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Como Silvio Berlusconi se tornou o político que por mais tempo ocupou o cargo de primeiro-ministro da Itália no pós-Segunda Guerra Mundial e ainda acumulou uma fortuna de US$ 6,9 bilhões
Silvio Berlusconi, morto nesta segunda-feira aos 86 anos, saiu de uma família milanesa de classe média para transformar-se no homem mais poderoso da Itália na passagem do século 20 para o 21.
Para seus admiradores, Berlusconi foi um exemplar bem talhado de self-made man. Para os detratores, o empresário convertido em político nunca passou de um espertalhão que amealhou riqueza e poder colocando sistematicamente os interesses pessoais à frente do público.
Há também quem prefira se limitar ao lado folclórico de um bilionário bonachão e carismático envolvido em escândalos sexuais, financeiros e políticos.
O que ninguém pode negar é a habilidade de Berlusconi para moldar a opinião pública em seu favor em meio a uma profusão de polêmicas.
Antes de se transformar em fenômeno político, Silvio Berlusconi ganhou notoriedade como o primeiro grande magnata da mídia italiana.
Formado em direito pela Universidade de Milão em 1961, a veia midiática já podia ser percebida em seu TCC, uma tese sobre os aspectos legais da publicidade na Itália.
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O mesmo se pode dizer sobre o carisma e o gosto de Berlusconi pelos holofotes. Quando estudante, ganhou uns trocados como contrabaixista e crooner de bandas que se apresentavam em boates e navios de cruzeiro.
Embora a atuação no setor de mídia o tenha transformado em magnata, Berlusconi lançou a pedra fundamental de sua fortuna no ramo da construção civil.
Era o fim dos anos 1960 e a Itália vivia uma forte expansão econômica na esteira do Plano Marshall, programa que financiou a reconstrução das nações da Europa Ocidental devastadas durante a Segunda Guerra Mundial.
À frente da construtora Edilnord, Berlusconi desenvolveu um moderno projeto urbanístico com 4 mil apartamentos residenciais em Segrate, nas proximidades de Milão.
Conhecido como Milano Due, o empreendimento imobiliário gerou os proventos que permitiram a Berlusconi fundar sua própria agência de publicidade.
Paralelamente, ele lançou a TeleMilano, um serviço de televisão a cabo que atendia aos moradores de Segrate.
A TeleMilano foi o embrião do Canale 5, que nos anos 1980 se transformaria na primeira emissora privada de alcance nacional, após a quebra do monopólio da RAI no setor.
Antes disso, com a expansão do braço midiático, Berlusconi fundou em 1978 a Fininvest. A movimentação de dinheiro foi tamanha nos primeiros cinco anos de existência do conglomerado de mídia que chamou a atenção das autoridades italianas.
No entanto, a engenharia financeira da Fininvest era tão complexa que os investigadores jamais conseguiram confirmar se houve ou não alguma atividade ilegal naquele momento, apesar das suspeitas.
De qualquer modo, os problemas de Berlusconi com a justiça estavam apenas começando.
A ascensão empresarial de Berlusconi rendeu a ele o título de “Cavaliere del Lavoro”, ou cavaleiro do trabalho, honraria concedida pela Presidência da República.
O título deu origem ao apelido de “Il Cavaliere” na mídia local.
Mas Berlusconi queria mais. No início dos anos 1980, o futebol italiano tentava se recuperar do Totonero, um escândalo de manipulação de resultados que levou à suspensão de jogadores do naipe do artilheiro Paolo Rossi e ao rebaixamento de clubes como Milan e Lazio.
Entre uma série de ações para recuperar a credibilidade e a força do futebol italiano, a federação do país passou a autorizar a contratação de jogadores estrangeiros.
Berlusconi foi um interessado de primeira hora pelo movimento. Ele via no futebol um veículo eficiente para a publicidade de suas ações empresariais.
Embora tenha ficado famoso como dono do Milan, o empresário primeiro tentou comprar a Internazionale, seu clube de coração.
O negócio esteve perto de ser fechado no início de 1981, uma minuta de contrato chegou a ser redigida, mas a diretoria da Beneamata desistiu no último instante.
Cinco anos depois, uma nova oportunidade surgiu, mas no maior rival da Inter, o Milan. Giuseppe Farina colocou o clube à venda e Berlusconi até hesitou, mas não desperdiçou a chance.
Sob comando do empresário durante mais de 30 anos, o Milan viveu sua era de maior glória nos campos de futebol.
Dezenas de títulos nacionais e internacionais depois, Il Cavaliere vendeu sua participação no Milan para um consórcio chinês em 2017.
Berlusconi era um político conservador. Como empresário, porém, seu capital não tinha ideologia.
Sua relação com Bettino Craxi é um exemplo. Líder do Partido Socialista Italiano, Craxi foi padrinho do segundo casamento de Berlusconi, em 1990.
E beneficiou Berlusconi diretamente durante seu mandato como primeiro-ministro. Em 1984, a justiça italiana reconheceu a validade do monopólio da RAI para transmissões nacionais.
À época, o conglomerado privado de Berlusconi era o único capaz de transmitir sua programação para todo o território italiano. Além da RAI, claro.
