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André Esteves, do BTG Pactual, vê ansiedade natural de Lula para cumprir promessas, mas alerta para risco

Sócio do BTG Pactual diz que o rentista é o mais prejudicado com uma política fiscal saudável e que banqueiro não gosta de juros altos

André Esteves, sócio e presidente do conselho do BTG Pactual
André Esteves - Imagem: Alan Teixeira/Divulgação

As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste início de mandato mostram uma ansiedade do petista em atender rapidamente a população mais carente, mas essa mesma ansiedade pode trazer um risco ao governo. A análise é de André Esteves, sócio sênior e presidente do conselho de administração do BTG Pactual (BPAC11).

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“O presidente tem uma ansiedade natural, pelo momento de vida e tudo o que passou, de rapidamente atender aquela população que ele vê como o seu objetivo de governo, o que eu acho louvável”, afirmou Esteves, na abertura do CEO Conference, evento promovido pelo BTG.

Por outro lado, Esteves acredita que essa ansiedade pode trazer “a sedução de um atalho que não vai levar a lugar nenhum”.

O banqueiro fez a declaração ao ser questionado se Lula havia se tornado um "economista heterodoxo". Isso porque o presidente vem se alinhando ao grupo que enxerga as políticas de ajuste fiscal como um obstáculo à agenda social do governo.

O sócio do BTG entende como uma contradição per se (em si mesma) o argumento de que uma política fiscal saudável beneficiaria aqueles que vivem de juros, quando o que ocorre é justamente o oposto.

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“Na verdade, o rentista é o mais prejudicado com uma política fiscal saudável, porque ela baixa os juros e assim ele ganha menos”, afirmou.

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Para Esteves, o país de modo geral já alcançou um certo grau de evolução institucional com o entendimento de que o governo não deve gastar mais do que arrecada, exceto em momentos como a pandemia da covid-19.

Brasil é um alcoólatra momentaneamente curado, diz Esteves

Esteves afirmou que há espaço para se discutir um novo arcabouço fiscal, desde que ele traga uma previsibilidade para a trajetória da dívida pública.

De todo modo, ele disse que não consegue enxergar nenhuma alternativa à atual política fiscal e monetária que não seja inflacionária, e lembrou do histórico brasileiro.

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“O Brasil é um alcoólatra momentaneamente curado, então não nos chame para uma degustação de vinho”, comparou.

O sócio do BTG aproveitou para defender o trabalho do Banco Central, cuja autonomia vem sendo questionada por membros do governo, incluindo Lula. Ele também destacou o sucesso do regime de metas de inflação, que vem conseguindo manter os índices de preço sob controle desde a adoção, em 1999.

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Banqueiro não gosta de juros altos

Sobre as críticas à taxa básica de juros (Selic), Esteves reconheceu que as taxas de fato estão altas. Mas disse que essa não é uma escolha voluntária do BC.

Ele inclusive lembrou que a autoridade monetária elevou os juros em ano eleitoral. Ou seja, essa seria uma evidência de que eventuais preferências políticas de Roberto Campos Neto não interferiram no trabalho do BC.

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Por fim, Esteves disse que juro alto também não é de interesse dos bancos, ao contrário do que se imagina. “Banqueiro não gosta de juro alto, um banco como o nosso [BTG] gosta de juro baixo”, ressaltou.

Um cenário de inflação alta beneficia mais os bancos do que os juros, de acordo com o sócio do BTG. Isso porque, quanto mais alta a taxa, menor o crescimento do crédito, uma das linhas que garantem o resultado dos bancos. “Estamos todos do mesmo lado, queremos juro baixo e inflação sob controle.”

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