🔴 ONDE INVESTIR 2026: ESTRATÉGIAS DE ALOCAÇÃO, AÇÕES, DIVIDENDOS, RENDA FIXA, FIIS e CRIPTO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Felipe Miranda: O Brasil vai virar a Argentina?

Em conversas raras que acontecem sempre, escuto de grandes investidores: “nós não olhamos para o macro. Somos buffettianos e, portanto, só olhamos para o micro das empresas.”

28 de outubro de 2024
20:01 - atualizado às 10:31
argentina, real, brasil, peso, criptomoedas
Imagem: Montagem Seu Dinheiro

Sabe como é: “há contradições explicáveis”. Versão machadiana para “eu posso me explicar”… quem nunca?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em conversas raras que acontecem sempre, escuto de grandes investidores: “nós não olhamos para o macro. Somos buffettianos e, portanto, só olhamos para o micro das empresas."

Desses mesmos (sim, os mesmíssimos!) investidores, recebo mensagens “encaminhadas com frequência” narrando a derrota da esquerda nas eleições municipais, seguidas da matéria da Folha de S.Paulo de título: “Aliados já falam em pressão de políticos e empresários por plano presidencial de Tarcísio”, no que seria o pai de todos os ralis.

Se não tem ateu em avião caindo, como poderia haver value investor focado no longo prazo diante da ameaça de sobrevivência?

O "bear market" brasileiro é tão longevo e intenso que chega o momento de os sócios das gestoras resgatarem de seus próprios fundos. Não é por falta de convicção nas suas virtudes ou desconfiança nas ações, mas simplesmente porque não há mais liquidez em qualquer outro lugar. Os salários são baixos, insuficientes para pagar as contas mensais, enquanto os bônus não chegam, nem aparecem no horizonte tangível, porque a marca d’água escapa do alcançável pela vista. Pra afogado, jacaré é tronco.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O investidor de longo prazo com interesse micro se apega à hipótese de mudança do pêndulo político e se escora no trading do próximo trigger. Passa a importar mais qual é a notícia marginal, do que exatamente a realidade dos fundamentos empresariais. Não há tempo, paciência, nem dinheiro para esperar a convergência para o valor intrínseco, pois os resgates precisam ser pagos hoje…

Leia Também

Preciso lhe confessar: eu não acho que esse sujeito esteja errado. A contradição é explicável. Ok, ok, talvez não seja tanta virtude pessoal conforme autoproclamado pela “nata do value investing brasileiro”. Nutro uma desconfiança particular de que a natureza dos ciclos brasileiros implica muito mais geração de beta do que de alfa, embora poucos sejam capazes de reconhecer a dinâmica. Não precisamos dessa conversa… chances altas de não estarmos preparados para ela.

Olha só: quando Warren Buffett diz não se preocupar com o macro e a política, isso é perfeitamente adequado. Ele está lá com dois oceanos, um de cada lado, diante da Bacia do Mississipi, em clima temperado, próximo da Europa, num país cuja extensão territorial se dispõe em eixo horizontal, o que significa menor amplitude de latitude e, por consequência, um clima menos diverso, facilitando a disseminação de técnicas produtivas de um lugar para outro ao longo do tempo.

Para não ser acusado de determinismo geográfico, também podemos explicar o excepcionalismo americano com suas sólidas instituições, as melhores universidades do mundo, a valorização do indivíduo e das forças de mercado, a liderança tecnológica e militar. O macro importa menos, porque, apesar dos ciclos econômicos, ele funciona, independentemente da flutuação do pêndulo político.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Como não poderia ser diferente, Buffett é resultado das leis darwinistas do mercado, tendo sido selecionado naturalmente por ser o mais adaptado ao ambiente norte-americano. Sua aplicação rigorosa, incluindo seu conhecimento tácito e o que lhe é intrinsecamente individual e intransferível, seria vencedora diante do caudilhismo latino-americano? Eu não sei. Não temos o contrafactual, tampouco a resposta seria observável.

