🔴 UM SALÁRIO MÍNIMO DE RENDA TODO O MÊS COM DIVIDENDOS? – DESCUBRA COMO

A Petrobras (PETR4) despencou — oportunidade ou armadilha?

A forte queda das ações tem menos relação com resultados e dividendos do segundo trimestre, e mais a ver com perspectivas de entrada em segmentos menos rentáveis no futuro, além de possíveis interferências políticas

15 de agosto de 2025
6:01 - atualizado às 17:15
petrobras petr4 ações lula balanço resultados
Imagem: Shutterstock/ Montagem: Julia Shikota

A Petrobras (PETR4) entregou um resultado no segundo trimestre sem grandes surpresas, e mesmo assim viu suas ações despencarem -6% em um único pregão. O motivo?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A sinalização de que ela pode voltar a um negócio de margens apertadas e um cheirinho de interferência política no ar.

Mas para entender melhor essa reação negativa, precisamos voltar alguns anos no tempo. 

Retrocessos

No dia 23 de dezembro de 2020, a Petrobras deu um presentão de Natal aos seus acionistas: vendeu a Liquigaz por R$ 4 bilhões. 

Presentão porque o múltiplo foi bastante interessante (perto de 12 vezes o ebitda), mas principalmente porque o segmento não era muito lucrativo. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O negócio de distribuição de gás para varejo é complexo, exige muita eficiência logística e muita disciplina de gastos, o que convenhamos não é o forte de companhias estatais.

Leia Também

Basta olhar para os retornos apertados da Liquigaz na época da venda, que tinha margem ebitda de 6% e margem de lucro menor do que 3%.

Apenas como comparação o segmento de Exploração e Produção (E&P) de petróleo tem margem ebitda superior a 50% e margem de lucro acima de 30%!

Os investimentos em E&P são obviamente muito maiores, mas esse não é um problema para a Petrobras, que gera muito caixa. Sendo assim, ela sempre deveria optar por colocar dinheiro naquilo que traz mais retorno: não é o caso de distribuição de GLP.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Bem, essa má alocação de capital ajuda a entender um pouco o mau humor após o anúncio da intenção de voltar ao negócio de distribuição, mas ainda não explica uma perda de R$ 32 bilhões de valor em um único dia. E assim chegamos a uma velha preocupação dos acionistas da Petrobras. 

Muitas perguntas, nenhuma resposta

O anúncio traz uma série de perguntas sem respostas para os acionistas. Por que raios a Petrobras decidiu voltar ao segmento de distribuição de gás tão perto das eleições? Por que justamente depois de tantas e tantas críticas de Lula aos preços dos derivados?

Será que a volta da companhia ao segmento é um pedido do presidente, com o intuito de baixar na marra os preços? Ou será que tudo isso não passa de uma grande coincidência?

Na teleconferência de resultados, a CEO da Petrobras, Magda Chambriard, deu uma justificativa razoável, dizendo que o movimento está de acordo com a expectativa de crescimento de produção e da maior necessidade de escoamento de gás nos próximos anos, quando ela precisará ter flexibilidade para comercializar esse volume extra.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na verdade, a Petrobras já atua na venda direta de gás para algumas grandes empresas (como a Vale) e a ampliação dessa atuação não seria um grande problema. 

A questão é se a companhia realmente tiver a intenção de retornar à distribuição de GLP para pequenos consumidores, pois isso exigirá grandes investimentos logísticos, compra de botijões, marketing, rede de distribuição, etc. E como você já sabe, mais investimentos em segmentos de baixo retorno também significa menos dividendos.

Mas o grande agravante é o receio de que esse retorno venha casado com medidas populistas do governo para tentar baratear o preço, fazendo a Petrobras vender gás abaixo do custo, assim como já aconteceu com a gasolina no governo Dilma. 

Por fim, existe o risco de que esse movimento abra a porta para a companhia voltar também à distribuição de diesel e gasolina no futuro, outro segmento de margens apertadas, difíceis para uma estatal operar e que também aumentariam as chances de interferência do governo. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Vale a pena comprar Petrobras?

