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Enquanto o Fed se prepara para iniciar um processo de alívio monetário, Brasil flerta com juros ainda mais altos nos próximos meses
Esta semana marca um ponto decisivo em setembro, com o foco global voltado para a próxima reunião do Federal Reserve. A expectativa geral é que o comitê de política monetária dos EUA realize o primeiro corte nas taxas de juros desde 2020, dando início a um ciclo de flexibilização após um longo período de políticas monetárias extremamente restritivas, as mais severas em décadas. A grande questão é o tamanho desse corte: será de 25 ou 50 pontos-base?
Além da decisão do Fed, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão também devem divulgar suas respectivas resoluções de política monetária nesta semana.
No Brasil, o cenário ganha ainda mais relevância com a chegada da "Super Quarta", que trará tanto a decisão do Federal Reserve quanto a do Banco Central do Brasil.
Ao contrário da tendência de cortes de juros que vem sendo observada em outras economias, espera-se que o Copom aumente a Selic em 25 pontos-base, mantendo o ciclo de aperto monetário em andamento.
Nas últimas semanas, a volatilidade tem sido uma constante nos mercados financeiros, e é provável que essa instabilidade continue, uma vez que as especulações sobre as futuras ações das autoridades monetárias seguem influenciando o comportamento dos investidores.
No caso do Copom, espera-se um aumento de 25 pontos-base, elevando a Selic para 10,75% ao ano.
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Esse ajuste reflete uma evolução na comunicação do Banco Central, que tem sido moldada pelos recentes desenvolvimentos econômicos.
O comunicado que acompanhará essa decisão provavelmente destacará uma postura mais cautelosa, sublinhando a necessidade de monitoramento constante do cenário macroeconômico.
Embora, em outro momento, uma postura mais assertiva pudesse ter mantido a Selic inalterada, as declarações recentes do Banco Central indicam que um aumento, mesmo que moderado, é inevitável.
O ajuste de 25 pontos-base parece ser a escolha mais prudente, evitando uma alta mais agressiva de 50 pontos.
Ainda assim, é improvável que esse seja o último aumento, e o caminho dos juros a partir de agora permanece incerto, dependendo de dados econômicos futuros e das ações de outros bancos centrais ao redor do mundo.
O Boletim Focus já reflete uma série de revisões pessimistas, com expectativas mais altas para a inflação, um câmbio mais elevado e uma Selic superior nos próximos anos.
Apesar dessas projeções, o Banco Central mantém uma postura cautelosa em relação às previsões de mercado, que estimam uma taxa terminal de 11,65% para este ano e 12,25% no final do ciclo de aperto.
Fonte: Boletim Focus.
Adicionalmente, o Brasil tem adotado medidas fiscais que se distanciam das diretrizes tradicionais do arcabouço oficial.
Exemplos notáveis incluem a flexibilização na contabilização de precatórios, a exclusão de despesas relacionadas à recuperação fiscal do Rio Grande do Sul e a inclusão de receitas de origem duvidosa nas contas públicas.
Essas práticas trazem à tona memórias da chamada "contabilidade criativa", já utilizada no passado.
Como resultado, o mercado tem demonstrado ceticismo quanto às projeções de superávit fiscal, especialmente diante das recorrentes exceções adotadas.
Essa desconfiança tem impactado diretamente a curva de juros, uma vez que a incerteza fiscal alimenta a necessidade de manutenção de taxas de juros mais elevadas.
Nos Estados Unidos, por outro lado, observou-se um aumento significativo nas expectativas de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) reduzirá as taxas de juros nesta quarta-feira de maneira mais arrojada.
Há apenas uma semana, a probabilidade de um corte de 50 pontos-base era de 30%, mas agora essa estimativa mais que dobrou, com mais de 60% do mercado antecipando uma redução de 0,5 ponto percentual.
Dada a tradição do Fed de evitar surpreender o mercado, a possibilidade de um corte de 50 pontos-base torna-se cada vez mais provável.
Fonte: CME.
Seja como for, mais relevante do que o tamanho do primeiro corte — que acredito ser mais provável de 25 pontos-base devido às pressões do mercado — será a trajetória dos juros a partir dessa redução.
É fundamental lembrar que, na quarta-feira, o Federal Reserve divulgará suas novas projeções econômicas, elaboradas pelos membros do comitê. Essas previsões deverão refletir o impacto da magnitude do corte inicial.
Se o corte for de 25 pontos-base, é provável que as projeções indiquem uma redução acumulada de pelo menos 75 pontos-base ao longo do ano.
Já no caso de um corte de 50 pontos-base, a expectativa é que o Fed sinalize uma queda total de pelo menos 100 pontos-base até o final do ano.
Fonte: CME.
Conforme apontado, as atuais projeções de mercado sugerem que as taxas de juros podem ser reduzidas para a faixa de 2,75% a 3,00% ao ano até o final de setembro de 2024, representando um corte acumulado de mais de 200 pontos-base em 12 meses. Embora essa possibilidade exista, ela não é necessariamente a mais provável.
Por isso, será fundamental acompanhar de perto a coletiva de imprensa de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, que deve trazer informações relevantes sobre os próximos passos da política monetária.
O mercado está atento não apenas ao primeiro corte, mas, sobretudo, à trajetória que será adotada posteriormente, pois o ritmo e a profundidade dessas reduções nas próximas reuniões serão decisivos para moldar o cenário econômico nos próximos meses.
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