Buffett não opera esses mercados e qualquer tentativa brasileira de mimetizá-lo acarretará o problema típico da não-tradução. Por mais que tentemos copiá-lo, sempre estaremos sujeitos aos vícios e às virtudes pessoais, às questões locais e culturais, ao conhecimento tácito… nem mesmo Cherry Coke está disponível nas nossas gôndolas.

Se alguém criasse a disciplina de História Econômica Contemporânea do mercado de capitais brasileiros, poderia ter como material a seguinte linha do tempo:

i. tivemos um grande ciclo positivo entre 2003 e 2007: era o governo Lula 1. Embora possa soar contraintuitivo num primeiro momento, também podemos caracterizá-lo como uma mudança do pêndulo político. Era justamente uma alternância frente ao medo da radicalização à esquerda. A Goldman Sachs tinha criado o Lulômetro, lembra? Todos temiam o calote da dívida externa, rompimento de contratos, controle do spread bancário e por aí vai. Observamos o contrário: um governo fiscalmente responsável, com apurações de grandes superávits primários, boa condução da política monetária e respeito aos contratos. O país se beneficiou da Grande Moderação nas nações desenvolvidas e do “Global Savings Glut”, de Ben Bernanke, com a China empurrando para cima o preço das commodities.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

ii. Aí veio a crise de 2008 e a recuperação de 2009, para cairmos num ciclo perverso para o mercado de capitais entre 2010 e 2015. Ali se iniciava uma guinada mais à esquerda, com nosso keynesianismo de quermesse e as sementes da nova matriz econômica. Deu no que deu. A maior recessão da história Republicana no Congresso.

iii. Como o país tem uma vocação grande para a mediocridade, mas pouca disposição a se jogar no precipício, tivemos as manifestações de rua, o áudio do Bessias, o impeachment. Temer e sua ponte para o futuro endireitam o Brasil. O Ibovespa sai de 40 mil pontos para 120 mil. Um grande rali, catalisado pela óbvia alteração da política econômica numa direção pró-mercado.

iv. O ciclo iniciado em 2016 esbarra na pandemia. Há uma recuperação cíclica até julho de 2021, quando começamos a discutir mais inflação aqui, necessidade de subir a Selic, ao que se seguiu uma série de pequenas crises: PEC do meteoro, PEC Kamikase, eleições presidenciais, PEC da Transição, mudança no Banco Central Brasileiro, política fiscal perdulária. E aqui estamos de novo sofrendo com o temor de uma versão atualizada da já velha nova matriz econômica.

Podemos ou não identificar aqui uma alta correlação entre os mercados e o pêndulo político? Note que isso não se dá necessariamente pela cor do partido de turno, tampouco se ele está à direita ou à esquerda. É muito menos ideológico do que pragmático. Quando Lula adotou uma política macroeconômica ortodoxa capaz de respeitar a aritmética elementar das contas públicas, o “Kit Brasil” simplesmente voou. O ciclo 2003-2007 criou verdadeiras fortunas na Bolsa brasileira.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Do mesmo modo, há chances não desprezíveis de que, se o tal pacote fiscal sugerido por membros do governo vier mesmo à tona, um novo rali se repita. Há consenso de que o Brasil está muito barato, a posição técnica é favorável e as empresas estão em boa forma. O investidor estrangeiro está no modo “esperar para ver”.

Caso o conjunto de boas intenções de Haddad e sua equipe se transforme em medidas concretas, a apreciação dos ativos domésticos deve ser vigorosa. Perceba, porém, que isso não invalida o argumento central deste texto, de alta correlação entre o pêndulo político e o desempenho dos mercados. Se o governo realizar um ajuste fiscal consistente e amplo, será, em termos práticos, uma caminhada em direção ao Centro e o abandono de uma postura mais radical à esquerda. Abandonar as ideias de estocar vento e de que gasto é vida pode ser um excelente começo.

