“A Petrobras (PETR4) continua uma pechincha”: gestor da Inter Asset revela 5 ações para investir na bolsa até o fim de 2024
Para Rafael Cota, as ações PETR4 continuam “muito baratas” — mesmo que a companhia seja hoje avaliada em mais de R$ 500 bilhões

Figurinha carimbada na carteira de boa parte dos investidores brasileiros, as ações da Petrobras (PETR4) ainda são “uma pechincha” para quem quer se tornar sócio de uma das maiores empresas de petróleo do mundo, na avaliação da Inter Asset.
Os papéis da estatal quase dobraram de preço em 2023, com valorização de 95%, e ainda empilham ganhos da ordem de 13% desde janeiro deste ano.
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No entanto, para o gestor de renda variável Rafael Cota, as ações PETR4 continuam “muito baratas” — mesmo que, em termos de preço, a companhia seja hoje avaliada a pouco mais de R$ 505 bilhões.

“A Petrobras está gerando muito caixa e ganhando muito dinheiro, porque ela vem aumentando a produtividade e tem um dos menores custos de extração de petróleo do mundo por conta do pré-sal. Não bastasse isso tudo, o dólar também ajuda quem trabalha com commodities”, afirmou Cota, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Para além do preço na tela, a petroleira estatal encontra-se com uma rentabilidade sobre o patrimônio líquido acima de 20% e com o preço sobre lucro da ação em cerca de 6 vezes.
Nas projeções do gestor, a potencial escalada dos conflitos geopolíticos — especialmente do lado do Oriente Médio — tende a beneficiar as cotações do petróleo e impulsionar ainda mais a Petrobras na bolsa.
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Por outro lado, os temores de interferência política na companhia ainda fazem pressão sobre a tese de investimento em PETR4.
“Não vemos esse medo como algo infundado, é necessário um trabalho de acompanhamento. Só que na nossa opinião, o casamento entre precificação e possíveis riscos até o momento ainda nos parece atraente.”
Outras 4 apostas da Inter Asset para 2024
Com R$ 12,7 bilhões em ativos sob gestão, a Inter Asset vê a bolsa brasileira “muito barata” — e com “boas barganhas em ações espalhadas por todos os lados” para investir ainda neste ano.
“A nossa filosofia é de investimento em valor com margem de segurança. O que a gente tenta fazer na Inter Asset é como comprar uma nota de um real e pagar 50 centavos por ela. Hoje, estamos bem animados, porque vemos várias oportunidades sendo negociadas na bolsa de valores com muito desconto”, disse o gestor.
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Ação do Banco do Brasil (BBAS3) está barata — mas há riscos no radar
Na avaliação de Rafael Cota, o Banco do Brasil (BBAS3) é uma das ações negociadas com um “desconto importante” na B3, apesar da escalada de 70% dos papéis na bolsa em 2023.
Segundo o gestor da Inter Asset, o BB negocia a um preço “muito atrativo”, com rentabilidades acima de 20% e dividendos próximos de 10%, com uma avaliação abaixo de 5 vezes a relação entre preço e lucro (P/L).
No entanto, há riscos no radar — especialmente do lado do agronegócio. O banco já sentiu impactos do enfraquecimento do setor no segundo trimestre, quando registrou um lucro líquido recorrente de R$ 9,502 bilhões.
Em meio a calotes e reestruturações de dívidas se espalhando pelo setor agro brasileiro, a expectativa é que a empresa anuncie novas provisões vindas do portfólio de agronegócio nos próximos balanços.
“Os resultados têm vindo muito bons. Talvez a gente tenha que ficar um pouco mais atento por conta do cenário do agronegócio, já que o preço de commodities agrícolas deu uma recuada, e o BB é muito forte nesse segmento. Agora tem que acompanhar mais na lupa esses balanços do terceiro e quarto trimestres, para ver se vai ter ou não impacto em relação ao agro”, disse o gestor.
