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Para além do impacto econômico direto, a nova investida protecionista de Trump impulsiona um intrincado jogo político com desdobramentos domésticos e eleitorais decisivos para o Brasil
O tema das tarifas comerciais voltou ao epicentro das preocupações. Trump decidiu apertar ainda mais o botão do protecionismo e, no último fim de semana, enviou cartas oficiais ao México e à União Europeia anunciando a intenção de impor tarifas de 30% sobre produtos importados dessas regiões.
Ainda assim, os mercados lá fora seguem em um curioso estado de negação voluntária, agindo como se Trump inevitavelmente recuará — como já o fez outras vezes. Mas contar com a previsibilidade de um agente essencialmente imprevisível é um erro de julgamento com custo elevado.
O Brasil, nesse contexto, virou alvo preferencial — e, talvez, um símbolo conveniente para uma retórica que combina nacionalismo econômico e intimidação política. Trump foi além da lógica comercial: impôs uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos EUA, usando como pano de fundo uma disputa que, em essência, é política e ideológica.
A reação dos mercados foi imediata, mas a análise estrutural traz nuances importantes. Apesar da pancada simbólica, o impacto econômico direto é limitado. As exportações brasileiras para os EUA representam apenas cerca de 2% do PIB nacional. Mesmo que os 50% sejam aplicados integralmente, o efeito estimado seria de uma perda de aproximadamente 0,30 ponto percentual do PIB em 12 meses.
É ruim? Sem dúvida. Mas está longe de configurar um colapso.
Ainda assim, há pontos de atenção. Produtos como café, carne bovina e suco de laranja, com alta exposição ao mercado americano e relevância na pauta exportadora, devem sentir mais.
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E o principal risco está fora das planilhas comerciais: uma eventual disparada do dólar, em meio a nova rodada de aversão ao risco, poderia reacender pressões inflacionárias, corroendo o poder de compra e afetando a popularidade do governo — que já enfrenta dificuldades. Em suma, o baque imediato é absorvível, mas os riscos secundários são reais e se desdobram em frentes política e cambial.
O problema, como quase sempre, vai muito além dos números secos. O risco real mora na escalada política e nas consequências que podem se materializar já no curto prazo — mesmo que, do ponto de vista estrutural, o impacto econômico se revele contido.
Se esse cenário benigno de fato prevalecer, é razoável esperar que a turbulência recente nos mercados se dissipe com o tempo. Mas essa é uma aposta que depende de duas variáveis fundamentais: a não escalada da retórica e a diluição dos efeitos políticos.
Nesse sentido, surgem sinais de pragmatismo: o presidente Lula teria instruído sua equipe ministerial a negociar um adiamento da medida por até 90 dias, além de buscar uma tarifa menor. Há, ainda, a possibilidade de propor cotas para alguns produtos. Se for por esse caminho, ao menos se preserva o bom senso.
Aliás, a reação contida do governo brasileiro até agora funcionou como um alívio temporário para os mercados. O simples fato de o Planalto ter sinalizado que não pretende responder imediatamente — ao menos até o prazo oficial de 1º de agosto — foi suficiente para acalmar os ânimos e trazer alguma acomodação aos ativos.
A dúvida que paira é se esse bom senso se manterá ao longo das negociações diplomáticas, agora que a relação Brasil-EUA passou a trafegar por um campo minado.
O alerta é claro: a última coisa de que o país precisa é de um surto protecionista motivado por impulso ou vaidade. Retaliações improvisadas tendem a gerar mais danos do que soluções — com impacto direto sobre o câmbio, a inflação e, em consequência, sobre a política monetária. Em outras palavras, pagar na mesma moeda pode sair caro.
Por isso, a expectativa de que Trump recue (como tantas vezes já recuou) e a real margem para negociação ainda existente tornam-se peças-chave para estancar a sangria. Nesse jogo de nervos, quem tiver mais sangue-frio leva vantagem.
Há margem para negociação. Ao longo dos últimos 15 anos, o Brasil acumulou um déficit comercial de cerca de US$ 415 bilhões com os EUA — uma assimetria suficientemente ampla para ser explorada na mesa de negociações.
Ou seja, a tarifa de 50% anunciada ao Brasil não se sustenta sob nenhum argumento técnico. A punição imposta ao Brasil escapa do padrão e carrega conteúdo político, vindo poucos dias após as críticas da Casa Branca à postura do governo brasileiro nos BRICS+.
Mas é no pano de fundo doméstico que mora o ponto mais sensível. A oposição de direita segue desorganizada e refém de seus próprios fantasmas. A pressão pela aprovação da lei da anistia, capitaneada pela ala bolsonarista, não tem eco no Congresso e só serve para reforçar a imagem de uma oposição egocêntrica, incapaz de formular um projeto viável alternativo, reformista e pró-mercado.
É justamente isso que ameaça uma das principais teses que temos defendido por aqui: a alternância de poder em 2026 como força estruturante para os mercados. Já disse antes: o maior risco à tese de virada política não é Lula — é a própria oposição, sequestrada por um discurso radicalizado e incompatível com o centro político necessário para vencer.
Lula, por sua vez, tentará extrair dividendos políticos da crise tarifária com os EUA. O script já está sendo ensaiado: retórica nacionalista, aceno à soberania e discurso antiamericano — todos ingredientes que, mesmo desgastados, ainda encontram eco em setores da esquerda. Se conseguir associar a crise a Bolsonaro, Lula poderá desgastar a oposição, enfraquecendo suas chances eleitorais.
Ao mesmo tempo, os bolsonaristas tentam vender a medida de Trump como consequência da atuação do STF e da política externa do governo atual — leitura que, convenhamos, tem algum lastro, ainda que politicamente oportunista.
O problema é que esse tipo de narrativa afasta ainda mais a direita do centro — e, sem o centro, qualquer candidatura será apenas decorativa em 2026. Em suma: o Brasil vive uma crise tarifária real, mas o maior drama segue sendo o político. E esse, infelizmente, é de fabricação nacional.
Este é o ponto nevrálgico para os investidores: sem uma alternativa política consistente, com musculatura eleitoral e compromisso inequívoco com o ajuste fiscal, a tese de inflexão política perde tração — e, com ela, os ativos brasileiros voltam a sangrar. É plausível que Lula colha algum dividendo político no curto prazo com essa crise tarifária. Mas isso pouco altera o quadro estrutural.
Estamos longe da eleição, e até lá, o tempo — e não a histeria — continua sendo nosso maior aliado. Uma escalada agora, com retaliações impensadas ou rompantes diplomáticos, seria suicídio econômico. E o governo sabe disso — ou, ao menos, deveria saber.
No curtíssimo prazo, é verdade que Lula sai ligeiramente fortalecido. Mas é uma vantagem frágil. A crise complica ainda mais a articulação política no Congresso, encarece a negociação com setores organizados e acende a luz amarela sobre o câmbio. Se o dólar acelerar — e essa é uma possibilidade real —, a inflação voltará a bater na porta, corroendo ainda mais uma popularidade que já vinha cambaleante.
A travessia será turbulenta para todos. A mudança do pêndulo político segue no radar, mas exigirá mais compostura e menos espetáculo. Falta ao Brasil um conciliador. E o que temos visto, infelizmente, são artilheiros de crise carregando galões de gasolina.
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