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Larissa Vitória
Larissa Vitória
É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
FIIs HOJE

Calote da WeWork já afeta 231 mil cotistas de fundos imobiliários; mais dois FIIs confirmam inadimplência da empresa

As “vítimas” mais recentes são os FIIs Rio Bravo Renda Corporativa (RCRB11) e Valora Renda Imobiliária (VGRI11)

Larissa Vitória
Larissa Vitória
2 de julho de 2024
11:35 - atualizado às 19:08
Fotografia de um escritório com o letreiro da WeWork, empresa que loca imóveis de fundos imobiliários
A WeWork é pioneira no modelo de locação de escritórios flexíveis, mas enfrentou dificuldades financeiras durante a pandemia de covid-19. - Imagem: Reprodução/Redes sociais

Subiu para quatro o número de fundos imobiliários afetados pela inadimplência da WeWork. Considerando todos os casos confirmados agora, mais de 231 mil cotistas estão expostos à ausência de pagamentos da empresa pioneira no segmento de locação de espaços para coworking.

As "vítimas" mais recentes são os FIIs Rio Bravo Renda Corporativa (RCRB11) e Valora Renda Imobiliária (VGRI11). Ambos enviaram comunicados ao mercado na última segunda-feira (1) a respeito do tema.

No caso do RCRB11, a WeWork loca um imóvel localizado na Vila Madalena, na cidade de São Paulo, que representa 9,5% da receita do fundo. O aluguel deveria ter sido pago em 17 de junho, mas não foi recebido até agora.

"Desde o primeiro dia de atraso, o time de gestão está monitorando o pagamento. A locatária já foi notificada e seguimos em tratativas diretas para que o pagamento do montante de aluguel em atraso ocorra o mais rápido possível", diz o comunicado.

Apesar dos esforços, o fundo deve sentir um impacto mensal negativo na receita que é estimado em R$ 0,11 por cota. Mas a gestão destaca que as despesas da WeWork com a ocupação do ativo estão em dia e a inadimplência do FII segue "em níveis mínimos".

"Ressaltamos que o imóvel, pela sua localização e qualidade, tem alta liquidez e mantém uma alta taxa histórica de ocupação, com relevância de empresas de tecnologia de grande porte".

Além disso, a sócia e diretora de investimentos imobiliários da Rio Bravo, Anita Scal, destacou, em nota enviada ao Seu Dinheiro, que, atualmente, a inadimplência do fundo "é de apenas 2,5%, considerada uma das mais baixas de todo o setor" e "deve ser sanada em breve". Confira a íntegra no final do texto.

Já o VGRI11 loca um edifício localizado na Avenida Paulista, o Brazilian Financial Center (BFC), para a WeWork.

O potencial impacto nos rendimentos não foi divulgado, mas o contrato representa 5,8% das receitas totais do fundo e cerca de 5,9% da área bruta locável do portfólio.

A gestão do Valora Renda Imobiliária também destacou que está tomando "as ações cabíveis em prol do fundo e dos cotistas".

Outros dois fundos imobiliários já vinham sofrendo com a inadimplência da WeWork

Nos últimos dias, outros dois fundos imobiliários já haviam revelado problemas com o pagamento dos aluguéis devidos pela WeWork.

O primeiro a falar sobre a inadimplência, ainda na semana passada, foi o Santander Renda de Aluguéis (SARE11), que aluga quatro unidades do condomínio WT Morumbi para a empresa.

Caso a companhia permaneça inadimplente, o SARE11 calcula que haverá um impacto negativo de R$ 0,05 por cota nos dividendos pagos aos seus mais de 40 mil cotistas.

Depois foi a vez do Vinci Offices (VINO11), um dos maiores fundos imobiliários de lajes corporativas da B3, falar sobre o tema.

O possível impacto da inadimplência nos dividendos do VINO11 não foi divulgado. Mas o contrato com a empresa representa cerca de 4% da área bruta locável e aproximadamente 5% das receitas totais do FII.

Procurada pelo Seu Dinheiro, a WeWork não se posicionou sobre o tema até a publicação deste texto. A matéria será atualizada caso a companhia envie uma nota oficial.

Vale relembrar que a empresa passa por um processo de recuperação judicial após enfrentar dificuldades financeiras durante a pandemia de covid-19.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o plano de RJ da companhia foi aprovado no final de maio e inclui uma reestruturação que deve transformá-la em uma empresa menor e privada. Não há detalhes, porém, sobre a situação da operação no Brasil.

Já a Rio Bravo, gestora do RCRB11, enviou uma nota ao portal assinada por Anita Scal, sócia e diretora de investimentos imobiliários da casa. Confira a íntegra abaixo:

“O Rio Bravo Renda Corporativa, ativo desde 2000, é um dos mais antigos fundos imobiliários do país. Atualmente, a inadimplência é de apenas 2,5%, considerada uma das mais baixas de todo o setor e que deve ser sanada em breve.

Um dos nossos locatários, a empresa We Work, tem um boleto vencido faz cerca de 15 dias, o que ainda não consideramos inadimplência. As demais despesas, como IPTU e condomínio, até o momento, estão sendo quitadas. Eles já foram notificados e nosso departamento jurídico já está acionado.

Um outro ponto importante é que o imóvel que a empresa ocupa, que fica na Vila Madalena/SP, possui altíssima liquidez e historicamente é ocupado por grandes empresas de tecnologia, que fazem questão de estar em localizações valorizadas pelos seus colaboradores e parceiros.

Vale ressaltar que, em pouco mais de 2 anos, o RCRB11 reduziu a vacância de 34,4% para menos de 2% e estamos trabalhando para que, em breve, este índice seja zerado.

Em relação ao pagamento de dividendos, elevamos o pagamento aos cotistas em mais de 55% em um intervalo de apenas 4 semestres com essa firme atuação comercial do time de gestão.

Nestes mais de 20 anos de história do fundo, entregamos resultados consistentes para os nossos cotistas e este ativo tornou-se uma referência de solidez no mercado financeiro.”

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