Black Friday ou Black Fraude? Conheça os golpes mais usados pelos fraudadores e saiba como evitar ciladas
Com grandes compras vêm grandes possibilidades de golpes. O Seu Dinheiro foi atrás dos métodos de fraudes e dicas de cibersegurança para você curtir a Black Friday sem passar perrengue

A Black Friday conquista mais adeptos a cada ano que passa. No meio das incontáveis promoções que marcam a data, os consumidores precisam redobrar a atenção para escapar de fraudes e golpes. Afinal, nem sempre é à toa que a data comercial recebe o apelido de “Black Fraude”.
Na Black Friday deste ano, duas a cada três pessoas no país pretendem comprar produtos na temporada promocional de novembro, de acordo com pesquisa feita pela Offerwise a pedido do Google. O levantamento avaliou um aumento em relação ao ano passado, quando a Black Friday foi eclipsada pela Copa do Mundo.
Segundo o Relatório Varejo 2023, realizado pela Adyen, quase um quarto dos consumidores sofreram com golpes no ano passado. Com o aumento das intenções de compra, os golpes também devem ganhar força, em especial nos meios digitais.
“O risco para o comércio eletrônico na Black Friday é que, com a expectativa de aumento de receita, situações de fraude podem passar despercebidas”, explica Rafael Costa Abreu, diretor de marketing e estratégia para mercado de fraude e identidade na América Latina da LexisNexis Risk Solutions.
Apesar do aumento do risco durante a temporada, não é motivo para desespero. Para você aproveitar as promoções e evitar os riscos, o Seu Dinheiro falou com especialistas e separou os principais caminhos para se proteger das fraudes.
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Como são aplicados os golpes mais comuns da Black Friday
Apesar das novas tecnologias, como o Pix e a Inteligência Artificial, as fraudes no Brasil são “recicladas”, impulsionadas pelas ferramentas que surgiram nos últimos anos. Os golpes possuem “mecanismos que já são recorrentes”, segundo o especialista Rafael Costa Abreu.
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Dessa forma, as novas fraudes no e-commerce devem aumentar nesta Black Friday, mas sem deixar muito para trás os golpes de cartão de crédito, seja por roubo ou por clonagem.
O diretor de fraude da LexisNexis Risk Solutions alerta que a principal técnica para a aplicação de golpes é por meio de engenharia social, na qual o consumidor é convencido a transmitir informações sensíveis e pessoais para o criminoso.
“Além de perder o dinheiro, [o usuário] perde uma série de dados que podem ser usados no futuro para pedir um empréstimo, abrir uma empresa ou para outras finalidades”, explica.
Entre as abordagens de engenharia social, a mais utilizada é a técnica de phishing, que envolve uso de tecnologia e manipulação psicológica. O golpista se passa por pessoa ou empresa confiável para conseguir os dados, que são utilizados por ele ou vendidos para outros criminosos.
A partir dos dados, as compras são efetuadas, podendo prejudicar tanto o consumidor quanto as empresas. Confira os cinco principais golpes digitais no e-commerce:
- Fraude de Interceptação
Este golpe é caracterizado pela infiltração entre o comprador e o site de e-commerce. Normalmente, o criminoso utiliza os dados do consumidor para fazer as compras, mas, antes de ser enviado, solicita uma troca de endereço de entrega.
- Fraude de Teste de Cartão
A fraude é realizada por meio do número de cartão de crédito, que pode ser comprado na dark web ou captado através de golpes de engenharia social.
O trabalho principal é confirmar a autenticidade do cartão. A validação normalmente é feita a partir de tentativas de compras de baixo valor para não chamar a atenção do titular.
- Roubo de Identidade
O golpista se utiliza de dados de uma pessoa real com o objetivo de fazer transações, compras, abrir contas em banco, solicitar empréstimos ou fazer saques.
As informações da vítima podem ser obtidas através de golpes ou através da inclusão, pela própria pessoa, de seus dados em sites falsos que simulam com perfeição os sites legítimos.
- Roubo de Conta
Neste caso, o fraudador rouba o acesso à conta do consumidor em sites de e-commerce. Através do acesso à conta da vítima, o endereço é alterado e são efetuadas as compras.
