Onde investir em outubro? Eletrobras (ELET6), Cyrela (CYRE3), Alianza Trust (ALZR11) e mais
Segundo analistas da Empiricus Research, é possível investir em ativos promissores mesmo após a alta da Selic; confira a cobertura

O enredo da “novela” dos juros globais ganhou uma nova reviravolta no final de setembro: enquanto o Federal Reserve (Fed) realizou o primeiro corte dos juros americanos depois de meses de expectativa, o Banco Central brasileiro foi na direção oposta e aumentou a Selic em 0,25 p.p.
A consequência do corte foi positiva na maior parte das bolsas mundiais, mas o mercado brasileiro não seguiu o exemplo. O Ibovespa caiu 2,29% só em setembro, fechando o mês no negativo.
É claro que o fechamento do mês não animou os investidores da renda variável – mas isso não significa que não é possível encontrar boas oportunidades para investir na renda variável em outubro.
“O mercado de ações não é todo igual. Quando falamos de Selic subindo, muita gente acha que vai ser muito ruim para todas as ações, mas na verdade não é bem assim”, explicou o analista Ruy Hungria, durante a edição de outubro do programa Onde Investir, no YouTube do Seu Dinheiro.
E as oportunidades vão além do mercado de ações. Segundo o analista de fundos imobiliários Caio Araujo, agora pode ser um bom momento para investir nessa classe de ativos. “Tem opções de mercado interessantes, alguns fundos que a gente indicou tiveram performance positiva no último mês”, afirmou durante o programa.
Os analistas convidados do Onde Investir ainda revelaram seus ativos preferidos de cada classe para investir em outubro. Confira a seguir os melhores momentos do programa, ou assista o conteúdo na íntegra abaixo:
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Ações: ‘A bolsa ficou mais barata ainda’
O primeiro bloco do Onde Investir em Outubro contou com a presença da analista Larissa Quaresma para comentar o mercado de ações brasileiras.
Segundo a analista, o desempenho negativo da bolsa brasileira em setembro é consequência de uma “tempestade perfeita para a inflação”.
De um lado, os eventos climáticos recentes pressionaram a inflação de alimentos e energia. De outro, o crescimento da economia brasileira acima do potencial também vem pressionando os preços. Soma-se a isso a “perda de credibilidade da política fiscal”, evidenciada no último relatório de receitas e despesas do governo.
Mas a situação não é tão preocupante quanto parece, afirma a analista. “A bolsa ficou mais barata ainda. Tinha feito máxima histórica em agosto, então uma correção em setembro não é nada muito preocupante. Acho que o barulho está alto e, a partir desse valuation depreciado, vejo potencial para a nossa bolsa andar”, explica.
Outro ponto positivo é o pacote de estímulos da economia chinesa, que podem ter impacto positivo nas empresas brasileiras ligadas a commodities, especialmente se houver um aumento sustentado da demanda por minério de ferro e outros produtos básicos.
Nesse contexto, a analista recomenda alocação em setores mais defensivos, como o elétrico. A principal recomendação para o mês são as ações da Eletrobras (ELET6), uma tese de turnaround pós-privatização com potencial de se beneficiar da alta dos preços de energia.
Dividendos: ‘As empresas que pagam dividendos sentem menos o efeito do aumento dos juros’
No segundo bloco do programa, o analista Ruy Hungria discutiu as perspectivas para as ações pagadoras de dividendos.
O analista defendeu que agora é um bom momento para ter empresas pagadoras de dividendos no portfólio, já que essa categoria de ativos costuma ser menos afetada pelos ciclos de alta da Selic.
“É claro que a Selic mais alta dificulta a maioria dos negócios, torna o custo da dívida maior, mas as empresas que pagam dividendos acabam sentindo menos esse efeito”, argumenta Ruy Hungria. “As empresas que pagam dividendos têm um retorno mais no curto prazo.”
Além disso, as pagadoras de dividendos oferecem uma oportunidade de lucro dupla: através dos proventos e do potencial de valorização. Nesse contexto, a principal aposta do analista para o mês de outubro é Cyrela (CYRE3).
“Entendemos que mesmo num ambiente desafiador, a Cyrela vai conseguir entregar bons resultados”, afirma o analista. Por outro lado, se a conjuntura macro for mais favorável, a companhia também pode se beneficiar, já que o pior cenário já está precificado nas cotações da empresa.
Fundos imobiliários: ‘Outubro pode reservar algumas surpresas’
O mercado de fundos imobiliários foi o tema do terceiro bloco do Onde Investir em Outubro, contando com os insights de Caio Araujo, da Empiricus Research.
O analista comentou o desempenho negativo do mercado em setembro. Segundo Caio, a alta da Selic foi apenas um dos fatores determinantes para que os FIIs sofressem – o descompromisso com a política fiscal, o aumento das tensões globais e o fluxo de recursos negativos na renda variável também condicionaram as baixas do mês.
