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Apostar no negócio maduro ou investir em inovação? Entenda como resolver esse dilema dos negócios
No debate político, o mundo está dividido. Direita ou esquerda. Conservador ou progressista. Cada grupo defende seu lado com unhas e dentes — e quem fica no “centrão” pode ser acusado de fazer “jogo duplo”. Mas, no mundo dos negócios, com dinheiro na mesa, o cenário é diferente.
Há uma competição pelo dinheiro da companhia. E nessa hora surge o famoso “dilema do inovador”: é melhor você tentar turbinar uma ideia vencedora ou desenvolver uma nova?
Parece simples, mas não é.
Imagine o exemplo hipotético de uma fabricante de refrigerantes que fatura R$ 1 bilhão ao ano, com um custo de R$ 850 milhões, mas percebe uma tendência de queda de consumo. Você é o CEO e precisa decidir entre investir em uma linha de águas saborizadas ou buscar soluções para ampliar a venda de refrigerantes, absorvendo market share, por exemplo.
O mercado de águas saborizadas é algo como 1% do mercado de refrigerantes, mas dobra de tamanho todo ano. A estimativa é conseguir faturar R$ 5 milhões no primeiro ano e crescer junto com o mercado.
O que você escolheria?
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Se a empresa pudesse controlar as variáveis, naturalmente ficaria com o negócio maduro. É uma questão matemática: um crescimento de 2% sobre 1 bilhão é adicionar R$ 20 milhões ao negócio, enquanto dobrar um negócio de R$ 5 milhões é adicionar mais R$ 5 milhões.
Além disso, buscar um novo mercado é muito mais complexo: envolve desenvolvimento de produto, ajustes na linha de produção, criação de marca, investimentos em marketing, distribuição, testes, risco etc.
É por isso que muitas empresas preferem inovações incrementais a disruptivas, como mostra o ex-professor de Harvard Clayton Christensen, no clássico “O Dilema do Inovador”.
O problema é que ninguém controla todas as variáveis do mercado. Especialmente duas bem importantes: a mudança de hábito do consumidor e a evolução tecnológica dos concorrentes.
A história da Kodak segue como o exemplo mais emblemático. Líder absoluta no mercado de fotografia analógica, a empresa inventou a fotografia digital… e não lançou. Foi atropelada por concorrentes, a nova tecnologia virou padrão, e a Kodak ficou para trás.
Então, o melhor é apostar suas fichas na inovação, certo? Não é bem assim…
Voltando ao exemplo da fabricante de refrigerantes: se a empresa abandonar o seu produto principal e apostar tudo nas águas saborizadas, simplesmente não conseguirá pagar as contas. Ela tem um custo de R$ 850 milhões e estima que o negócio de águas vai render apenas R$ 5 milhões no primeiro ano.
A conta não fecha. Inovações geralmente nascem pequenas, queimam caixa no curto prazo e não têm garantia de sucesso. Não dá para simplesmente “abandonar” o negócio principal.
Costumo brincar com a equipe que precisamos operar ao mesmo tempo no “mercado futuro” e no “presente”. Os teóricos da Administração chamam isso de “ambidestria corporativa”. É tocar ao mesmo tempo projetos maduros, que sustentam a empresa hoje, e outros que têm potencial para viabilizar a companhia no futuro.
Um exemplo concreto: na minha última coluna, contei sobre os bastidores da criação de um projeto que trouxe receitas de R$ 60 milhões em cinco anos. Em 2024, esse projeto representou 88% da nossa receita, enquanto um projeto inovador somou 6,5%.
Mesmo com um peso menor na receita, decidimos estrategicamente dividir esforços entre os projetos. O motivo? Uma visão de que o projeto maduro está em fase de saturação, e o novo tem potencial para escalar nos próximos anos. Em 2025, até o momento, o projeto maduro representou 73% da receita, enquanto o novo somou 20%.
Para quem investe em ações com visão de longo prazo, entender se uma empresa é “ambidestra” é essencial. Vale observar com lupa as apresentações de resultado e os discursos dos executivos nas teleconferências.
É importante observar se a empresa só fala do passado ou se tem frentes de inovação em desenvolvimento. Mas também verificar com atenção quais os custos envolvidos nos projetos de inovação para entender como eles afetam o caixa e a rentabilidade da companhia no curto prazo.
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