A forte queda das ações da Petrobras tem menos relação com resultados e dividendos do segundo trimestre, e mais a ver com perspectivas de entrada em segmentos menos rentáveis no futuro, além de possíveis interferências políticas. 

Como dizem, cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça, e o passado ainda pesa no sentimento dos acionistas. Por outro lado, diferente de 2014, a Petrobras hoje é protegida pela Lei das Estatais, que coíbe (e pune) prejuízos nas estatais provocados por motivos políticos.

E mesmo que a rentabilidade consolidada diminua pela entrada em um segmento de margens menores, o segmento de distribuição de GLP seria pouco representativo no todo – apenas como curiosidade, a Liquigaz foi vendida por R$ 4 bilhões, e mesmo que estivesse valendo o dobro hoje, ainda seria muito menos que os R$ 400 bilhões de valor de mercado da própria Petrobras – mesmo depois da tal desvalorização de R$ 32 bilhões.

Por fim, vale lembrar que essa preocupação com a má alocação de capital pode mudar completamente caso tenhamos uma mudança para um governo reformista e menos populista, o que implicaria em um belo re-rating para os papéis. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por 3,8 vezes lucros e um dividend yield de 12%, a Petrobras já parece embutir bastante pessimismo nos preços atuais, e faz sentido em uma carteira de renda diversificada. Por isso os papéis fazem parte da Carteira Mensal de Dividendos, que você pode conferir em detalhes aqui

Um abraço e até a próxima semana!

Ruy

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As projeções para a economia em 2026, inflação no Brasil e o que mais move os mercados hoje

26 de novembro de 2025 - 8:36

Seu Dinheiro mostra as projeções do Itaú para os juros, inflação e dólar para 2026; veja o que você precisa saber sobre a bolsa hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os planos e dividendos da Petrobras (PETR3), a guerra entre Rússia e Ucrânia, acordo entre Mercosul e UE e o que mais move o mercado

25 de novembro de 2025 - 8:20

Seu Dinheiro conversou com analistas para entender o que esperar do novo plano de investimentos da Petrobras; a bolsa brasileira também reflete notícias do cenário econômico internacional

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: O paradoxo do banqueiro central

24 de novembro de 2025 - 19:59

Se você é explicitamente “o menino de ouro” do presidente da República e próximo ao ministério da Fazenda, é natural desconfiar de sua eventual subserviência ao poder Executivo

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Hapvida decepciona mais uma vez, dados da Europa e dos EUA e o que mais move a bolsa hoje

24 de novembro de 2025 - 7:58

Operadora de saúde enfrenta mais uma vez os mesmos problemas que a fizeram despencar na bolsa há mais dois anos; investidores aguardam discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE) e dados da economia dos EUA

BOMBOU NO SD

CDBs do Master, Oncoclínicas (ONCO3), o ‘terror dos vendidos’ e mais: as matérias mais lidas do Seu Dinheiro na semana

23 de novembro de 2025 - 17:13

Matéria sobre a exposição da Oncoclínicas aos CDBs do Banco Master foi a mais lida da semana; veja os destaques do SD

MERCADOS HOJE

A debandada da bolsa, pessimismo global e tarifas de Trump: veja o que move os mercados hoje

21 de novembro de 2025 - 9:27

Nos últimos anos, diversas empresas deixaram a B3; veja o que está por trás desse movimento e o que mais pode afetar o seu bolso

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Planejamento, pé no chão e consciência de que a realidade pode ser dura são alguns dos requisitos mais importantes de quem quer ser dono da própria empresa

20 de novembro de 2025 - 8:36

Milhões de brasileiros sonham em abrir um negócio, mas especialistas alertam que a realidade envolve insegurança financeira, mais trabalho e falta de planejamento

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Será que o Fed já pode usar AI para cortar juros?

