Acordo entre Mercosul e União Europeia beneficiaria o Brasil em US$ 4,2 bilhões, mas eleições na Argentina — e na Europa — preocupam; entenda
Apesar dos esforços conjuntos para fazer o acordo entre blocos vingar, três pontos podem fazer o documento virar água

O acordo comercial entre o Mercosul — que inclui Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — e a União Europeia (UE) está travado há anos. Mas esforços recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizeram com que os debates avançassem ao ponto de deixar ambos os blocos mais próximos da adesão ao documento.
Falando em números, ambos os blocos se beneficiariam de um acordo — levando em conta dados de 2022, as exportações somariam US$ 5,1 bilhões para o Mercosul e US$ 3,9 bilhões para a UE.
Entre os países do mercado comum sul-americano, o Brasil seria o que colheria os maiores benefícios, de acordo com um estudo da Allianz Research, segmento de pesquisas da seguradora Allianz.
As exportações brasileiras podem chegar a US$ 4,2 bilhões por ano após ambas as partes assinarem o acordo. Os principais produtos seriam os combustíveis e óleos minerais, de acordo com a pesquisa.
Mas nem tudo são flores. Apesar dos esforços conjuntos para fazer o acordo entre blocos vingar, três pontos podem fazer o documento virar água — veja a seguir:
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Mercosul pode “desaparecer”?
O primeiro fator de risco seria uma eventual dissolução do bloco do Mercosul com a saída da Argentina, a segunda maior economia da América Latina.
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Vale lembrar que o país está em uma das disputas eleitorais mais acirradas das últimas décadas, entre o governista Sergio Massa e o ultraliberal, Javier Milei. Este último é um problema para o bloco sul-americano.
Milei já afirmou que o bloco é um “fracasso comercial” e deu sinais de que poderia ser um empecilho no avanço de negociações entre o Mercosul e a UE — visando, diz ele, favorecer a Argentina.
Ainda de olho na América Latina, outro ponto importante seria o Uruguai usar a mesma saída que a Argentina. O presidente do país, Luis Lacalle Pou, já afirmou que o bloco não deu a devida atenção às necessidades comerciais uruguaias nos últimos anos e que prefere fazer negociações unilaterais.
Problemas da própria UE
Para Roberta Fortes, economista sênior para Allianz Ibero-LatAm, existem preocupações sobre as distribuições de produtos dentro do bloco. Especialmente commodities, como açúcar, etanol, carne bovina e de frango, podem competir com produtos domésticos.
“Existem preocupações de que o acordo possa contribuir para o desmatamento devido à expansão da produção agrícola nos países do Mercosul. No entanto, restrições remanescentes ao comércio agrícola com a UE devem limitar esse impacto. Medidas propostas visam abordar essas preocupações”, explica a economista.
Além disso, as eleições para o Parlamento Europeu estão programadas para junho de 2024. Uma nova configuração de membros poderia interferir no trabalho já realizado pelos blocos — assim, ambos os lados pretendem finalizar o acordo até o final de 2023 para evitar mais atrasos.
China e Mercosul: união estável
Por fim, o espectro da economia chinesa paira sobre a América do Sul. A China já domina o comércio exterior com os países do Mercosul, com quem negocia assegurando matérias primas em troca de alguns yuans.
“Em 2021, 91% das exportações do Mercosul para a China estavam nos setores agrícola e de minerais, enquanto essa parcela era de apenas 67% para a UE. Embora a UE continue sendo um mercado importante, países com menos proteção ambiental e restrições de direitos humanos na Ásia e no Oriente Médio estão se aproximando”, explica.
A critério de curiosidade, Javier Milei, o candidato à presidência da Argentina, também afirmou que pretende cortar relações comerciais com a China, de quem o país é o principal parceiro comercial.
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