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Apesar das revisões para o PIB e a inflação, o boletim Focus segue projetando a Selic em 12,50% ao ano ao fim de 2023
O surpreendente resultado do PIB brasileiro no primeiro trimestre de 2023 desencadeou uma brusca alteração nas projeções dos analistas de mercado para o restante do ano.
A primeira edição da pesquisa Focus depois do “espetáculo do crescimento” de 1,9% da economia nacional entre janeiro e março levou a um aumento das projeções para o PIB e a um corte das estimativas para a inflação ao fim de 2023.
Somente a projeção para a Selic resistiu ao charme do PIB do Brasil nos primeiros três meses do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Confira a seguir as principais estimativas contidas no boletim Focus desta semana.
A alteração mais relevante ocorreu no PIB. A projeção dos analistas saltou de +1,26% para uma alta de 1,68% no acumulado de 2023. Há quatro semanas, o mercado esperava uma expansão de apenas 1%.
Com o aumento da projeção para este ano, a estimativa para 2024 sofreu ajuste levemente negativo, passando de +1,30% na semana passada para crescimento de 1,28% na Focus desta semana.
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Se o resultado do primeiro trimestre levou um salto na projeção do PIB, é prudente lembrar que o resultado da Focus leva em conta a expectativa de dezenas de agentes de mercado.
Isso significa que há entre eles os mais otimistas e os mais pessimistas.
Entre os otimistas, chamam a atenção o Rabobank e o Bradesco.
Em relatório divulgado pouco antes da divulgação da Focus, o Rabobank elevou sua expectativa para o crescimento do PIB brasileiro em 2023 de 1,2% para 2,3%. Para 2024, a projeção do Rabobank passou de 1,3% para 1,4%.
“Embora ainda pensemos que o crescimento do PIB deve perder força devido ao aperto monetário local e global, o forte base do primeiro trimestre claramente nos faz repensar o crescimento em 2023”, avalia o Rabobank.
A instituição reforça que as restrições monetárias no Brasil e no resto do mundo continuam impondo um grande tributo aos setores de serviço e indústria.
Já a Bradesco Asset elevou sua projeção para o PIB de 2023 de 0,9% para 1,9%.
Para o restante do ano, porém, a expectativa é de que o crescimento desacelere paulatinamente.
Ao mesmo tempo, “o fato de a expansão estar concentrada no setor do agronegócio não traz preocupações do ponto de vista de uma eventual pressão sobre a política monetária”, avaliou Marcelo Cirne de Toledo, economista-chefe da Bradesco Asset, em relatório divulgado hoje.
E se a projeção para o PIB subiu pela quarta semana seguida, a estimativa para o IPCA segue em queda.
A expectativa dos participantes do mercado para a inflação oficial ao fim de 2023 recuou pela terceira edição consecutiva da pesquisa Focus, passando de 5,71% na semana passada para 5,69% nesta. Há quatro semanas, a estimativa encontrava-se em 6,02%.
No entanto, a projeção segue acima do teto da meta de inflação para 2023, de 4,75%.
Para 2024, a inflação anual projetada oscilou de 4,13% para 4,12% na Focus desta semana.
Na quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o IPCA de maio. A prévia oficial, contida no IPCA-15, mostrou uma desaceleração da alta dos preços maior do que a esperada pelo mercado.
Mesmo com as projeções para o PIB revisadas em alta e as do IPCA em baixa, a previsão para a taxa Selic ao fim de 2023 permaneceu em 12,50% ao ano pela sétima semana seguida.
A taxa básica de juro encontra-se atualmente em 13,75% ao ano.
A próxima decisão de juro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) é esperada para 21 de junho.
Apesar da desaceleração da alta dos preços, porém, a expectativa é de que o Copom comece a cortar os juros somente a partir de agosto, afirma Mirella Hirakawa, economista sênior da AZ Quest.
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