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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

AÇÕES NA VITRINE

Multiplan (MULT3) propõe pagar R$ 2 bilhões por participação de um dos maiores investidores históricos

O Ontario Teacher’s Pension Plan (OTPP) colocou à venda toda a sua posição na companhia — a própria Multiplan e o fundador devem levar os papéis

Camille Lima
Camille Lima
20 de setembro de 2024
10:39 - atualizado às 18:05
Fachada do shopping Village Mall, da Multiplan (MULT3) | Dividendos
Localizado no Rio de Janeiro, o VillageMall é um dos principais shoppings do portfólio da Multiplan (MULT3) - Imagem: Divulgação

A Multiplan (MULT3) chamou na noite da última quinta-feira (19) os acionistas para decidirem quem vai ficar com a fatia de 18,5% na companhia em meio à saída de um dos maiores investidores históricos da administradora de shoppings.

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O Ontario Teacher’s Pension Plan (OTPP) colocou no fim de junho à venda toda a sua posição restante na companhia, cerca de dois meses depois de se desfazer da outra metade da fatia.

Acionista da empresa há 18 anos, o fundo de pensão dos professores canadense pretende vender as 111.260.914 ações MULT3 que detém na empresa.

De acordo com o acordo de acionistas entre o OTPP e o fundador da Multiplan, José Isaac Peres, o fundo não poderia vender a fatia de forma pulverizada em bolsa.

O fundador da administradora de shoppings decidiu comprar as 21.211.387 ações, elevando sua fatia na companhia de 26,2% para 35,37%, excluindo o total em tesouraria.

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No entanto, Peres decidiu oferecer à companhia, por meio da Multiplan Participações (MPAR), a oportunidade de adquirir 90.049.527 ações MULT3 nas mesmas condições — e a Multiplan já confirmou o interesse. 

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Pelos termos do negócio — que você pode ler em detalhes mais adiante — a administradora de shoppings pode desembolsar aproximadamente R$ 2 bilhões pela participação.

A Multiplan convocou para 21 de outubro uma assembleia geral extraordinária (AGE) para decidir sobre a transação e as consequentes mudanças na estrutura de acionistas.

Apesar da perspectiva otimista dos analistas para a operação, as ações da Multiplan encerraram o pregão desta sexta-feira (20) em leve queda de 0,75%, a R$ 26,34. No ano, os papéis acumulam leve queda de 4,16%.

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Os termos do negócio da Multiplan (MULT3)

Os termos do negócio estipulam a compra dos papéis a um preço unitário de R$ 22,21. O valor equivale a um desconto implícito de aproximadamente 16,2% em relação à cotação média das ações MULT3 nos últimos 30 pregões.

A cifra ainda implica um desconto de 57,8% sobre o valor justo das propriedades, segundo comunicado enviado à CVM — um cap rate (taxa de capitalização, em português) implícito de 13%, um dos mais altos desde o IPO da companhia, realizado em 2007.

Vale lembrar que o cap rate mede o retorno de um investimento imobiliário através da relação entre a receita gerada pelo ativo e o preço de venda. Isso significa que, quanto maior for a quantia recebida pelo vendedor, menor o indicador.

Se a transação for adiante, a Multiplan pretende realizar a compra das ações com recursos próprios e financiamento de terceiros. 

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Caso os acionistas aprovem a operação na AGE, o fechamento do negócio está condicionado à extinção do acordo de acionistas atual para que o OTPP deixe de integrar o grupo de controle da administradora de shoppings.

Separadamente, a empresa também concordou em cancelar 22,6 milhões de ações atualmente mantidas em tesouraria, reduzindo a cifra para 577,8 milhões de papéis.

Multiplan (MULT3): como vai funcionar a recompra

Segundo fato relevante enviado à CVM, a administração da Multiplan entendeu que a recompra das ações detidas pelo OTPP é “do interesse tanto da companhia quanto do conjunto dos seus acionistas”.

Vale destacar que o objetivo da Multiplan com a recompra de ações é eventualmente cancelar os papéis adquiridos. Com isso, o total de ações MULT3 em circulação (free float), excluindo os papéis mantidos em tesouraria, chegaria a 64,63%.

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“Com a implementação da recompra, todos os acionistas terão sua participação aumentada proporcionalmente em 18,46%, desconsiderando-se as ações em tesouraria antes e após a operação”, escreveu a empresa.

Confira como ficaria a estrutura acionária da Multiplan, caso a transação seja aprovada pelos acionistas:

O que dizem os analistas sobre a recompra da Multiplan (MULT3)

Diante da notícia da recompra de ações bilionária, os analistas do Santander elevaram a Multiplan para a principal escolha no setor de “income properties” no Brasil.

“Estamos movendo a Multiplan para nossa top pick pois acreditamos que a forte qualidade dos ativos, juntamente com padrões diferenciados de governança corporativa e liquidez de ações, justifica o prêmio de valuation que as ações estão sendo negociadas atualmente em relação aos pares”, afirmaram os analistas. 

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Para o banco, o negócio é “altamente positivo”, já que a empresa está aumentando a participação de seus acionistas em “um dos melhores portfólios de shopping centers do Brasil”, a um cap rate de 13% para 2025.

Segundo o Santander, a transação ainda reforça os “padrões diferenciados de governança corporativa” da Multiplan, já que o fundador optou por compartilhar os benefícios financeiros da aquisição das ações da Multiplan com desconto com os acionistas minoritários.

Os analistas ainda avaliam que o negócio reforça o sólido histórico da Multiplan de retorno de capital aos acionistas, com rendimento (yield) de 18% no acumulado do ano após a recompra.

O Santander manteve recomendação “outperform”, equivalente a compra, para as ações MULT3, com preço-alvo de R$ 37 para o fim de 2025, alta potencial de 39% frente ao último fechamento.

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Na avaliação do Goldman Sachs, a operação deve ser bem recebida pelo mercado e manteve recomendação de compra para as ações da Multiplan.

O banco reiterou o preço-alvo de R$ 33 para os próximos 12 meses, correspondente a uma valorização potencial de 24% em relação ao fechamento anterior.

Nas contas dos analistas, a transação resultaria em um aumento da alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida sobre Ebitda, de 1,2 vez para 2,4 vezes em 2024, em linha com a média da companhia de 2011 a 2019 e significativamente abaixo do limite de 4 vezes do covenant de dívida. 

A Genial Investimentos também avalia a transação como positiva do ponto de vista de geração de valor para os acionistas,uma vez que deve resultar em um incremento do indicador de FFO — indicador que mede a capacidade de geração de caixa operacional — por ação de 4,6%.

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Para os analistas, o negócio deve derrubar o múltiplo de preço sobre FFO (P/FFO) dos próximos 12 meses da companhia de 12,2 vezes para 11,7 vezes.

Segundo o BTG Pactual, o acordo demonstra o comprometimento da família Peres com a empresa, aumentando sua participação na Multiplan.

Além disso, para os analistas, a operação é positiva para acionistas minoritários, que compram o portfólio premium da Multiplan a um cap rate de 13% e que deve se traduzir em um ganho de 5% preço por FFO em 2025.

No entanto, o BTG avalia que, após o recente desempenho superior das ações MULT3, que já subiram cerca de 5% a mais do que os pares recentemente, o acordo já foi precificado em sua maior parte.

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*Matéria atualizada às 15h para incluir novo relatório do Santander.

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