No entanto, Caio Araujo acredita que não há motivo para fazer movimentos bruscos na carteira. “Eu sigo considerando que uma carteira bem balanceada entre crédito e tijolo vai ser bem sucedida no médio a longo prazo”, aconselha o analista.
O portfólio recomendado por Caio Araujo conta com cerca de 40% alocado em fundos de crédito e 60% em fundos de tijolo. O destaque para o mês é o Alianza Trust Renda Imobiliária (ALZR11).
O FII está em um patamar atrativo, além de estar inserido numa classe interessante: a de fundos híbridos. “É uma classe interessante porque você tem uma alta previsibilidade de receita imobiliária, dado os contratos longos com multas elevadas. Tende a ter desempenho resiliente”, afirma o analista.
Ações internacionais: ‘Tem um espaço para possíveis novos ganhos’
O analista de ações internacionais Enzo Pacheco comentou os mercados globais no penúltimo bloco do Onde Investir em Outubro.
Os holofotes do mês de setembro recaíram sobre o corte de juros nos Estados Unidos. Enzo acredita que novos cortes devem acontecer nos próximos meses, provavelmente na casa dos 0,25%.
“O Powell não deixou um caminho pré-definido. Não é que ele vá fazer cortes de 0,50% a partir de agora, é provável que venha um corte de 0,25% no próximo mês, a não ser que a economia americana piore e precise de fato de um corte mais rápido. Mas aparentemente a economia americana está caminhando bem”, afirmou o analista.
Do outro lado do Pacífico, a China chamou atenção ao anunciar um pacote de estímulos monetários. Embora o mercado preferisse medidas fiscais, Enzo acredita que o impacto geral da decisão é positivo.
A chinesa Alibaba (BABA34) foi uma das beneficiadas. “A valorização foi de mais de 30% na BDR, então eu resolvi reduzir parcialmente a posição. Nós tínhamos 15%, eu reduzi para 10%, porque eu ainda vejo um espaço possível para novas valorizações, mas vamos colocar uma parte do lucro no bolso”, explicou o analista.
Enzo acredita que mesmo com a valorização, vale a pena investir nas ações da Alibaba. O analista ainda recomendou outras ações para se ter na carteira em outubro: Visa (VISA34) e United Health (UNHH34).
“Por questões mais técnicas do que fundamentalistas, eu acho que valeu a pena aumentar a posição em Visa”, justificou Enzo.
Já no caso da United Health, Enzo explica: “É a maior seguradora dos Estados Unidos. Se a economia não estiver num momento tão bom, é uma empresa mais defensiva, por ser do setor de saúde. E é um papel que sofreu em setembro”.
Criptomoedas: ‘Continuamos muito animados para o trimestre final de 2024’
O bloco final do programa tratou sobre o mercado de criptomoedas. Valter Rebelo, head do departamento de criptoativos da Empiricus Research, se mostrou animado pelo saldo de setembro – o mês, que costuma ser negativo, terminou com o bitcoin fechando em alta.
“Isso foi muito resultado da surpresa do Fed, que baixou os juros em 0,50%. Isso importa para todo e qualquer ativo de risco, mas para cripto ainda mais”, afirmou Valter. “O bitcoin é um barômetro de liquidez. Com o Fed dando o direcionamento de que vai continuar baixando os juros, isso faz com que o dólar na margem se desvalorize, e ativos denominados em dólar passem a valer mais”.
Outro fator muito discutido quando se fala em criptomoedas é o efeito das eleições dos Estados Unidos. Para Rebelo, o gatilho de liquidez ainda é o ponto mais importante para desbloquear valorizações no mercado cripto, mas uma eleição de Donald Trump poderia trazer ares positivos para os ativos.
“Agora temos uma clareza maior de que o cenário regulatório será positivo se o Trump for eleito, por conta da postura de querer desburocratizar, querer utilizar como reserva de valor.
Fora o lobby dele – o segundo maior doador da campanha e da eleição foi uma empresa de cripto, foi algo sem precedentes, mais de US$ 100 milhões doados”, comentou o especialista.
Rebelo salientou ainda que não é só o Bitcoin que se beneficia desse movimento – as altcoins, criptomoedas menores, seguem as valorizações do BTC.
Nesse contexto, o especialista recomenda ter Pendle (PENDLE) na carteira. “É um protocolo que atua na tokenização de rendimentos. É algo que está super no começo, é um lugar interessante para olhar”, recomenda.
Confira as recomendações a íntegra
Para saber mais sobre as teses por trás de cada recomendação e conhecer em detalhes os insights de cada analista, veja o Onde Investir em Outubro.
O programa está disponível no canal do YouTube do Seu Dinheiro, e você pode assistir abaixo:
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