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Enquanto as vendas de hatches, sedãs e outros modelos leves têm caído, os SUVs estão cada vez mais populares — e novos lançamentos vêm aí
Os SUVs são hoje a categoria de veículos mais vendida no Brasil, com quase metade do mercado (47%). Embora ainda considerados como segmento único pela Fenabrave, que divulga o número de licenciamentos, os utilitários esportivos poderiam ser divididos em compactos, médios e grandes — como são considerados hatches, sedãs e picapes.
E, na esteira do sucesso dos SUVs, as marcas só aumentam as opções e volumes produzidos desse tipo de veículo. Mas essa decisão traz seus efeitos colaterais: a "canibalização" de outros segmentos, roubando mercado de outros modelos.
Na década passada, os SUVs já dominaram a fatia de mercado que era ocupada pelas station wagons (peruas) e minivans; agora, começam a sepultar os hatches. Os sedãs ainda resistem, mas até quando?
Confira no gráfico, o market share do SUVs dos últimos 5 anos no Brasil diante de hatches e sedãs.

Enquanto os hatches pequenos (Onix, HB20, Argo, Polo, Yaris, C3, 208 e City) ainda sobrevivem, muito em função de seu custo/benefício e sua adoção em larga escala por motoristas de aplicativo, as opções de médio porte somem — como os extintos Golf e Focus —, restando apenas o Cruze.
Para se ter ideia de volume: em 2019, foram vendidos 745 mil hatches pequenos. Ano passado, o segmento somou 350,6 mil. Dos hatches médios, o acumulado de 2019 foi de 8.700 e em 2022, 2.300 unidades.
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Dos sedãs médios, a Toyota tem a liderança isolada com o Corolla após o Civic deixar de ser produzido no Brasil (voltou como híbrido importado, bem mais caro), o que ajudou o Cruze a se manter em segundo e com um pequeno ganho de participação de mercado. A Nissan aproveitou a brecha para retomar a importação do Sentra desde março.
Em volume, o segmento de sedãs médios, que acumulou 131 mil unidades em 2019, fechou 2022 com 57,3 mil. Os sedãs compactos (Onix Plus, Virtus, Yaris Sedan, Versa e City) ficaram mais estáveis e foram os menos afetados pela onda dos SUVs: de 133,6 mil emplacamentos, caíram para 124,5 mil de 2019 a 2022.
Ao analisar os utilitários esportivos, o crescimento nem foi tão grande em volume: de 600 mil unidades emplacadas em 2019, a categoria “da moda” saltou para 691 mil unidades em 2022 (avanço de 15%).
O fenômeno não ocorre tanto em quantidade de licenciamentos, até porque o mercado retraiu, mas em uma clara migração de segmentos. Antigos donos de hatches e sedãs buscam SUVs, ao mesmo tempo que as montadoras antecipam essa tendência, tirando de linha modelos em baixa nas vendas.
Desde 2020, o mercado se despediu de diversos modelos compactos e médios. Começou pelo Fiat Palio Weekend, em janeiro daquele ano; fabricada no Brasil desde 1997, teve 530 unidades produzidas em Betim (MG).
A Nissan, em 2020, aposentou o March para expandir a produção das SUVs Kicks. Fabricado em Resende (RJ), o hatch foi montado por nove anos e acumulou 116 mil unidades.
O Fox, originário da linha de São José dos Pinhais (PR), também foi encerrado pela Volkswagen após 18 anos, no fim de 2021; o modelo acumulou cerca de 200 mil unidades junto com a variante CrossFox. A justificativa? Ceder espaço para ampliar a produção das SUVs T-Cross.
Também foi em 2021 que a Fiat encerrou a produção do Doblò, após 20 anos de mercado, outro carro de porte familiar que deixou de ser atraente e perdeu espaço para os SUVs.
A Renault, após 14 anos de produção em São José dos Pinhais, encerrou em 2022 o Sandero e manteve apenas o Stepway em linha, que era a versão “aventureira” do hatch, e tornou-se uma família independente desde sua reestilização, em 2017.
Entre os sedãs compactos também afetados pelo fenômeno SUVs, foram vítimas o Chevrolet Cobalt (encerrado em 2020) e o Caoa Chery Arrizo 5 (parou de ser feito em 2021 e continuou nos estoques até 2022).
Ainda em linha, mas em baixos volumes, o Honda Civic, que em 2021 encerrou o ano com 19 mil unidades emplacadas e 24,5% de participação de mercado, cansou de brigar com o Corolla e deixou de ser produzido. Sua 11ª geração chegou híbrida, importada, cara e vendendo menos de 100 unidades por mês.
A Volks enxugou a oferta do mexicano Jetta em 2022, hoje restrito apenas à versão esportiva GLi de 231 cv e sumido do mercado. Em todo ano passado, a marca emplacou apenas 548 unidades do sedã.
Até a importadora Volvo tirou de linha os sedãs S60 e S90, e 100% de suas ofertas hoje são só de SUVs.