Superada a eleição municipal, a probabilidade de sair o tal pacote parece bastante razoável, seja porque parte da esquerda já reconhece até explicitamente a necessidade de atualizar seu discurso, seja pelo noticiado na imprensa. Lauro Jardim informa ser iminente a tomada de decisão do presidente Lula sobre o tema, sob o argumento de que “se não ajustarmos o fiscal em 2025, não haverá como liberar gastos às vésperas da eleição de 2026”.

O tipo de dependência dos mercados locais ao ciclo político não é exclusividade brasileira. Somos apenas um país latino-americano, sem dinheiro no banco, sem amigos importantes, vindo de seu caudilhismo típico. Basta olharmos o desempenho dos ativos na Argentina, entre os destaques globais de desempenho desde a eleição de Milei, capazes de atrair o interesse de investidores que há muito tempo não se dedicavam ao país, entre eles o mitológico Stanley Druckenmiller.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As vendas exponenciais de Mercado Livre na Argentina e o súbito interesse de Davi Vélez no país não são frutos do acaso. É o resultado do ciclo político clássico da América Latina.

Quando olho para nossos vizinhos, consigo ver o Brasil de 2026. Pode ser um prenúncio do Hexa. Ou algo ainda melhor…

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Veja quando as small caps voltarão a ter destaque na bolsa, liquidação do banco Pleno e o que mais afeta os mercados hoje

18 de fevereiro de 2026 - 8:39

Depois que o dinheiro gringo invadiu o Ibovespa, as small caps ficaram para trás. Mas a vez das empresas de menor capitalização ainda vai chegar; veja que ações acompanhar agora

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Os investimentos mais “fora da caixa” da bolsa, propostas para a Raízen, Receita de olho no seu cartão, e o que mais você precisa ler hoje

16 de fevereiro de 2026 - 8:08

Confira as leituras mais importantes no mundo da economia e das finanças para se manter informado nesta segunda-feira de Carnaval

VISÃO 360

A hora da Cigarra: um guia para gastar (bem) seu dinheiro — e não se matar de trabalhar

15 de fevereiro de 2026 - 8:01

Nem tanto cigarra, nem tanto formiga. Morrer com dinheiro demais na conta pode querer dizer que você poderia ter trabalhado menos ou gastado mais

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Zuck está de mudança: o projeto californiano que está deslocando o eixo dos bilionários nos EUA

14 de fevereiro de 2026 - 9:02

Miami é o novo destino dos bilionários americanos? Pois é, quando o assunto são tendências, a única certeza é: não há certezas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Por que Einstein teria Eneva (ENEV3) na carteira, balanço de Vale (VALE3) e Raízen (RAIZ4), e outras notícias para ler antes de investir

13 de fevereiro de 2026 - 8:52

Veja a empresa que pode entregar retornos consistentes e o que esperar das bolsas hoje

SEXTOU COM O RUY

Por que Einstein seria um grande investidor — e não perderia a chance de colocar Eneva (ENEV3) na carteira?

13 de fevereiro de 2026 - 6:03

Felizmente, vez ou outra o tal do mercado nos dá ótimas oportunidades de comprar papéis por preços bem interessantes, exatamente o que aconteceu com Eneva nesta semana

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Japão como paraíso de compras para investidores, balanços de Ambev (ABEV3), Vale (VALE3) e Raízen (RAIZ4), e o que mais move a bolsa hoje

12 de fevereiro de 2026 - 8:59

O carry trade no Japão, operação de tomada de crédito em iene a juros baixos para investir em países com taxas altas, como o Brasil, está comprometido com o aumento das taxas japonesas

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Podemos dizer que a Bolsa brasileira ficou cara? 

