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Governo Lula não tem dinheiro para 2027

Questões fiscais estão sendo empurrados pela barriga e o mercado financeiro está precificando em meio aos discursos do presidente

15 de julho de 2024
16:52
Presidente Lula
Imagem: Montagem de Beatriz Azevedo

O governo Lula tem um crítico problema para encarar: a máquina pública consegue girar em 2024, 2025 e 2026 (fim do seu mandato), mas os números indicam que faltará dinheiro para 2027, pós-eleições presidenciais. Ou seja, uma bomba que pode explodir no colo do próximo presidente, que terá que encontrar uma saída para esse enrosco fiscal. 

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Explico abaixo, mas antes quero adiantar um convite: você encontra mais análises assim na CompoundLetter, que é a newsletter do Market Makers, um hub de conteúdo e serviços financeiros com Comunidade de investidores, podcast e fundo de ações (Market Makers FIA). É um conteúdo gratuito com análises e insights exclusivos sobre o Brasil e o mercado financeiro. Inscreva-se neste link

Sem mais delongas, vamos à explicação que eu, Matheus Soares, e nosso time de análise fizemos:

O quadro abaixo é o resumo do resultado do Governo Central divulgado na última semana de maio. Despesas crescendo fortemente em 2024 vs 2023. Despesas com previdência social chamando atenção.

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O resultado de maio especificamente pode ser considerado o pior da série histórica (desde 1997), já que em maio de 2020 os gastos ocorreram devido à Covid.

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No acumulado do ano, em termos reais, também pode ser considerado o pior resultado da série, já que em 2020 e 2021 ocorreram gastos extras devido à Covid.

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No próximo gráfico, observem que, mesmo após a reforma da Previdência, os gastos desta conta estão subindo muito rapidamente. Além disso, projeção do ministério do Planejamento indica que a nova política de reajuste do salário mínimo (inflação + PIB) irá custar R$1,3 trilhão em 10 anos, 50% a mais do que a economia da Reforma da Previdência de 2019.

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Resumo: a percepção da trajetória da dívida pública piorou em maio e as inúmeras falas do Lula contribuíram para azedar ainda mais as projeções que a gente mostrou.

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiria 92,7% em 2033, agora, 98,6% do PIB, com aceleração da dívida após 2026:

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O gráfico abaixo é a foto da dívida líquida do Setor Público (DLSP) em relação ao PIB:

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A diferença entre a dívida líquida e a bruta basicamente são as reservas, que não entram no cálculo da dívida bruta e é mais aceito internacionalmente. O recorde da série histórica é setembro de 2002, 62,45%. Batemos em maio 62,16% e estamos próximos de atingir o pico. Ou seja, o governo não tem dinheiro para 2027.

O relatório de acompanhamento de receitas e despesas do dia 22 de julho será crítico.

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O governo manteve a estimativa de arrecadar R$ 55,6 bilhões com os acordos do voto de desempate do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). O IFI (Instituto Fiscal Independente) projeta R$ 45 bi.

Temos outros pontos aqui:

É necessário cortar 1 milhão de benefícios da previdência para atender a meta dos R$ 26 bilhões de corte. Será que isso vai acontecer

Este ano, o governo prometeu economizar R$ 10 bilhões de pente fino (só fizeram R$ 1 bilhão de economia). Cortou só 60k benefícios (10% da meta).

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RESUMO DA ÓPERA: o governo pode até resolver o problema deste ano e o do ano que vem, mas 2027 não resolve. Vão empurrar o problema pra frente. Se nada for feito, o problema vai estourar novamente.

O mercado financeiro está antecipando a questão por conta dos discursos

Diante deste cenário, o governo precisa fazer algo para restaurar a confiança.

A Bolsa EM DÓLARES bateu praticamente o piso que vinha batendo em relação aos últimos anos.

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Vamos abrir novas vagas no início de agosto. 

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