Não à toa, novos utilitários esportivos ganharam mercado. Só da Volks, nos últimos 5 anos, foram três: T-Cross, Nivus e Taos — esse último produzido na Argentina. A Fiat investiu no Pulse e Fastback. A Jeep acrescentou o Commander ao seu portfólio e a Toyota, o Corolla Cross. A Caoa Chery passou a focar nos SUVs Tiggo 5x, Tiggo 7 e Tiggo 8.
E quem não criou, modernizou: caso da Hyundai, com o Creta; da Chevrolet, com o Tracker; e da Honda, com a nova geração do HR-V.
As marcas chinesas eletrificadas vieram com tudo na oferta de SUVs: a BYD já vende três elétricos e da GWM são três utilitários híbridos.
A substituição de modelos compactos e médios ainda está em curso, mesmo após tantos outros mais antigos terem saído de linha.
Restam ainda alguns sobreviventes, que rastejam no mercado. Caso do Chevrolet Cruze Sport6, hatch médio que deve ser mantido em produção só até o fim deste ano — mesmo destino do sedã médio Cruze. Fabricados em Santa Fé, na Argentina, darão lugar à ampliação da oferta dos SUVs Tracker.
Esperados para o fim deste ano, os inéditos SUVs compactos da Renault com motor 1.0 turbo também vão aposentar o Stepway e, provavelmente, o Logan. Com dificuldade de emplacar no mercado, o Captur é outro que será engolido pelo novo SUV nacional.
A Toyota já anunciou um novo SUV compacto, derivado do Yaris, que deve ser chamado de Yaris Cross. Ao que tudo indica, a montadora vai tirar o hatch de linha para focar na produção dos novos SUVs abaixo do Corolla Cross em 2024.

A Citroën apresentou recentemente o C3 Aircross, SUV derivado da mesma plataforma do hatch, com a possibilidade de oferecer 7 lugares.
A Honda vai acrescentar ao seu portfólio mais dois SUVs: a nova geração híbrida do CR-V e o inédito ZR-V, que compartilha plataforma com o novo Civic. Desta forma, o SUV mexicano vai brigar com Compass e Corolla Cross.
Da Hyundai, por meio do Grupo Caoa, estão chegando às lojas: o importado Kona (crossover em opção híbrida e elétrica) e o nacional New Tucson.
A Volvo anunciou a chegada de dois novos SUVs elétricos: o EX90, variação do XC90, para início de 2024; e o EX30, novo modelo de entrada, para meados do próximo ano.
E até a Ferrari se rendeu aos utilitários esportivos: a importadora oficial da marca já encomendou para o segundo semestre algumas unidades do Purosangue, primeiro SUV da fabricante de Maranello, com motor V12 a gasolina de 725 cv. O preço ainda não foi revelado, mas deve bater a casa do R$ 7 milhões.

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