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Fortunas dos maiores bilionários do mundo cresceram em 114% desde a pandemia, enquanto 5 bilhões de pessoas ficaram mais pobres

Segundo o levantamento da Oxfam, nos próximos 10 anos o mundo poderá ter seu primeiro trilionário, mas, no ritmo atual, levará quase 230 anos para acabar com a pobreza

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Imagem: Shutterstock

“Eu quero me livrar dessa situação precária, onde o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre”. A música do grupo As Meninas fez sucesso nos carnavais dos anos 2000 e dominou os blocos de rua no país. Porém, um relatório da Oxfam – organização internacional dedicada ao combate às desigualdades – sobre bilionários mostra que a canção funcionou quase como uma previsão do futuro.

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De acordo com o documento, a riqueza dos cinco homens mais ricos do mundo aumentou 114% de 2020 até os dias de hoje. Em contrapartida, o patrimônio de 5 bilhões de pessoas diminuiu no mesmo período.

A pesquisa foi divulgada nesta segunda-feira (15), durante o Fórum Econômico Mundial, evento que reúne a elite do mundo corporativo em Davos, na Suíça, para debater a economia mundial. Neste ano, os temas levantados giram em torno de questões sociais.

O 1% mais rico também possui 43% dos ativos globais, de acordo com a Oxfam. A percentagem é maior no Médio Oriente, na Ásia e na Europa, onde os mais ricos detêm mais de 47% da riqueza.

E não foram só os bilionários que viram suas fortunas “subirem”, as grandes multinacionais registaram um aumento de 89% nos lucros apenas entre 2021 e 2022.

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A situação é realmente precária: nos próximos 10 anos o mundo poderá ter seu primeiro trilionário, mas levará quase 230 anos para acabar com a pobreza, considerando o ritmo atual.

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Além disso, se cada um dos cinco homens mais ricos gastasse um milhão de dólares por dia, eles levariam 476 anos para esgotar toda sua fortuna combinada.

Todo mundo já conhece: os bilionários dos EUA

Para a surpresa de ninguém, os três maiores bilionários do mundo são dos Estados Unidos. Elon Musk, Jeff Bezos e Larry Ellison viram suas fortunas aumentarem em 84% de 2020 até novembro do ano passado.

O patrimônio de Musk teve um crescimento de US$ 216,2 bilhões (R$ 1,04 trilhão) entre 2020 e 2023, segundo a Oxfam, um aumento de 737%. Já a fortuna de Bezos cresceu 24%, ou US$ 32,7 milhões (R$ 155 milhões) no mesmo período.

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Mas eles não foram os únicos. Os bilionários norte-americanos, num geral, ficaram US$ 1,6 trilhão (R$ 7,7 trilhões) mais ricos do que já eram em 2020, o que representa um crescimento de 46%.

Segundo o presidente e CEO da Oxfam nos EUA, Abby Maxman, o país abriga o maior número de bilionários no planeta.

Porém o país também possui “10 milhões de pessoas que enfrentam dificuldades desnecessárias todos os dias, por causa de salários absurdamente baixos, código fiscal injusto e serviços públicos escassos.”, afirmou Maxman por meio de comunicado.

O levantamento da Oxfam ainda apontou que a riqueza dos bilionários está crescendo três vezes mais rápido do que a taxa de inflação norte-americana.

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Para o “cidadão com muita dignidade” – já diria a música do grupo As Meninas –, a taxa de inflação afetou o custo de vida.

O índice de preços no consumidor nos EUA desacelerou para uma taxa anual de 3,1%, abaixo da máxima de 9,1% em junho de 2022. Contudo, ainda não caiu para a meta de 2% da Reserva Federal.

As autoridades do Fed prevêem que a taxa de inflação deve desacelerar para 2% até 2025.

Após a divulgação do relatório, a Oxfam International se pronunciou sobre as desigualdades levantadas pela pesquisa. 

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“Nenhuma empresa ou indivíduo deveria ter tanto poder sobre as nossas economias e as nossas vidas – para ser claro, ninguém deveria ter milhões de dólares”, disse Amitabh Behar, diretor executivo interino da organização, por meio de um comunicado.

As fortunas dos bilionários brasileiros

O cenário brasileiro não é mais promissor – pelo menos para os trabalhadores. Enquanto você dançava o bom xibom, 4 dos 5 bilionários brasileiros mais ricos aumentaram em 51% sua riqueza desde 2020. 

Por outro lado, 129 milhões de pessoas ficaram mais pobres no país. De acordo com o censo de 2022, o Brasil tem cerca de 203 milhões de habitantes.

Além disso, segundo o relatório, apenas 0,01% da população brasileira possui 27% dos ativos do país.

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“O aumento acentuado da riqueza bilionária e o crescimento do poder de empresas e monopólios estão profundamente interligados. Os lucros das megacorporações são usados para beneficiar os acionistas, à custa de trabalhadores e pessoas comuns”, ressalta a Oxfam Brasil por meio do levantamento.

“Fica nítido que a propriedade de ações e participações, em termos econômicos, reflete uma plutocracia e não uma democracia”, afirma o documento.

Situação precária: desigualdades raciais e de gênero

O problema da desigualdade das riquezas no mundo se torna ainda mais profundo quando se observa questões raciais e de gênero.

No contexto global, os homens possuem US$ 105 trilhões (R$ 509 trilhões) em patrimônio a mais do que as mulheres. A diferença é equivalente a mais de quatro vezes a economia dos Estados Unidos, de acordo com a Oxfam.

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Já sob a perspectiva racial, só nos EUA, o patrimônio de uma família negra comum equivale a apenas 15,8% ao de uma família branca comum.

No Brasil, em média, o rendimento dos brancos é mais de 70% superior à renda de pessoas negras.

“No Brasil, a desigualdade de renda e riqueza anda em paralelo com a desigualdade racial e de gênero. Nossos super-ricos são praticamente todos homens e brancos”, afirma Kátia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

*Com informações do portal MarketWatch

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