19 de novembro de 2025 - 20:00

Chegamos à situação contemporânea nos EUA em que o mercado de trabalho começa a dar sinais em prol de cortes nos juros, enquanto a inflação (acima da meta) sugere insistência no aperto

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A nova estratégia dos FIIs para crescer, a espera pelo balanço da Nvidia e o que mais mexe com seu bolso hoje

19 de novembro de 2025 - 8:01

Para continuarem entregando bons retornos, os Fundos de Investimento Imobiliários adaptaram sua estratégia; veja se há riscos para o investidor comum. Balanço da Nvidia e dados de emprego dos EUA também movem os mercados hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O recado das eleições chilenas para o Brasil, prisão de dono e liquidação do Banco Master e o que mais move os mercados hoje

18 de novembro de 2025 - 8:29

Resultado do primeiro turno mostra que o Chile segue tendência de virada à direita já vista em outros países da América do Sul; BC decide liquidar o Banco Master, poucas horas depois que o banco recebeu uma proposta de compra da holding Fictor

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Eleição no Chile confirma a guinada política da América do Sul para a direita; o Brasil será o próximo?

18 de novembro de 2025 - 6:03

Após a vitória de Javier Milei na Argentina em 2023 e o avanço da direita na Bolívia em 2025, o Chile agora caminha para um segundo turno amplamente favorável ao campo conservador

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os CDBs que pagam acima da média, dados dos EUA e o que mais movimenta a bolsa hoje

17 de novembro de 2025 - 7:53

Quando o retorno é maior que a média, é hora de desconfiar dos riscos; investidores aguardam dados dos EUA para tentar entender qual será o caminho dos juros norte-americanos

VISÃO 360

Direita ou esquerda? No mundo dos negócios, escolha quem faz ‘jogo duplo’

16 de novembro de 2025 - 8:00

Apostar no negócio maduro ou investir em inovação? Entenda como resolver esse dilema dos negócios

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Esse número pode indicar se é hora de investir na bolsa; Log corta dividendos e o que mais afeta seu bolso hoje

14 de novembro de 2025 - 8:24

Relação entre preço das ações e lucro está longe do histórico e indica que ainda há espaço para subir mais; veja o que analistas dizem sobre o momento atual da bolsa de valores brasileira

SEXTOU COM O RUY

Investir com emoção pode custar caro: o que os recordes do Ibovespa ensinam

14 de novembro de 2025 - 6:55

Se você quer saber se o Ibovespa tem espaço para continuar subindo mesmo perto das máximas, eu não apenas acredito nisso como entendo que podemos estar diante de uma grande janela de valorização da bolsa brasileira — mas isso não livra o investidor de armadilhas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Seca dos IPOs ainda vai continuar, fim do shutdown e o que mais movimenta a bolsa hoje

13 de novembro de 2025 - 7:57

Mesmo com Regime Fácil, empresas ainda podem demorar a listar ações na bolsa e devem optar por lançar dívidas corporativas; mercado deve reagir ao fim do maior shutdown da história dos EUA, à espera da divulgação de novos dados

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Podemos resumir uma vida em uma imagem?

12 de novembro de 2025 - 19:54

Poucos dias atrás me deparei com um gráfico absolutamente pavoroso, e quase imediatamente meu cérebro fez a estranha conexão: “ora, mas essa imagem que você julga horripilante à primeira vista nada mais é do que a história da vida da Empiricus”

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Shutdown nos EUA e bolsa brasileira estão quebrando recordes diariamente, mas só um pode estar prestes a acabar; veja o que mais mexe com o seu bolso hoje

11 de novembro de 2025 - 8:28

Temporada de balanços, movimentos internacionais e eleições do ano que vem podem impulsionar ainda mais a bolsa brasileira, que está em rali histórico de valorizações; Isa Energia (ISAE4) quer melhorar eficiência antes de aumentar dividendos

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Ibovespa imparável: até onde vai o rali da bolsa brasileira?

11 de novembro de 2025 - 7:28

No acumulado de 2025, o índice avança quase 30% em moeda local — e cerca de 50% em dólar. Esse desempenho é sustentado por três pilares centrais

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Como era verde meu vale do silício

10 de novembro de 2025 - 19:57

Na semana passada, o mitológico investidor Howard Marks escreveu um de seus icônicos memorandos com o título “Baratas na mina de carvão” — uma referência ao alerta recente de Jamie Dimon, CEO do JP Morgan, sobre o mercado de crédito

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar