se laços de confiança e proximidade pessoal passam a importar mais do que as instituições consagradas, o mérito dá lugar ao laço pessoal. A regra importa menos do que a afetividade e a pessoalidade.
Assim, a meritocracia, a eficiência, o respeito às instituições vão perdendo espaço. E o que fica?
Os primeiros sinais efetivos dos novos tempos já fazem eco na formação de expectativa dos agentes econômicos.
O índice de incerteza de comércio (Trade Policy Uncertainty, derivado de pesquisas automatizadas de texto nos arquivos eletrônicos de sete jornais) bateu 323,75 pontos, o maior patamar da série histórica.
No mercado de capitais, depois de uma longa liderança de Wall Street, as bolsas europeias apresentam valorização notadamente mais destacada em 2025. A maioria dos índices de ações europeus sobe mais de 10% neste ano, contra uma alta bem mais moderada da renda variável norte-americana.
A clássica pesquisa com gestores do Bank of America Merrill Lynch (BofA) mais recente apontou aumento expressivo da expectativa de performance superior das ações globais frente àquelas dos EUA.
Comentando a vitória da direita moderada na Alemanha, o banco Société Générale identificou um novo capítulo positivo para os mercados europeus. Michael Hartnett, também do BofA, tem sintetizado o novo momento dos fluxos de capital globais na substituição do acrônimo “AIAI" (all-in on artificial intelligence) para BIG (bonds, international, na perspectiva norte-americana, e gold).
Desde a catálise do evento DeepSeek, a rachadura no ambiente envolvendo as Mag7 nos EUA, para usar a expressão de Nassim Taleb, os fluxos de capital anteriormente drenados por Nvidia e afins agora se destinam a outros lugares. O que foi um grande aspirador de pó da liquidez global nos últimos anos agora atua na outra ponta, provendo recursos.
Tudo isso acontece num momento em que a conjuntura norte-americana emite sinais erráticos e ambíguos. O PMI Composto preliminar da S&P Global para os EUA, que acompanha os setores de manufatura e serviços, caiu para 50,4. Essa foi a leitura mais baixa desde setembro de 2023 e ficou aquém dos 52,7 registrados em janeiro.
Em paralelo, a confiança do consumidor registrou um tombo muito além do esperado, enquanto as expectativas de inflação para longo prazo se deterioraram.
Conforme gosta de lembrar Ray Dalio, as décadas costumam apresentar alternância de bons desempenhos relativos entre regiões e classes de ativos.
Todo o excepcionalismo de Wall Street visto nos últimos anos pode finalmente estar dando lugar a um rali de Europa, China e outros mercados emergentes.
No Brasil, o consenso ainda aponta para apenas um ajuste técnico, uma “subida no vazio”, sem grande alteração de fundamentos, uma mera recuperação cíclica.
Alguns poucos já começaram a mudar de ideia, vendo um pouco mais do que um pequeno rali dentro de um grande bear market. Quando a ideia de um movimento mais estrutural virar predominante, pode ser tarde demais para comprar.
Conheça a história da Gelato Borelli, com faturamento de R$ 500 milhões por ano e 240 lojas no país
Existem muitos “segredos” que eu gostaria de sair contando por aí, especialmente para quem está começando uma nova fase da vida, como a chegada de um filho
Cerveja alemã passa a ser produzida no Brasil, mas mantém a tradição
Reinvestir os dividendos recebidos pode dobrar o seu patrimônio ao longo do tempo. Mas cuidado, essa estratégia não serve para qualquer empresa
Antes de sair reinvestindo dividendos de qualquer ação, é importante esclarecer que a estratégia de reinvestimento só deve ser aplicada em teses com boas perspectivas de retorno
Saiba como analisar as classificações de risco das agências de rating diante de tantas empresas em dificuldades e fazer as melhores escolhas com o seu dinheiro
Em meio a ruídos geopolíticos e fiscais, uma provocação: e se o maior risco ainda nem estiver no radar do mercado?
A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio
Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic
Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais
O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo
Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras
Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira
Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic
A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia
Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje
Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta
O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente
Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado
Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle