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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

PORTFÓLIO DEFENSIVO

É hora de se preparar para o bear market na bolsa brasileira: BTG revela 6 ações domésticas para defender a carteira

O banco cita três passos para se posicionar para o mercado de baixa nos próximos meses: blindar a carteira com dólar e buscar ações de empresas com baixa alavancagem e com “beta” baixo

Camille Lima
Camille Lima
14 de janeiro de 2025
17:55 - atualizado às 17:56
Urso nos mercados financeiros, bolsa brasileira, ações, ibovespa
Imagem: DALL-E/ChatGPT

É verdade: a bolsa brasileira está com a corda no pescoço e o mercado não vê uma recuperação rápida no horizonte. Pelo contrário: os próximos meses prometem ser de muita volatilidade para quem investe em renda variável. Mas, para o BTG Pactual, isso não significa que você deveria começar a desovar ações a torto e a direito agora.

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“Antecipar o ciclo político parece prematuro neste momento, embora certamente possa exacerbar a volatilidade em 2025, como visto algumas semanas atrás”, avaliou o banco.

Na visão dos analistas, os investidores deveriam aproveitar as altas para vender e não ter pressa para buscar o "fundo do poço". 

Entretanto, diante dos desafios fiscais contínuos e de um cenário externo mais desfavorável, está difícil encontrar catalisadores positivos para o crescimento das ações já nos próximos meses. 

Segundo o BTG, os únicos catalisadores potenciais parecem ser: 

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  1. Uma melhoria acentuada na percepção fiscal, o que os analistas acreditam ser altamente improvável, considerando o quanto o governo está atrasado na entrega de medidas fiscais estruturais; e 
  2. O fracasso do governo em aprovar a reforma do imposto de renda, que busca expandir a faixa de isenção para quem recebe R$ 5 mil por mês. Nesse caso, a expectativa é que haja mais visibilidade sobre o andamento do debate somente no final do ano, mas é comum que medidas populistas sejam mais difíceis de serem bloqueadas por legisladores antes de eleições.

Então, o que fazer com a bolsa derretendo? Para o BTG, trata-se de uma receita “simples” para se posicionar para um mercado de baixa (o famoso bear market) nos próximos meses.

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A recomendação dos analistas é blindar a carteira com dólar, buscar ações de empresas com baixa alavancagem e apostar em companhias com “beta” baixo — isto é, menos voláteis às turbulências de mercado. 

Hoje, a lista de recomendações do banco conta com nomes como Suzano (SUZB3), Weg (WEGE3), Itaú Unibanco (ITUB4), Petrobras (PETR4), JBS (JBSS3) e Tim (TIMS3).

Por que 2025 será turbulento para a bolsa brasileira?

Não há como eleger um único culpado pelas turbulências que devem chacoalhar a bolsa brasileira neste ano. 

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Na realidade, o fraco desempenho previsto para 2025 é uma combinação de desafios fiscais, incertezas políticas, um cenário internacional para lá de turbulento e enfraquecimento dos fundamentos microeconômicos na B3.

Se em 2024 os fundamentos para as ações continuavam robustos, com crescimento da lucratividade e processos de desalavancagem, o céu já começa a mudar neste ano — e, segundo o BTG, o pico de lucros das empresas brasileiras pode ter ficado para trás. 

Para os analistas, as condições financeiras muito mais apertadas em 2025 terão um impacto significativo nos resultados — um efeito duplo de crescimento limitado da receita e aumento das despesas financeiras líquidas. 

A expectativa é que o Ibovespa (excluindo Petrobras e Vale) terá um crescimento de lucros de 16% em 2025. Entretanto, os analistas alertam que esse número pode ser revisado para baixo, caso a economia brasileira continue fraquejando.

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Para completar o cenário desolador, a fuga de capital estrangeiro da bolsa brasileira continua. Em 2024, estrangeiros venderam R$ 32,1 bilhões em ações, enquanto investidores institucionais se desfizeram de R$ 32 bilhões.

“Dada a ausência de gatilhos no mercado e as taxas de juros em alta (nossa projeção é de 15,25% até meados de 2025, mas com riscos de alta), achamos difícil imaginar essa tendência se revertendo em breve”, avaliou o BTG.

Os desafios macroeconômicos para ações neste ano

Já do lado macroeconômico, o problema fiscal do Brasil continua a ser o principal fator doméstico responsável pela perda de apetite dos investidores pela bolsa brasileira.

A começar pelo bolso do governo, a equipe do BTG calcula que o rombo nas contas públicas (déficit primário) deve chegar a 0,64% do PIB em 2025,  elevando a relação dívida/PIB para 82,4%. 

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E o pacote fiscal anunciado? Basicamente, é insuficiente para estancar a sangria. Os analistas preveem um impacto de apenas R$ 45 bilhões até 2026, valor considerado insuficiente para estabilizar as dívidas.

Para piorar, para o BTG, o presidente Lula ainda não mostrou a que veio em termos de política fiscal, o que deixa o mercado com um pé atrás. 

A incerteza sobre as eleições de 2026, com o risco de medidas populistas no ano eleitoral, só aumenta a dor de cabeça dos investidores.

E lá fora, a coisa também não está fácil e deve continuar a pesar sobre as ações domésticas. 

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Nos EUA, os juros continuam elevados e o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) já sinalizou uma postura mais cautelosa em relação à política monetária daqui para frente, o que pode drenar o fluxo de capital para mercados emergentes, como o Brasil. 

Por sua vez, a China vivencia uma desaceleração severa da economia e está pisando no freio da demanda por commodities devido à mudança de foco do governo para estimular o consumo interno — o que impacta diretamente o bolso do Brasil.

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