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Em uma eleição tão polarizada, qualquer franja possível para ganhar eleitores é explorada pelos candidatos — e o setor de ativos digitais é uma delas
A corrida pela Casa Branca colocou o atual presidente Joe Biden e o ex-presidente Donald Trump de lados opostos do embate. E o trabalho de angariar votos exige jogo de cintura de ambos os lados — e o republicano vem apostando suas fichas nos investidores em criptomoedas e bitcoin (BTC).
Trump é conhecido por fazer diversos acenos para o setor de ativos digitais, como lançar uma coleção de figurinhas digitais no formato de NFTs em dezembro de 2022 — ainda disponíveis na plataforma OpenSea, com algumas peças vendidas pelo equivalente a US$ 500.
Mas a relação do republicano se fortaleceu nos últimos meses de campanha, o que se refletiu em um apoio de mais de 100 personalidades desse universo.
De acordo com uma pesquisa do Wall Street Journal, a campanha levantou o equivalente a US$ 3 milhões em criptomoedas no segundo trimestre deste ano, incluindo bitcoin, ethereum (ETH), dogecoin (DOGE) e shiba inu (SHIB).
No semestre, foram mais de US$ 331 milhões doados em ativos digitais, de nomes como Cameron e Tyler Winklevoss, os gêmeos fundadores da Gemini, e Jesse Powell, co-fundador da corretora de criptomoedas (exchange) Kraken.
O recente atentado sofrido pelo candidato durante o ato de campanha foi a diferença entre “o bitcoin a US$ 30 mil e US$ 60 mil”, como escreveu Valter Rebelo, chefe de research de criptomoedas da Empiricus, em sua mais recente coluna.
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Mas a eleição só acaba quando termina, pegando emprestado aqui um jargão futebolístico. E, mesmo sem a eleição de Trump, o mercado de criptomoedas deve continuar a se valorizar. Entenda por que a seguir.
Para Taiamã Demaman, líder de research da Coinext, a verdade é que Trump se aproximou do setor de criptomoedas para conquistar votos desse segmento, que vinha apresentando um crescimento exponencial nos últimos anos. Ele, inclusive, chegou a ser contra esse mercado.
Em uma eleição tão polarizada, qualquer franja possível para ganhar eleitores é explorada pelos candidatos. A própria escolha de J.D. Vance, Senador pelo estado de Ohio e conhecido por um histórico relacionado às criptomoedas, mostra essa inclinação ao mercado.
Do outro lado, Demaman também acredita que a aprovação dos primeiros fundos de índice (ETFs, em inglês) de bitcoin à vista (spot) teve influência do governo de Joe Biden. Isso porque a aprovação dos produtos estava “travada” na SEC, a CVM dos EUA.
“Se os candidatos à presidência precisam de cripto para se eleger, quer dizer que cripto está ficando importante”, afirma. “É um sinal verde que a política já reconhece esse mercado como uma coisa importante”.
Para ele, o sinal é ainda mais otimista: “não é o mercado de criptomoedas que precisa da política, é a política que precisa das criptomoedas agora.”
Na mais recente pesquisa eleitoral da Ipsos/Reuters, divulgada na terça-feira, Donald Trump tem 43% das intenções de voto, enquanto Joe Biden aparece com 41%. Com a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, ambos estão em empate técnico.
Esse foi o primeiro levantamento do instituto após o atentado contra Trump, que oficializou sua candidatura junto com a indicação do seu vice na semana passada.
Na agenda do republicano, Trump deve realizar um discurso no próximo evento Bitcoin 2024 em Nashville, no sábado, 27 de julho.
Do outro lado, Joe Biden deve ser confirmado como o candidato democrata ainda neste mês, segundo o comitê do partido. Sua candidatura vem sendo questionada após uma desastrosa participação no debate contra Trump.
O primeiro turno das eleições acontece no dia 5 de novembro, uma terça-feira, e muita água deve rolar até lá.
Vale lembrar que o segundo semestre reserva algumas perspectivas positivas para o mercado de criptomoedas como um todo. O início das negociações dos primeiros ETFs de ethereum spot é um desses eventos.
Além disso, há uma grande expectativa em relação ao corte de juros por lá. Recentemente, o mercado passou a precificar como 100% a chance de o alívio monetário nos EUA começar em setembro.
Do lado da atual gestão, Biden tem a seu favor a máquina do governo e pode conquistar os “cripto-eleitores” pressionando pela aprovação de novos produtos no mercado de criptomoedas, como o ETF de Solana (SOL), por exemplo.
O alívio do aperto monetário também pode contribuir para um avanço do mercado de ativos digitais e para uma imagem positiva do atual presidente.
Já Trump tem poucas armas além de promessas de campanha agora. Porém, se o republicano repetir o que fez na sua última passagem pela Casa Branca, entre 2017 e 2020, há alguns pontos a serem considerados.
Dois deles são a guerra comercial com a China — que pode influenciar na percepção de risco internacional e, consequentemente, na política de juros — e a postura de confrontação ao presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Jerome Powell.
Trump disse que Powell, indicado por ele em 2018, fica até o fim de seu mandato no Fed, mas como uma condição: “se eu achar que ele está fazendo a coisa certa”.
Em outras palavras, há uma possibilidade de interferência ou pressão no BC por lá, o que poderia culminar em um corte de juros “forçado” no país. Consequentemente, o aumento da liquidez tende a melhorar as cotações dos ativos de risco — como criptomoedas e ações.
Para tanto, porém, o agora candidato republicano precisaria passar da ameaça à prática. Em seu primeiro mandato, apesar das duras críticas ao trabalho de Powell, Trump o manteve no cargo.
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