Quer trabalhar nos EUA? Veja como correr atrás do visto antes do retorno de Trump à Casa Branca
Com um novo governo do republicano, os profissionais que desejam trabalhar nos Estados Unidos podem enfrentar dificuldades a partir de 2025

Donald Trump voltará a ocupar a Casa Branca a partir de 20 de janeiro de 2025 e tudo indica que o republicano vai colocar em prática as promessas feitas durante a campanha — entre elas, o endurecimento das regras de imigração.
Durante a campanha, Trump declarou diversas vezes que retornaria com o projeto de deportação em massa de imigrantes ilegais – o qual já havia tentado implementar durante o mandato de 2016 à 2020.
Apesar de não ter determinado uma meta específica, o vice de Trump, J.D. Vince, chegou a afirmar, em agosto, que o novo governo deseja atingir 1 milhão de deportações.
Embora a promessa da campanha do republicano seja voltada para imigrantes ilegais, um estudo do Cato Institute, organização de pesquisa sobre políticas públicas, indicou que a concessão de vistos para imigração legal foi reduzida no último mandato de Trump.
Com um novo governo do republicano, os profissionais que desejam trabalhar nos Estados Unidos podem enfrentar dificuldades a partir de 2025.
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O que esperar de Donald Trump em 2025?
Na avaliação de Fernando Canutto, especialista em Direito Empresarial e Internacional, o Partido Republicano e Trump têm uma tradição do combate à imigração ilegal.
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Porém, devido à escassez de mão de obra enfrentada pelos Estados Unidos, o novo governo deve incentivar a entrada de trabalhadores especializados, principalmente os profissionais da chamada área STEAM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).
- De acordo com o Jolts — relatório que mede o volume de empregos, vagas criadas e demissões na economia norte-americana — o número de postos de trabalho abertos nos EUA chegou a 7,4 milhões em setembro. Os dados mostraram também que o número de pessoas sem trabalho por lá é de cerca de 7 milhões.
Já para a imigração dos demais trabalhadores, como aqueles que tenham recebido ofertas de empregos ou desejam construir um negócio no país, as regras devem ser endurecidas, de acordo com Canutto.
O especialista acredita ainda que o processo para a retirada de visto e green card deve ficar mais complexo e mais caro. Porém, afirma que o aumento no valor das taxas para a retirada dos documentos já vem crescendo nos últimos anos. Atualmente, a taxa é de R$1.066,00 (US$ 185).
- O green card é um tipo de visto que garante a residência permanente nos Estados Unidos. Além disso, concede ao imigrante todos os direitos de um cidadão norte-americano, exceto a possibilidade de votar em eleições federais ou se candidatar para cargos públicos.
Além disso, Canutto avalia que a permissão para migração terrestre, em especial, deverá ser mais endurecida por Trump.
Dessa forma, ele recomenda que os profissionais que desejam trabalhar nos Estados Unidos, façam a entrada com o pedido de visto ainda este ano. Isso porque garantirá que o processo ocorra sob as regras atuais.
“Não dá para saber o que vai mudar, mas terá mudanças”, afirmou o especialista em entrevista ao Seu Dinheiro.
“É uma incógnita, porque a situação dos Estados Unidos hoje é muito diferente de quando ele assumiu a presidência pela primeira vez. Antes, havia o problema de desemprego, agora de sobra de empregos”, disse.
No entanto, ele ressalta que é pouco provável que “a porta de entrada” para a trabalhadores nos Estados Unidos seja fechada.
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E agora, como conseguir o visto de trabalho nos EUA?
Com o novo governo Trump e um processo de imigração mais extenso, os trabalhadores que querem ir para os Estados Unidos deverão reforçar medidas já necessárias para o processo de pedido de visto.
Canutto indica que os profissionais tenham todas as documentações necessárias reunidas, além de comprovação de renda para se manter nos EUA. Ele ainda ressalta a importância de ter conhecimentos da língua inglesa.
Além disso, uma das possibilidades para que a retirada do visto seja agilizada é a utilização do premium processing fee (taxa de processamento premium, na tradução literal).
A tarifa é voltada para a aceleração da análise do pedido, que, após o pagamento, é avaliado em um mês. Segundo Canutto, as solicitações sem o pagamento da taxa podem demorar anos para serem analisadas.
Porém, ele afirma que, devido a alta demanda, a avaliação pode ser falha, apesar de rápida. “É uma faca de dois gumes: a taxa garante um prazo menor para a análise, mas não garante que seja realizada corretamente”, explica.
Por isso, Canutto reforça a necessidade de ter todos os documentos e certificações organizados durante o pedido de visto. Caso o governo norte-americano exija outros registros, o profissional terá 45 dias para a entrega do material solicitado.
O processo pode ser realizado por todos os profissionais, independentemente do tipo de visto. Confira alguns tipos de vistos mais comuns:
- H-1B: Visto voltado para profissionais especializados. É necessário ter formação acadêmica completa ou habilidades profissionais diferenciadas para conseguir o documento;
- H-2B: Visto voltado para profissionais que receberam propostas de empresas que não conseguiram ocupar a vaga com mão de obra norte-americana;
- L-1: Visto direcionado aos profissionais que estão sendo transferidos para os EUA;
- O: Visto direcionado para trabalhadores com habilidades excepcionais
- EB-1: Visto voltado para os profissionais que receberam reconhecimento máximo em suas áreas de atuação no país de origem.
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