Lula atuou para liberar empréstimo à Argentina às vésperas da eleição? Entenda o caso e veja a resposta do Planalto
O país vizinho precisava desse empréstimo-ponte para que o Fundo Monetário Internacional (FMI) pudesse liberar um desembolso de US$ 7,5 bilhões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atuou para autorizar uma operação para que o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) concedesse empréstimo de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) à Argentina. A informação foi revelada pela colunista do Estadão Vera Rosa.
O país vizinho precisava desse empréstimo-ponte para que o Fundo Monetário Internacional (FMI) pudesse liberar um desembolso de US$ 7,5 bilhões (R$ 38,6 bilhões). A rigor, a Argentina não poderia ter acesso aos recursos do FMI, porque já havia esgotado o limite de crédito.
O empréstimo acontece menos de 20 dias antes do primeiro turno das eleições argentinas, que ocorrem em 22 de outubro. Em caso de segundo turno, o pleito ocorre em 19 de novembro. Sergio Massa está praticamente empatado com seu principal opositor, o candidato de extrema-direita, Javier Milei, segundo o Observatorio de Encuestas, que compila pesquisas de intenção de voto no país.
Lula, então, agiu para que os países-membros do CAF aprovassem a transferência de US$ 1 bilhão diretamente para o FMI, em nome da Argentina. O Palácio do Planalto entrou em contato com a ministra do Planejamento, Simone Tebet, que é governadora do Brasil no CAF.
A ligação partiu do gabinete do ex-chanceler Celso Amorim, hoje assessor especial para assuntos internacionais da Presidência. Foi preciso telefonar várias vezes para Tebet, na tentativa de localizá-la. A ministra estava fora de Brasília, em compromisso particular, e só retornou depois.
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Empréstimo antes das eleições
A ação ocorreu às vésperas da visita do ministro da Economia argentino, Sergio Massa, ao País. Nome apoiado pelo presidente Alberto Fernández para a sua sucessão, ele esteve no Ministério da Fazenda e no Planalto em 28 de agosto.
Vale lembrar que o empréstimo-ponte do CAF não é ilegal e passou pelo crivo de 21 países-membros do banco. Somente o Peru votou contra.
Após a confirmação, o FMI autorizou novo acordo e liberou os US$ 7,5 bilhões para a Argentina.
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Reação interna
Depois da publicação da informação pelo Estadão, o presidenciável argentino Javier Milei disse que Lula atuou contra a sua candidatura e chamou o petista de "comunista furioso". Ele é adversário de Sergio Massa na corrida pela Presidência da Argentina.
"A casta vermelha treme. Muitos comunistas furiosos e agindo diretamente contra minha pessoa e meu espaço. A liberdade avança. Viva a liberdade c...", escreveu Milei nas redes sociais.
O que diz o governo sobre o empréstimo para Argentina
Em nota divulgada na última quarta-feira (4), a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência diz que "diferentemente do que vem sendo repercutido" (pela imprensa), o empréstimo não teve intervenção do presidente.
O comunicado afirma, ainda, que Lula não conversou sobre o empréstimo com a ministra Simone Tebet.
Durante audiência na Comissão Mista de Orçamento do Congresso, também nesta quarta, Tebet disse que não consultou Lula diretamente, mas admitiu que recorreu ao Itamaraty para saber como os demais países membros do CAF pretendiam votar em relação ao pedido da Argentina.
"O que aconteceu neste caso, e em outros casos, nós temos às vezes, via Ministério das Relações Exteriores, um grande apoio, onde a gente consulta para sentir como os embaixadores de outros países vão votar. É muito natural", afirmou.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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