Bilionário indiano rebate acusações de fraude após Adani Group perder US$ 72 bilhões em valor de mercado
Gautam Adani publicou um documento de 413 páginas refutando as alegações da Hindenburg Research de fraude contábil e lavagem de dinheiro

Dizem que a confiança é como um cristal: uma vez quebrada, não há nada que possa consertá-la — e o Adani Group, o maior conglomerado da Índia, é uma prova concreta disso no mercado financeiro.
Não importa o quanto Gautam Adani tente convencer os agentes do mercado de que as acusações da empresa Hindenburg Research seriam “nada além de uma mentira”, as ações de seu grupo não são capazes de desacelerar a queda livre dos últimos pregões na bolsa de valores.
O bilionário indiano publicou no último domingo um documento de 413 páginas refutando as alegações da empresa, na tentativa de acalmar os investidores do grupo em meio à derrocada dos papéis do Adani Group nos mercados.
Segundo informações da Bloomberg, o conglomerado perdeu mais de US$ 72 bilhões em valor de mercado após as acusações de manipulação de mercado.
Com isso, o dono do grupo indiano acumulou queda de aproximadamente US$ 32,4 bilhões em patrimônio líquido desde o começo do ano, com uma fortuna agora estimada em US$ 88,2 bilhões.
As acusações da Hindenburg sobre o Adani Group
Na quarta-feira passada (25), a Hindenburg Research revelou acusações de fraude contábil, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado envolvendo o Adani Group.
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Em um relatório de 100 páginas, a Hindenburg afirmou que sua investigação de dois anos encontrou “manipulação descarada de ações e fraude contábil”, além de uma “dívida substancial” do conglomerado.
Vale destacar que a casa de análise é focada em vendas a descoberto (short-selling) e está com posição vendida nas empresas que compõem o conglomerado, ou seja, apostando na queda dos ativos.
As acusações da Hindenburg destacam o desempenho inconsistente das empresas do Adani Group em relação à média da indústria, cujas ações misteriosamente teriam disparado nos últimos três anos.
“As sete principais empresas listadas do Adani Group estão cerca de 85% supervalorizadas, mesmo se você ignorar nossa investigação e considerar as finanças das companhias pelo valor de face”, disse a Hindenburg, em relatório.
A empresa ainda acusa executivos da família Adani de criar entidades de fachada offshore em paraísos fiscais, na intenção de gerar documentos de importações e exportações forjados para desviar dinheiro das empresas listadas.
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A (longa) resposta de Adani
Assim que a denúncia da Hindenburg Research foi publicada, o conglomerado de Gautam Adani já havia chamado o relatório de “infundado” e “malicioso”. Na quinta-feira, a empresa disse ainda estar considerando entrar com uma ação na Justiça.
Porém, na nova resposta às acusações da Hindenburg, o Adani Group, em um documento de mais de 400 páginas, acusou a empresa norte-americana de lançar “um ataque calculado” à Índia.
“Este não é apenas um ataque injustificado a qualquer empresa específica, mas um ataque calculado à Índia, à independência, integridade e qualidade das instituições indianas e à história de crescimento e ambição da Índia”, escreveu Adani.
O texto dizia que cerca de 65 das 88 questões levantadas pela Hindenburg Research já foram abordadas em divulgações públicas. A retórica ainda afirma que as alegações seriam "infundadas e desacreditadas", e ressalta que a empresa teria um "motivo oculto".
“Isso está repleto de conflitos de interesse e visa apenas criar um falso mercado de valores mobiliários para permitir que a Hindenburg, uma vendedora a descoberto admitido, obtenha ganhos financeiros maciços por meios ilícitos às custas de inúmeros investidores”, afirmou.
Segundo o Adani Group, a conduta da empresa de pesquisa seria “nada menos que uma fraude de valores mobiliários calculada sob a lei aplicável”.
“Não é bem assim…”
O documento publicado pelo Adani Group no domingo citou as acusações das entidades offshore e de manipulação de mercado.
Em relação à origem dos recursos das investidoras offshore, o conglomerado afirmou que são acionistas públicos do portfólio da Adani e “as insinuações de que são partes aparentadas dos promotores são incorretas”.
Enquanto isso, sobre a questão de manipulação de mercado entre 1999 e 2005, o grupo respondeu que, apesar da acusação de mais de 70 entidades e indivíduos, não há processos em andamento contra os promotores da Adani perante à SEBI (a CVM indiana).
Ontem, a companhia de pesquisa Hindenburg Research ainda destacou, em resposta à refutação de Adani, que “a fraude não pode ser ofuscada pelo nacionalismo”.
“O Adani Group tentou combinar sua ascensão meteórica e a riqueza de seu presidente, Gautam Adani, com o sucesso da própria Índia”, disse a companhia, em tweet.
A empresa disse que, apesar do longo documento de resposta às acusações, o grupo indiano teria ignorado “todas as principais alegações” levantadas.
“Em termos de substância, a resposta de 413 páginas de Adani incluiu apenas cerca de 30 páginas focadas em questões relacionadas ao nosso relatório. O restante da resposta consistia em 330 páginas de registros judiciais, juntamente com 53 páginas de finanças de alto nível, informações gerais e detalhes sobre iniciativas corporativas irrelevantes, como o incentivo ao empreendedorismo feminino e a produção de vegetais seguros.”
*Com informações de Bloomberg e CNN
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