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Os candidatos à prefeitura de São Paulo estiveram frente a frente pela última vez antes do segundo turno
Às vésperas do 2º turno das eleições municipais, os candidatos à prefeitura de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL), tiveram seu último debate transmitido pela TV Globo nesta sexta-feira (25).
Em uma discussão tida como “morna”, o atual prefeito da capital e o deputado federal discutiram temas como a privatização da Sabesp, a questão fiscal da cidade e até mesmo a campanha de vacinação contra a Covid-19.
O terceiro colocado no primeiro turno, Pablo Marçal (PRTB), não foi mencionado durante o debate. Mais cedo, Boulos havia participado de sabatina promovida pelo influenciador em uma tentativa de conquistar parte do eleitorado de Marçal, que declarou que anulará o voto após Nunes recusar convite para participar.
Boulos é apadrinhado pelo presidente Lula (PT) e recebeu o apoio dos candidatos derrotados Tabata Amaral (PSB) e José Luiz Datena (PSDB). Nunes é endossado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e recebeu apoio de Marina Helena (Novo)
No primeiro turno, o atual prefeito terminou a apuração com 29,49% dos votos, enquanto o psolista ficou com 29,08%.
Ricardo Nunes começou o debate exaltando sua parceria com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
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Em um gesto à direita, defendeu concessões e parcerias público-privadas, mencionou que reduziu impostos sobre aplicativos de streaming e lembrou o acordo com o então presidente Jair Bolsonaro (PL), seu aliado, para acabar com a dívida da Prefeitura com a União.
Além disso, mencionou a ausência de Boulos em uma votação na Câmara dos Deputados de um projeto de lei para aumentar a pena de criminosos. E reforçou que o rival é favorável a descriminalização das drogas, do aborto e a desmilitarização da Polícia Militar e que diz ter mudado de posição por conveniência eleitoral.
Guilherme Boulos se colocou como o candidato da mudança e afirmou que sua missão era mostrar aos paulistanos que Nunes não foi um bom prefeito e que faltou firmeza ao emedebista nos momentos em que a população mais precisava.
"Você não teve pulso para enfrentar a Enel como deveria, apoiou a privatização da Sabesp em troca de apoio eleitoral (de Tarcísio) e tivemos a privatização dos cemitérios", declarou, acrescentando que os custos para realizar velórios e enterros subiu.
"A Sabesp pode virar a Enel da água. Olha o que aconteceu nos cemitérios, na Enel e o que pode acontecer com a Sabesp", afirmou Boulos.
O candidato do PSOL, que se comprometeu a ter responsabilidade fiscal, se defendeu ao dizer que defende a descriminalização do usuário de maconha, mas que traficantes são criminosos e precisam ser alvo da polícia.
"O que sempre defendi foi a diferenciação de usuário e traficante, a descriminalização do usuário. O que quer dizer isso? Traficante de droga é caso de polícia. Usuário tem que ser tratado e recuperado. É isso que defendo", disparou Boulos.
Em seguida, pressionou Nunes a responder se o ex-presidente Bolsonaro acertou na gestão da pandemia. O emedebista inicialmente desviou do assunto, mas depois respondeu.
"São Paulo na minha gestão se tornou a capital mundial da vacina. A vacina que você tomou foi o Bolsonaro que mandou para cá. Não sou julgador do presidente", disse Nunes. Durante a campanha, em aceno aos bolsonaristas, o prefeito disse que passou a ser contra a obrigatoriedade da vacina e a considerar que foi um erro o fechamento do comércio.
O emedebista criticou a gestão do governo Lula (PT) sobre a incidência de casos de dengue em 2024.
A ex-prefeita Marta Suplicy (PT), candidata a vice na chapa de Boulos, também foi citada no debate. Ela era secretária na gestão Nunes até o início do ano, mas pediu demissão para voltar ao PT, partido que deixou em 2015, e se aliar ao PSOL após articulação de Lula.
"Você poderia perguntar para ela como foi liderar o processo de impeachment da Dilma Rousseff", respondeu Nunes em tom de ironia após ser questionado por Boulos sobre o que pensava do governo feito pela petista na capital paulista.
O candidato do PSOL questionou o atual prefeito quanto o Executivo municipal tem em caixa, que afirmou que a Prefeitura tem um "caixa saudável", mas que está comprometido com os pagamentos.
"Temos hoje, na Prefeitura de São Paulo, um caixa saudável. Tudo que a gente tem está empenhado ou comprometido para os pagamentos. O saldo hoje deve estar, em torno, de R$ 22 bilhões. Não quer dizer que está com o dinheiro livre. Resolvi a saúde financeira para cuidar da saúde das pessoas. O orçamento em 2017 eram R$ 10 bilhões, esse ano serão R$ 21 bilhões".
Boulos rebateu Nunes, dizendo que a Prefeitura teve déficit de R$ 5 bilhões em 2023. "Você fala em saúde financeira, é importante dizer que você fez déficit de R$ 5 bilhões no ano passado. Mais importante do que isso, hoje a cidade tem mais de R$ 22 bilhões no caixa, mas por que esse dinheiro não foi, de verdade, para a saúde das pessoas?".
Nunes projetou, então, que fará 25 UBSs e 15 UPAs em um possível novo mandato. Boulos o rebateu, dizendo que parte desses equipamentos foram feitos na gestão de João Doria.
O psolista voltou a falar de seu projeto que, segundo ele, terá ajuda do presidente Lula, o Poupatempo da Saúde. "Decidi fazer o Poupatempo da Saúde para que isso melhore na realidade, não só no discurso e propaganda do Nunes. Poupatempo da Saúde terei ajuda do presidente Lula, que já se comprometeu a trazer recursos federais para isso".
Se os dois primeiros blocos foram sobre temas da cidade, no terceiro, quando o programa já superava uma hora de duração, o assunto passou a ser a relação dos candidatos com a Justiça.
Boulos mencionou a Máfia das Creches, esquema de desvio de recursos públicos no qual Nunes é investigado. Segundo o psolista, o prefeito recebeu dois cheques em sua conta de uma entidade envolvida no esquema.
Nunes respondeu que o Ministério Público investigou o caso e que seu sigilo fiscal foi quebrado. "Não foi identificado nada porque eu não devo nada. Tenho uma vida limpa, nunca tive indiciamento nem condenação. Todos os recebimentos da minha empresa foram por serviços prestados", continuou o prefeito.
Assim como no último debate, Nunes leu a manifestação de um promotor e afirmou que Boulos fugiu da Justiça por seis anos para conseguir a prescrição de uma ação por dano ao patrimônio público registrada durante uma operação de reintegração de posse em 2012.
O candidato do PSOL manteve a linha e citou denúncia de Nunes em um episódio ocorrido em 1997 no qual o prefeito deu tiros para o alto na frente de uma boate em Embu das Artes. Boulos também acusou o prefeito de ter o ex-cunhado de Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), como chefe de gabinete da Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb).
Ao final, ambos os candidatos defenderam a manutenção do subsídio do transporte público, divergiram sobre o tamanho da população em situação de rua , mas concordaram que o "Pode Entrar", programa de habitação da Prefeitura, é uma boa iniciativa.
* Com informações do Estadão Conteúdo.
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