Vale lembrar que o Banco do Brasil (BBAS3) é um dos credores da AgroGalaxy (AGXY3), que entrou na Justiça com um pedido de recuperação judicial após acumular dívidas de R$ 3,7 bilhões.
Acabou a névoa em volta da Vale (VALE3)
Outra ação na carteira da Inter Asset para o fim de 2024 é a Vale (VALE3). Líder do ranking de papéis mais recomendados do Seu Dinheiro para outubro, a gigante da mineração finalmente parece ter deixado para trás a maior parte das incertezas que envolviam as ações — a começar pela definição de quem será o novo CEO.
Em meio a polêmicas como a tentativa de interferência do governo na indicação de um novo diretor presidente, a Vale antecipou a escolha e elegeu no fim de agosto o então diretor financeiro (CFO), Gustavo Pimenta, à posição.
“Isso tirou realmente uma das dúvidas dos investidores. O mercado estava muito preocupado, porque a União não é controladora da Vale, e a empresa é uma corporation [ou seja, com o capital pulverizado na bolsa]. Mas a empresa seguiu todos os ritos e mostrou que a governança parece estar no lugar”, disse o gestor.
O pacote de estímulos do governo chinês à economia do Gigante Asiático também fortalece a tese de investimento na Vale. Afinal, as medidas na China focadas no setor de infraestrutura tendem a aumentar o consumo das commodities metálicas, o que fez as cotações subirem nas últimas semanas.
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O brilho de Cemig (CMIG4) e Copasa (CSMG3)
Além das gigantes “peso pesado” da B3, outras duas ações mineiras figuram na carteira da Inter Asset: a Cemig (CMIG4) e a Copasa (CSMG3).
Na avaliação do gestor, as duas empresas passaram por melhorias de resultados muito fortes, com novos compromissos com a racionalização em termos de alocação de capital — e agora oferecem uma margem de segurança importante para quem quer se tornar sócio das mineiras.
“Em ambos os casos, a gente tem visto investimentos muito bem feitos que podem ser incorporados na base de ativos dessas empresas e repassados via tarifa, o que consequentemente se mostra um bom investimento para os acionistas”, disse Cota.
Para o gestor da Inter Asset, ainda que as companhias tenham sido alvo de polêmicas envolvendo uma possível transferência para o governo federal no ano passado, a possibilidade de uma federalização das empresas é pequena.
Isso porque a dívida que o Estado de Minas Gerais tem com a União é bem maior do que a participação nas empresas de energia e saneamento — e, segundo o gestor, haveria alternativas melhores e mais viáveis para quitar esses débitos com o governo.
A título de referência, a fatia combinada do governo mineiro nas empresas corresponde hoje a pouco mais de R$ 11 bilhões — enquanto a dívida com a União hoje está em torno de R$ 165 bilhões.
Uma ação para investir no longo prazo
O gestor ainda revelou uma das “melhores empresas para investir na bolsa”: a Equatorial (EQTL3). Na realidade, para a Inter Asset, o negócio é tão bom que seria uma ação para se carregar pelos próximos cinco a dez anos — e não só para comprar no curto prazo.
Isso porque, na visão de Cota, a gigante de energia é uma tese de longo prazo: ela pode não ser a ação que mais vai escalar na B3, mas, num horizonte mais alongado de investimentos, garantirá bons retornos aos investidores.
“Apesar de a Equatorial não ser uma barganha, ainda assim está descontada. Olhando para trás, a empresa sempre foi muito eficiente e racional em alocação de capital, muito voltada para o retorno para o acionista minoritário. A Equatorial está sempre em busca das melhores oportunidades no mercado para alocar o capital, tem uma gestão extremamente competente.”
Para o gestor, a entrada da Equatorial como acionista de referência da Sabesp (SBSP3) ainda representa uma forte oportunidade para ir além do mercado de energia e desenvolver a vertical de saneamento.
Segundo a Inter Asset, o saneamento é uma grande oportunidade no Brasil para as próximas décadas — e, com a fatia na Sabesp, a empresa já vai estar na maior concessão do Brasil. “É um mercado gigantesco.”
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