- Fraude de Triangulação em Marketplaces
A partir de um anúncio real de uma loja, o golpista faz um cadastro falso, e de difícil detecção, como vendedor do mesmo produto em outro site.
Quando um comprador legítimo entra com os dados pessoais para comprar no link falso, o fraudador rouba esses dados. Então, as informações são utilizadas para comprar o produto real do marketplace original.
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O que há de novo: como a tecnologia é utilizada na aplicação de golpes
As técnicas para os golpes, que já são conhecidas, incluem o envio de ofertas e prêmios falsos, simulação de sequestro ou de pedido de dinheiro para parentes.
Já nas fraudes realizadas no meio digital, o golpista geralmente precisa do acesso a um meio de pagamento para realizar os crimes.
Embora as abordagens não sejam novas, a tecnologia impulsiona a escala e a credibilidade das fraudes.
É o exemplo da Inteligência Artificial, que pode ser utilizada como “um suporte para o fraudador desenvolver novos golpes”, segundo Rafael Costa Abreu.
“Se antes, [o golpista] precisava conversar com cada pessoa pelo WhatsApp para aplicar a fraude, agora ele pode simplesmente automatizar essa tarefa por meio de uma inteligência artificial. Ela pode ser utilizada também para construir o golpe, através da geração de códigos de aplicativos para roubar dados ou para criar programas software”, explica o especialista.
Outra ferramenta que pode trazer dores de cabeça para o consumidor é a criação de retratos por meio de IA.
“Por meio de fotos e vídeos das redes sociais, o golpista consegue criar imagens que são tão reais que tornam as fraudes mais críveis e mais perigosas”, esclarece.
Na mira da fraude: como se proteger dos golpes na Black Friday
Se a tecnologia pode ajudar os fraudadores, ela também pode ser utilizada para te proteger dos golpes.
Para as empresas, a Inteligência Artificial tem capacidade de colaborar com a biometria comportamental, que analisa o comportamento dos usuários e identifica quando existe uma alteração de conduta que pode ser características de fraudes.
“As empresas precisam investir em conhecer seus consumidores e os padrões de consumo, como os usuários interagem com a plataforma, porque existem padrões de comportamento que são muito típicos de golpistas”, afirma Rafael Costa Abreu.
Segundo o especialista em fraude, a técnica avalia desde o local em que o dispositivo é acessado até a velocidade e padrão de digitação do consumidor, sem violar a privacidade do usuário.
Já para os consumidores, o consultor de cibersegurança da keeggo, Jonathan Arend revela que o segredo está na informação. “Os usuários não têm muita consciência, geralmente, sobre como se proteger na navegação web, o que colabora com o sucesso das tentativas de exploração”, explica.
Durante a Black Friday, o especialista em cibersegurança também indica atenção nas promoções que são boas demais e em links suspeitos. “Sempre verifique se o site tem um protocolo ‘https’ em vez de apenas ‘http’. O ‘s’ indica que a conexão é segura e que os dados estão sendo criptografados”, recomenda.
Confira os 5 cuidados que o consumidor deve ter durante a Black Friday segundo o especialista:
- Redes seguras.
Evite fazer compras ou acessar informações bancárias enquanto estiver conectado a redes Wi-Fi públicas. Segundo o especialista, quando puder, o consumidor deve optar por utilizar a rede privada virtual (VPN).
- Gerenciamento de senhas
Cadastre senhas complexas e exclusivas para cada site que é acessado. Além disso, não é indicado guardar as informações em planilhas ou em sistemas de armazenamento online, sendo preferível usar um gerenciador para criar e armazenar as senhas.
- Atualize softwares
Mantenha sistemas operacionais, navegadores e softwares de segurança atualizados. Muitas atualizações incluem correções de vulnerabilidades que podem ser exploradas por malwares.
- Monitore contas
Verifique regularmente contas bancárias e de cartão de crédito para identificar e denunciar rapidamente transações não autorizadas.
- Utilize 2FA
Sempre que possível, ative a autenticação de dois fatores em contas online. Isso adiciona camada extra de segurança ao exigir não apenas uma senha, mas também uma segunda forma de verificação.
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