Logo depois da decisão contrária ao empresário, Craxi assinou o decreto emergencial que legalizou as transmissões em rede nacional pelas emissoras de Berlusconi.
Em 1992, Craxi cairia em desgraça em meio à Operação Mãos Limpas.
A Operação Mãos Limpas investigou um escândalo de corrupção de proporções inéditas na Itália.
Centenas de empresários e políticos e milhares de funcionários públicos foram pegos em um esquema de pagamento de propinas para direcionar o resultado de licitações.
O momento mais dramático da operação foi a explosão, em maio de 1992, de um carro-bomba que ceifou a vida do juiz Giovanni Falcone, de sua esposa e de três agentes de segurança. O atentado foi atribuído ao grupo mafioso siciliano Cosa Nostra.
Vista inicialmente como um bem-vindo expurgo, os efeitos da Operação Mãos Limpas passaram a dividir opiniões com o passar dos anos.
Um dos motivos foi o fato de as ações anticorrupção terem levado à extinção de alguns dos mais populares partidos políticos da Itália no pós-guerra, abrindo ainda mais espaço para os oportunistas de plantão.
A operação é considerada, inclusive, um fator determinante para a entrada de Berlusconi para a política.
Alguns de seus negócios não iam tão bem das pernas e havia temores de que as investigações mais cedo ou mais tarde chegariam às entranhas de seu império.
Em 1994, Berlusconi lançou o Forza Italia, partido de centro-direita cuja plataforma original concentrava-se na intenção de “derrotar os comunistas”.
Na campanha para as eleições daquele ano, Berlusconi fez uso irrestrito de seus canais de televisão para veicular propaganda partidária.
Seu partido conseguiu uma vitória consistente e Berlusconi ganhou o direito de formar um governo. Ele levou para a coalizão as legendas mais conservadoras do espectro político italiano, inclusive a Liga Norte, de extrema-direita.
Entretanto, Berlusconi teve vida curta no governo. Seu primeiro mandato, iniciado em maio de 1994, durou pouco mais de oito meses.
Nem muito mais nem muito menos que as dezenas de chefes de governo que o sucederam nas décadas seguintes ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
A política italiana era tão instável que a média de duração de um governo mal superava um ano.
Houve quem atribuísse o fracasso do primeiro governo de Berlusconi à inexperiência política e à impressão de que seus únicos interesses eram privilegiar seu conglomerado empresarial e evitar que a justiça ficasse em seu encalço.
De qualquer modo, Berlusconi não teve muito tempo para promover interesses pessoais no primeiro mandato. Ao mesmo tempo, ainda estava distante da morte política.
Berlusconi voltou ao cargo em 2001. O segundo mandato ficou marcado pela rejeição em referendo, em 2005, para uma reforma constitucional. No ano seguinte, sua coalizão de centro-direita foi derrotada nas urnas pela centro-esquerda e ele deixou o governo.
Entretanto, mais dois anos se passaram e Berlusconi voltou ao poder em 2008. Na ocasião, o político já acumulava uma série de condenações na justiça italiana, mas tirava proveito de brechas na lei para escapar da prisão.
Em meio a acusações de corrupção, fraude, escândalos sexuais — das orgias conhecidas como bunga-bunga a sexo com menores de idade — e à crise da dívida da Itália, Berlusconi renunciou no fim de 2011, algumas semanas depois de o Parlamento ter rejeitado sua proposta de orçamento para o ano seguinte.
Ao longo de seus mandatos, atuou deliberadamente para reverter pelo menos duas condenações e também para beneficiar suas empresas.
Ainda assim, somados seus três mandatos, ele foi o político que por mais tempo chefiou o governo italiano depois da Segunda Guerra Mundial.
A carreira política de Berlusconi parecia ter chegado ao fim em 2013, quando foi condenado a quatro anos de prisão por fraude tributária, mas teve a pena comutada em serviços comunitários por causa da idade.
A sentença também proibiu Berlusconi de concorrer a cargos públicos até 2019. Nem bem a punição se encerrou e ele se candidatou a uma cadeira no Parlamento Europeu. Venceu, mas pouco compareceu às sessões depois de contrair covid-19.
Berlusconi ainda não havia estreado oficialmente na política quando a mídia italiana cunhou o termo berlusconismo.
Inicialmente, o termo era positivo. Referia-se a uma espécie de “empreendedorismo otimista” por quem não se deixava abalar por dificuldades.
Mas a entrada de Berlusconi para a política ressignificou o termo. Para os simpatizantes, o berlusconismo se compararia com o peronismo argentino ou o gaullismo francês.
Já os detratores enxergam no berlusconismo um populismo demagógico que flerta com o fascismo.
A presença constante da Liga Norte em suas coalizões de governo e elogios feitos por ele ao longo dos anos ao regime de Benito Mussolini respaldam mais os detratores do que os simpatizantes.
Nos últimos anos, Berlusconi lutou contra um câncer na próstata e uma leucemia. Ao morrer, deixou cinco filhos de dois casamentos e uma fortuna pessoal estimada pela revista Forbes em bungabunguianos US$ 6,9 bilhões (R$ 33,6 bilhões, no câmbio atual).
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