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Ana Carolina Neira
Ana Carolina Neira
Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero com especialização em Macroeconomia e Finanças (FGV) e pós-graduação em Mercado Financeiro e de Capitais (PUC-Minas). Com passagens pelo portal R7, revista IstoÉ e os jornais DCI, Agora SP (Grupo Folha), Estadão e Valor Econômico, também trabalhou na comunicação estratégica de gestoras do mercado financeiro.
COMO SERÁ O FUTURO?

Petrobras (PETR4): em time que está ganhando se mexe? O que esperar da estatal após a troca de sete dos oito diretores

Para analistas, a lista de novos nomes para a diretoria da Petrobras (PETR4) ainda não responde às principais dúvidas que cercam a empresa

Ana Carolina Neira
Ana Carolina Neira
22 de fevereiro de 2023
16:23 - atualizado às 20:20
dividendos petrobras petr4
Imagem: Adobe Stock/Shutterstock/Montagem Giovanna Figueredo

Há um ditado clássico que diz que em time que está ganhando não se mexe. Mas, no caso da Petrobras (PETR4), por mais elogiada que fosse a última gestão, é hora de mudanças sim — afinal, um novo governo prevê uma nova direção.

E foi assim que o presidente da companhia, Jean Paul Prates, indicou na véspera de Carnaval dois novos membros para a composição da diretoria executiva.

Nos últimos dias, o nome de Sérgio Caetano Leite foi indicado para os cargos de diretor executivo financeiro e de relacionamento com investidores. 

Já Clarice Coppetti foi indicada como diretora executiva de relacionamento institucional e sustentabilidade.

Há algumas semanas, o novo CEO da Petrobras já havia nomeado outros cinco membros para a diretoria da companhia, confira:

  • Claudio Schlosser - Comercialização e Logística;
  • Carlos Travassos - Desenvolvimento da Produção;
  • Joelson Falcão - Exploração e Produção;
  • William França - Refino e Gás Natural e
  • Carlos Augusto Barreto - Transformação Digital e Inovação.

Aliás, vale lembrar que todos eles ainda precisam da aprovação do Comitê de Pessoas da empresa, além de aprovação do conselho de administração.

Petrobras (PETR4): o que esperar do novo time?

Até aqui, esses novos nomes foram bem recebidos, mas dizem muito pouco sobre o futuro da estatal, avaliam analistas. O mercado ainda exige mais clareza sobre a gestão deste time e continuará acompanhando com atenção especial a política de dividendos da Petrobras — esse sim o tema de maior interesse dos investidores.

Na avaliação de Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, os nomes selecionados são técnicos, enquanto os profissionais são capazes de manter o nível operacional e financeiro da Petrobras em linha com aquilo que foi visto nos últimos anos.

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"Mas isso não basta para garantir que os resultados continuarão bons, especialmente caso haja pressões políticas para alterar a precificação de combustíveis e reduzir drasticamente os dividendos", afirma.

Substituindo a tripulação de um navio bem pilotado

É assim que o Credit Suisse comentou as mudanças feitas na Petrobras, ressaltando a boa administração da companhia. Para o banco, a estatal é um exemplo de reestruturação, com boa desalavancagem, rentabilidade e um sólido plano de negócios desde 2015.

Em relatório, a equipe do banco afirma que esperava mudanças na empresa com o novo governo, assim como também é esperado algum grau de continuidade na gestão. 

As principais preocupações, atualmente, são: alocação de capital da Petrobras, com continuidade do atual plano de negócios; possíveis mudanças na política de preços; e alterações na política de dividendos.

Com as nomeações recentes, a Petrobras também fecha a lista daqueles que terão poder de fazer reajustes nos preços dos combustíveis. São eles o CFO Sérgio Caetano Leite, o próprio Jean Paul Prates e Claudio Schlosser, de Comercialização e Logística.

O Credit Suisse possui recomendação neutra para PETR4, com preço-alvo de US$ 16,00 para os American Depositary Receipt (ADR) — potencial de valorização de 38,5% se considerado o último fechamento.

Incertezas ainda rondam a Petrobras (PETR4)

Também em relatório, a equipe do Citi vê riscos em torno da tese da Petrobras, sem precisar o que esperar da nova direção.

Para os analistas do banco, os temas centrais para a estatal também são possíveis mudanças na estratégia de longo prazo, na política de preços e na alocação de capital, que pode se traduzir em múltiplos menores na comparação com seus pares.

"Uma das áreas de discussão mais importantes, a nosso ver, é a futura política de dividendos da empresa, que pode convergir para o payout mínimo de 25%", diz o documento.

Ainda assim, o Citi mantém recomendação de compra para os ADRs da Petrobras, com preço-alvo de US$ 19,00 — potencial de alta de 68,6%.

A reação das ações

No pregão desta quarta-feira (22), as ações da Petrobras operam em baixa. Por volta das 15h02, PETR4 recuava 1,82%, cotada a R$ 25,96. Já PETR3 caía 1,28% a R$ 29,33.

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