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Para especialistas, uma redução em 0,75 ponto porcentual já na próxima reunião do Copom, em setembro, não pode ser descartada
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de quarta-feira (2) sacramentou no mercado a avaliação de que o ritmo de cortes de 0,5 ponto porcentual da taxa Selic por reunião do colegiado será a "velocidade de cruzeiro" do ciclo de afrouxamento.
Mas, entre economistas, há quem veja espaço para aceleração do ritmo a 0,75 ponto à frente — uma aposta que pode, inclusive, crescer no mercado de juros, conforme apurou o Broadcast.
O colegiado reduziu os juros em 0,5 ponto porcentual, de 13,75% para 13,25%. A decisão não apenas foi dividida — vencedora por cinco votos, contra quatro que defenderam uma baixa mais amena, de 0,25 ponto —, como divergiu das expectativas da maioria dos analistas consultados pelo Projeções Broadcast.
Entre 88 instituições, 62 (70%) esperavam corte de 0,25 ponto, contra apenas 26 (30%) que previam baixa de 0,50. Essa foi a primeira divergência entre o Banco Central e o consenso do mercado desde março de 2021.
Apesar da decisão dividida, o comitê informou que seus membros "unanimemente" preveem reduções da mesma magnitude nas próximas reuniões. Como resultado, instituições como Banco BV, Barclays, BNP Paribas, G5 Partners e Warren Rena diminuíram suas projeções para a taxa Selic no fim de 2023, de 12% para 11,75% em todos os casos.
As revisões incorporam a baixa 0,25 ponto porcentual maior do que o esperado em agosto, seguida por cortes de 0,5 ponto nas reuniões do Copom de setembro, novembro e dezembro.
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O diretor de pesquisa para América Latina do BNP Paribas, Gustavo Arruda, classificou a decisão como um "corte hawkish", devido ao esforço da autoridade monetária para sinalizar um ritmo contido para os próximos ajustes.
Na avaliação do analista, o mais provável é que a comunicação do Copom transforme os cenários de cortes de 0,75 ponto porcentual nas próximas reuniões em "riscos de cauda" embutidos nos preços de ativos, embora essa precificação possa crescer com o tempo.
"Entre os cenários possíveis, cortes de 0,5 ponto são a base, e tem um risco de cauda de 0,75 ponto, que pode aumentar à medida que o tempo vai passando. Eu entendo o que tentaram fazer, mas não tenho muita certeza sobre se isso vai mudar as coisas", afirma Arruda.
Na mesma linha, o sócio e economista-chefe da Quantitas, Ivo Chermont, afirma que o Copom buscou adotar um tom hawkish para aparar as apostas de uma redução em ritmo maior, de 0,75 ponto porcentual.
No entanto, a tendência é que o comunicado não seja suficiente para zerar as projeções. "Pessoalmente acho que o mercado vai ficar dividido entre 50 e 75 pontos-base, mas a probabilidade deve se concentrar bem no 50. A não ser que os dados comecem a vir maravilhosamente bem", afirma.
O economista da ASA Investments Leonardo Costa avalia que a surpresa com a magnitude do corte em agosto abre a possibilidade de aceleração do ritmo de quedas, já que o BC poderia ter agido com maior "parcimônia" em um cenário desafiador, com os núcleos de inflação ainda elevados.
Para o analista, uma redução da taxa Selic em 0,75 ponto porcentual já na próxima reunião do Copom, nos dias 19 e 20 de setembro, não pode ser descartada.
"Uma vez que o ciclo começou com um corte de 0,50 ponto e o BC está confiante em seu cenário, o risco é dar um pouco mais na próxima reunião, a depender do comportamento da inflação. Essa possibilidade não é o nosso cenário base, mas existe, sim. Está na mesa", afirma Costa, que também reduziu de 12% para 11,75% a sua projeção para a taxa Selic no fim de 2023.
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