Lucro do Banco do Brasil (BBAS3) supera expectativas mais uma vez no 2T24; acionistas receberão R$ 2,6 bilhões em dividendos e JCP
O resultado representa uma alta de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado, ficando acima da média das projeções de lucro líquido recorrente de R$ 9,13 bilhões

Dando sequência na semana de balanços dos grandes bancos brasileiros, o Banco do Brasil (BBAS3) manteve a boa toada e registrou lucro líquido recorrente de R$ 9,502 bilhões no segundo trimestre.
O resultado representa uma alta de 8,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, o resultado ficou acima da média das projeções compiladas pelo Seu Dinheiro, que apontava para um lucro líquido recorrente de R$ 9,13 bilhões.
Dessa forma, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio (ROAE, na sigla em inglês) do Banco do Brasil registrou alta de 0,26 ponto percentual, atingindo a marca de 21,6%, resultado também acima da média compilada pelo Seu Dinheiro, de 20,65%.
Assim, o índice ficou abaixo daquele registrado pelo Itaú Unibanco (22,4%), porém superando de longe o do Santander (15,5%) e do Bradesco (10,8%).
Vale lembrar que o Nubank publica seus resultados trimestrais na próxima terça-feira (13), no mesmo dia em que o BTG Pactual. Veja aqui o calendário de balanços completo.
Margem financeira do Banco do Brasil (BBAS3)
Junto com a alta do lucro, o Banco do Brasil apresentou um aumento de 3,9% na carteira de crédito ampliada no trimestre e de 13,2% nos últimos 12 meses. O saldo de financiamentos do banco atingiu a marca de R$ 1,182 trilhão no fim de junho.
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E, assim como vinha ocorrendo nos últimos trimestres, o chamado "efeito Javier Milei" também ajudou o resultado do Banco do Brasil
Na comparação com o segundo trimestre de 2023, houve um desempenho positivo da margem com mercado, que cresceu 146,5% nos últimos 12 meses e foi influenciado pelo resultado de tesouraria e pela maior margem do Banco Patagonia, controlado pelo Banco do Brasil.
Recapitulando, os ganhos nos recentes balanços vieram da variação cambial sobre o resultado dos títulos atrelados ao dólar que o banco mantém na carteira. Isso porque uma das primeiras medidas de Milei foi promover uma desvalorização da cotação oficial do peso.
Assim, no balanço do Banco do Brasil, esse "efeito Milei" se reflete na margem financeira, que cresceu 11,6% em relação ao segundo trimestre de 2023, atingindo os R$ 25,549 bilhões.
Além disso, a receita com prestação de serviços do Banco do Brasil avançou 6,7% em relação ao mesmo período de 2023, atingindo os R$ 8,845 bilhões.
Demais despesas do banco
Por último, mas não menos importante, o índice de inadimplência do Banco do Brasil voltou a crescer e atingiu o patamar de 3,0%. O indicador sobe tanto na comparação com março deste ano (2,9%) quanto em relação ao mesmo trimestre do ano passado (2,73%).
Antes da publicação dos resultados, a expectativa era de que houvesse uma deterioração desse índice, puxada especialmente pelo segmento de pequenas e médias empresas (PMEs).
Com isso, vale citar que a carteira classificada de Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) encerrou junho deste ano com saldo de R$ 121,8 bilhões — o que representa um crescimento de 1,8% no trimestre e 10,7% em 12 meses.
A linha do balanço que contabiliza as provisões também deve ser afetada por essa piora.
Por falar nelas, as provisões para perdas no crédito, um dos pontos que preocupam os analistas, permaneceu em alta, avançando 8,8% na comparação com os últimos 12 meses, somando R$ 7,807 bilhões.
Lembrando que as projeções (guidance) do BB para 2024 apontavam para provisões entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões — mas as expectativas foram revisadas (veja mais abaixo).
Por fim, a linha que contabiliza as despesas operacionais registrou uma alta de 4,9% na comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo um montante de R$ 9,245 bilhões.
Novo cálculo da rota para o Banco do Brasil (BBAS3)
Junto com o balanço, o Banco do Brasil também atualizou as projeções (guidance) da instituição para o fim de 2024.
Começando pela atualização da margem financeira, a expectativa é de que ela cresça algo entre 10,0% e 13,0%, enquanto as projeções anteriores apontavam para um aumento entre 7,0% e 11,0%.
O que pode pesar do lado negativo foi a revisão para as provisões para perdas no crédito, que saíram da faixa entre os R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões para o intervalo entre R$ 31 bilhões e R$ 34 bilhões.
Dinheiro no bolso do acionista
Já outras notícias positivas incluem o anúncio de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) das ações BBAS3.
O banco anunciou que pretende pagar pouco mais de R$ 866 milhões em dividendos e outros R$ 1,795 bilhão em JCP aos acionistas. O Banco do Brasil ainda informou que haverá retenção de imposto de renda na fonte (de 15%) sobre o valor nominal, de acordo com a legislação vigente.
Os valores pagos serão atualizados, pela taxa Selic do dia 30 de junho até o dia do pagamento, em 30 de agosto, tendo como base a posição acionária dos investidores no dia 21 deste mês. Com isso, as ações serão negociadas a “ex” a partir do dia 22 de agosto e podem passar por um ajuste na cotação referente aos proventos já alocados.
Então você pode optar por comprar a ação agora e ter direito aos dividendos ou esperar a data de corte e adquirir os papéis por um valor menor, mas sem o direito ao JCP.
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