Haddad diz que ficha do mercado está caindo em relação ao governo anterior e quer adiantar reformas
Para Haddad, os participantes do mercado estão se dando conta do impacto negativo das medidas adotadas por Bolsonaro com a expectativa de se reeleger

Você talvez nunca tenha visto nem usado uma ficha telefônica, mas certamente vai entender o que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quis dizer numa entrevista concedida na manhã desta terça-feira (3).
Segundo ele, a ficha do mercado está caindo no que se refere às medidas do governo Jair Bolsonaro, especialmente aquelas adotadas nos meses que antecederam as eleições presidente de outubro de 2022.
O comentário veio à tona em um momento da entrevista no qual Haddad buscava minimizar as reações negativas do mercado financeiro a sua nomeação.
Para o ministro, o movimento negativo dos ativos brasileiros é resultado dos impactos produzidos pelas políticas adotadas pelo governo Bolsonaro às vésperas da eleição.
“Agora está caindo a ficha do mercado”, disse ele em live promovida pelo site Brasil 247.
Haddad repetiu dados divulgados por ele ontem, durante sua posse. Medidas por ele qualificadas como eleitoreiras por parte da administração Bolsonaro tiveram impacto negativo de R$ 300 bilhões entre gastos e renúncias fiscais.
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"Tinha um clima de que a economia estava no rumo certo, mas que está se desfazendo pelos números de gasto eleitoral do Bolsonaro. Pessoas não se deram conta de que Bolsonaro usou 3% do PIB na eleição", afirmou.
"Esse é o legado de Bolsonaro. Não é ataque especulativo, é que a ficha caiu", reforçou o ministro da Fazenda.
Haddad quer começar a discutir reforma tributária e âncora fiscal com o Congresso em abril
O ministro da Fazenda prometeu para o início do segundo trimestre o anúncio de medidas "para colocar o País no rumo certo", embora a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição dê o prazo até agosto para apresentação do novo arcabouço fiscal.
Assim, a partir de abril, com as comissões no Congresso instaladas, poderão ser encaminhadas as mudanças estruturais no Congresso. "A partir do fim de abril, vou começar a discutir [reforma] tributária e arcabouço [fiscal] com o Congresso."
Haddad afirmou que tem sido transparente com a situação que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está assumindo o País.
"Não vamos reclamar, fomos eleitos para corrigir. Estamos no segundo dia do governo, mas vamos resolver. Sabemos que o tempo é curto."
Haddad diz que CMN vai voltar a ser formado por Fazenda, Planejamento e BC
Haddad também disse que o Conselho Monetário Nacional (CMN) voltará a ser formado pelos chefes da Fazenda e Planejamento, além do Banco Central, como já havia informado na segunda-feira a ministra de Gestão, Esther Dweck.
No governo Jair Bolsonaro (PL), foi formado um superministério da Economia, então o conselho era formado pelo ministro da pasta, pelo secretário especial de Tesouro e Orçamento e pelo BC.
Visões diferentes
Haddad afirmou ainda que ele, Dweck, Simone Tebet, ministra do Planejamento, e Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, têm visões diferentes e avaliou que isso é positivo.
Mas reconheceu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai participar da "mesa de discussões" da equipe econômica.
"Decisão do presidente equipe cumpre. Lula governa ouvindo as pessoas, gosto desse estilo", afirmou.
Na dúvida, sai governo, entra governo, se qualquer coisa sair errada, a culpa vai continuar sendo da imprensa, ou pelo menos de uma parte dela.
Na avaliação de Haddad, “há uma parcela da imprensa que é viúva da derrota e está torcendo contra, apostando no fracasso”.
Mas "os fatos vão se impor, medidas vão se impor. Em 2003, Lula estava cercado de muito ceticismo. Não é diferente agora, mas nossa casca é grossa."
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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