11 de fevereiro de 2026 - 19:50

Depois de uma alta de quase 50% em 12 meses, o mercado discute se os preços já esticaram — e por que “estar caro” não significa, necessariamente, fim da alta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Veja se vale a pena atualizar o valor de um imóvel e pagar menos IR e se o Banco do Brasil (BBAS3) já começa a sair do fundo do poço

11 de fevereiro de 2026 - 9:39

Confira as vantagens e desvantagens do Rearp Atualização. Saiba também quais empresas divulgam resultados hoje e o que mais esperar do mercado

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O equilíbrio no Japão que afeta o mundo todo, as vantagens do ESG para os pequenos negócios e o que mais move as bolsas hoje

10 de fevereiro de 2026 - 9:30

Veja qual o efeito da vitória da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, nas eleições do Japão nos mercados de todo o mundo

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

Entre estímulo e dívida: o novo equilíbrio do Japão após uma eleição que entra para a história

10 de fevereiro de 2026 - 7:11

A vitória esmagadora de Sanae Takaichi abre espaço para a implementação de uma agenda mais ambiciosa, que também reforça o alinhamento estratégico de Tóquio com os Estados Unidos, em um ambiente geopolítico cada vez mais competitivo na Ásia

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

CSN (CSNA3) quer convencer o mercado que agora é para valer, BTG bate mais um recorde, e o que mais move as bolsas hoje

9 de fevereiro de 2026 - 8:39

Veja os sinais que o mercado olha para dar mais confiança ao plano de desalavancagem da holding, que acumulou dívidas de quase R$ 38 bilhões até setembro

TRILHAS DE CARREIRA

O critério invisível que vai diferenciar os profissionais na era da inteligência artificial (IA)

8 de fevereiro de 2026 - 8:00

O que muda na nossa identidade profissional quando parte relevante do trabalho operacional deixa de ser feita por humanos?

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Carnaval abaixo de 0 ºC: os horários e os atletas que representam o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno

7 de fevereiro de 2026 - 9:02

Mudaram as estações e, do pré-Carnaval brasileiro, miramos nosso foco nas baixas temperaturas dos Alpes italianos, que recebem os Jogos Olímpicos de Inverno

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Cuidado com o ouro de tolo ao escolher ações; acompanhe a reação ao balanço do Bradesco (BBDC4) e o que mais move a bolsa

6 de fevereiro de 2026 - 8:45

Veja como distinguir quais ações valem o seu investimento; investidores também reagem a novos resultados de empresas e dados macroeconômicos

SEXTOU COM O RUY

O “lixo” não subiu: empresas pagadoras de dividendos e com pouca dívida devem seguir ditando o ritmo na bolsa

6 de fevereiro de 2026 - 6:07

Olhamos para 2026 e não vemos um cenário assim tão favorável para companhias capengas. Os juros vão começar a cair, é verdade, mas ainda devem permanecer em níveis bastante restritivos para as empresas em dificuldades.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A difícil escolha entre dois FIIs de destaque, e o que esperar dos resultados de empresas e da bolsa hoje

5 de fevereiro de 2026 - 8:33

As principais corretoras do país estão divididas entre um fundo de papel e um de tijolo; confira os campeões do FII do Mês

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Bolsa e o trade eleitoral — by the way, buy the whey

4 de fevereiro de 2026 - 20:00

Investir não é sobre prever o futuro político, mas sobre manter a humildade quando o fluxo atropela os fundamentos. O que o ‘Kit Brasil’ e um pote de whey protein têm em comum?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Queda no valor da Direcional (DIRR3) é oportunidade para investir, e Santander tem lucro acima do esperado 

4 de fevereiro de 2026 - 8:38

Saiba por que a Direcional é a ação mais recomendada para sua carteira em fevereiro e o que mais move as bolsas hoje

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O bloco dos bancos abre o Carnaval das empresas abertas: qual terá a melhor marchinha?

3 de fevereiro de 2026 - 8:36

Mercado também reage a indicação para o Fed, ata do Copom e dados dos EUA; veja o que você precisa saber antes de investir hoje

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar