Juros altos fazem mais uma vítima? Por que a Moody´s rebaixou a perspectiva da nota de crédito da maior economia do mundo
O rating dos EUA foi mantido em Aaa, o maior grau da agência, mas os sinais de corte dessa nota começam a aparecer no horizonte

“Minha voz continua a mesma, mas meus cabelos… quanta diferença!” Se você tem mais de 40 anos, deve se lembrar dessa propaganda da Colorama que, nesta sexta-feira (10), poderia valer para os EUA.
O país segue como a maior economia do mundo, a diferença, nesse caso, é que não sustenta mais um rating à toda prova.
Hoje, a agência de classificação de risco Moody´s reafirmou a nota de crédito dos EUA em Aaa, a mais alta da escala, porém rebaixou a perspectiva de estável para negativa — um sinal de que o rating do país pode ser cortado mais adiante.
Na decisão, a Moody´s reconhece uma série de fatores que sustentam os EUA como a maior economia do mundo:
- A força do crédito e das instituições;
- O crescimento médio positivo;
- O papel central do dólar na economia global;
- A importância do mercado de Treasurys, como são conhecidos os títulos de dívida do governo norte-americano.
Mas…
A maior economia do mundo tropeça nas questões fiscais — um problema bem conhecido do Brasil.
De acordo com a Moody´s, os riscos descendentes para a força fiscal dos EUA aumentaram e podem já não ser totalmente compensados pela força de crédito do país — e foi justamente por essa razão que a agência rebaixou a perspectiva do rating norte-americano.
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“No contexto de taxas de juros mais elevadas, sem medidas de política fiscal eficazes para reduzir as despesas públicas ou aumentar as receitas, esperamos que os déficits fiscais dos EUA permaneçam muito altos, enfraquecendo significativamente a acessibilidade da dívida”, diz a Moody´s em relatório.
Para agravar a situação, a agência cita a polarização política contínua no Congresso norte-americano como outra fonte de risco para que futuros governos não consigam chegar a consenso sobre um plano fiscal para abrandar o declínio da acessibilidade da dívida.
- Leia também: A bola de cristal de Powell: Fed mantém juros no nível mais alto em mais de 20 anos como esperado — o que vem agora?
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Treasurys, um capítulo à parte para os EUA
O mercado de Treasurys — com “ys” mesmo no final devido a um acordo gramatical histórico nos EUA — passaram uma pressão bem recente, quando os yields (rendimento) dos títulos de dez anos passaram a barreira dos 5%.
Segundo a Moody´s, essa disparada também aumentou a pressão pré-existente sobre a acessibilidade da dívida dos EUA.
“Na ausência de medidas políticas, esperamos que a acessibilidade da dívida dos EUA diminua ainda mais, de forma constante e significativa, para níveis muito fracos em comparação com outros governos com rating elevado, o que poderá ofuscar a força de crédito do país”, diz a agência em relatório.
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