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O economista avalia que o mercado “não precisa perder o sono”, mas sim manter a disciplina em relação ao sistema de metas de inflação
Enquanto ontem o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tecia críticas ao "coro velado" do mercado de que a inflação no Brasil estaria alta, nesta quinta-feira (23), um dos maiores banqueiros do país reforçou o otimismo com a macroeconomia brasileira.
Na avaliação do sócio-fundador e presidente do conselho de administração do BTG Pactual, André Esteves, o Brasil corrigiu uma das maiores ansiedades da economia: a hiperinflação.
“Estamos muito bem do ponto de vista da inflação. Sobre expectativa, está fora da meta, mas todos sabem que a inflação ser 3,70 ou 3,80 não vai mudar a vida de ninguém, principalmente com o passado que nós fomos treinados”, afirmou, em evento realizado pelo BTG.
Segundo Esteves, na média de quatro anos, a inflação brasileira contada a partir de 2023 será “a mais baixa desde que o Brasil é uma República”. “Não é necessariamente por mérito deste governo, mas porque a sociedade fez uma escolha de ter inflação baixa.”
Além disso, o economista avalia que o mercado “não precisa perder o sono”, mas sim manter a disciplina em relação ao sistema de metas de inflação, que hoje está fixada em 3%.
“Apesar de a expectativa ter deteriorado um pouco, ela também está dentro da meta. A disciplina também significa que, quando a expectativa começa a desancorar, o Banco Central tem que latir, porque se latir alto, ele não precisará morder.”
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De acordo com o presidente do conselho do BTG, é melhor que o BC continue a trazer “atas duras” no Copom, porque implica que a taxa de juros, a Selic, pode ser mais baixa. “Mas a gente tem que respeitar essa deterioração de expectativa.”
Para além da inflação, o Brasil teve outra grande conquista macroeconômica com o equilíbrio do balanço de pagamentos, que “tirou da frente o fantasma de super desvalorizações e do câmbio fora de controle”.
Mas para André Esteves, um outro desafio macroeconômico se impõe sobre o Brasil atualmente: o fiscal.
“A gente ainda precisa se conscientizar de que a questão fiscal é muito simples: você não pode gastar mais do que você ganha. Se um país gasta mais do que arrecada, nós contratamos a certeza de que as futuras gerações vão ser oneradas ou com mais impostos ou com piores serviços sociais — e muito provavelmente, com a combinação das duas coisas.”
Na avaliação do sócio-fundador do BTG Pactual, o Brasil ainda não encontrou um consenso para resolver a questão fiscal, mas “está caminhando”. “O primeiro passo para resolver um problema é que ele esteja em cima da mesa, e o fiscal está”, disse Esteves.
Já segundo Mansueto Almeida, economista-chefe do banco e ex-secretário do Tesouro Nacional, apesar da carga tributária elevada do Brasil hoje, ainda há um grande buraco fiscal.
“A notícia boa é que foi aprovado um plano fiscal que tenta colocar uma trava no ritmo de crescimento do gasto público”, destacou Almeida.
Enquanto isso, na ponta negativa, estão as regras automáticas de crescimento das despesas obrigatórias do governo federal, como os benefícios previdenciários e assistenciais, que são ligados ao salário mínimo, ou o gasto com saúde e educação, vinculado à arrecadação.
“Quando o governo faz um esforço de um plano fiscal aumentando a arrecadação e mudando regimes especiais tributários, ele necessariamente terá que gastar mais com saúde e educação”, afirmou o economista.
“Quando o governo tem que gastar mais para lidar com evento inesperado, como é o caso da tragédia que ocorreu no Rio Grande do Sul, isso não é problema, porque esse gasto não é recorrente. O problema é o gasto que cresce todos os anos e que não desaparece.”
Para Mansueto, desvincular determinadas despesas da arrecadação “imediatamente vai reduzir o risco fiscal” e ajudará a criar um ambiente propício para a queda de juros, que impacta diretamente o nível de investimentos do país.
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