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Segundo o presidente do Banco Central, se fosse necessário, o BC aumentaria as taxas — mas ainda não é possível cravar uma elevação da Selic
Em meio a especulações sobre um possível aumento dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, pediu calma e cautela aos investidores sobre o futuro da Selic.
"É importante ter calma, ter cautela nos momentos de muita volatilidade", disse o chefe da autoridade monetária, em entrevista ao jornal O Globo.
"A gente tem uma tese não comprovada, mas com indícios, de que o mercado de trabalho forte está começando a afetar serviços, mas ainda não está evidente", pontuou.
Questionado outra vez sobre a possibilidade de elevar os juros, Campos Neto afirmou que, se fosse necessário, o BC aumentaria as taxas.
Entretanto, o presidente do Banco Central destacou que não lembrava de ter mencionado a possibilidade de aumentar a Selic — afinal, quem está projetando esse cenário é o mercado, e não os economistas por si só.
"O mercado já vinha colocando um pouco de expectativa de alta na curva. Mas não depende só do mercado, precisa olhar o cenário daqui para frente. A economia está forte, parte do mercado de trabalho está forte, a inflação em 12 meses bateu 4,5%, mas vai cair um pouco, e os próximos números vão ser melhores."
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O que os dirigentes do Comitê de Política Monetária (Copom) têm sinalizado é que se fosse necessário promover alta do juro básico, isso seria feito, segundo Campos Neto.
Para o economista, atualmente existe a percepção de que haverá uma desaceleração organizada, dados os sinais de melhora da situação internacional.
"Os economistas não estão prevendo alta de juros para este ano, mas o mercado sim."
Os economistas do mercado voltaram a aumentar as projeções para o PIB brasileiro em 2024 — enquanto se dividem nas apostas para os juros, de acordo com a mais recente edição do boletim Focus, divulgada na última segunda-feira (19).
Uma parte do mercado projeta que a Selic deve subir na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 17 e 18 de setembro de 2024.
Na avaliação de Reinaldo Le Grazie, ex-diretor do BC, “não sobrou nada ao Copom a fazer exceto subir a Selic”. Você confere aqui tudo o que Le Grazie sobre os juros em entrevista ao podcast Touros e Ursos.
Enquanto isso, outros economistas avaliam que o patamar atual da Selic, de 10,50% ao ano, já implica em níveis suficientemente restritivos.
Segundo a Focus, a mediana das expectativas do mercado para a Selic no fim do ano segue em 10,50%.
Já para o ano que vem, as perspectivas indicam para um Copom mais comedido em relação a um eventual ciclo de cortes. A projeção para os juros ao fim de 2025 subiu para 10,00%, de 9,75% há uma semana.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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